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19 de abril de 2014

Quatro traduções de um mesmo vídeo

(Atualizado com mais uma tradução amadora.)

Estes dias, passou a circular um vídeo que se tornou viral, sobre uma falsa vaga de emprego que parece impossível (propaganda de uma empresa de cartões).

Vários conhecidos começaram a pedir que fosse traduzido, e me ofereci para fazer a legendagem. De vez em quando eu traduzo algo de que gosto, para mim mesma ou para alguém querido. Foi o que fiz, traduzindo e editando o vídeo com legendas fixas.

Dois dias após ter divulgado o vídeo no YouTube, descobri outras duas traduções em português, publicadas quase ao mesmo tempo que a minha. Mais um par de dias depois, encontrei outra versão legendada que já se tornou muito popular.

Achei muito interessante comparar a redação, o estilo e as características técnicas (sincronia, subdivisão de legendas, ritmo de leitura) de duas traduções amadoras com a minha, que fiz usando os critérios da legendagem profissional com que trabalho normalmente.

São estes:

1 (amador, clique em 'cc' e selecione legendas em português)

2 (amador)

3 (amador)

4 (profissional)


Algumas ressalvas importantes:

Meu objetivo aqui não é criticar nem ridicularizar as traduções amadoras. Foram feitas por gente que, como eu, quis tornar um vídeo bonito acessível para pessoas queridas, e cumprem com esse objetivo. Também não me sinto de forma alguma "moralmente superior" a ninguém.

Por outro lado, o tempo todo ouvimos comentários sobre a excelente qualidade das traduções amadoras ("fansubs"). Inclusive já tive alunos que eram fansubbers e achavam absurdas as imposições técnicas nas quais eu insistia para conseguirem se inserir no mercado profissional, pois argumentavam que "todo mundo" elogiava seu trabalho.

Esta comparação é apenas uma boa oportunidade de destacar essas diferenças.

Essas legendagens amadoras cumprem a função de transmitir rapidamente um conteúdo em língua estrangeira? Sem dúvida.

Seriam aceitas por uma produtora de vídeo ou canal de TV como um serviço profissional? Em hipótese alguma.

Os textos contêm inúmeros problemas de tradução, gramática e estilo. Há legendas com tanto texto que não dá tempo de ler (ou, se conseguimos ler, não temos tempo de observar as imagens, o que é uma perda grave). A sincronia não está precisa, assim como a quebra de legendas e de linhas, e tudo isso exige um esforço redobrado do espectador para acompanhar as legendas, em detrimento da experiência prazerosa de assistir ao vídeo.

Todas essas observações se baseiam em conhecimentos bastante técnicos e nem sempre intuitivos.

Tudo isto não é para pedir elogios nem nada disso, absolutamente -- eu continuo me aprimorando e não me considero dona da verdade.

É apenas para ilustrar o que qualquer tradutor qualificado já sabe: o bom resultado final de uma tradução é a ponta do iceberg, fruto de um esforço significativo de estudo, capacitação e treinamento, aliado a um trabalho intenso e extremamente detalhista durante o processo de tradução -- tudo isso apenas para que o receptor desse conteúdo não note demais a tradução em si, como alguém que aprecia a paisagem sem reparar no vidro da janela.

E também para lembrar que ainda falta muito, muito mesmo, para sermos substituídos por máquinas ou por voluntários bem-intencionados, caso alguém tivesse alguma dúvida.

25 de agosto de 2012

Tradução na Globo Universidade

A formação de tradutores e o mercado de tradução foram o tema de várias matérias publicadas na Globo Universidade. O foco foi sobretudo na PUC-Rio, onde eu estudei e leciono. São bem aprofundadas e ótimas para tradutores profissionais ou para quem ainda está planejando a carreira.

A matéria principal é em vídeo, mas o site da Globo Universidade traz alguns artigos complementares:

Matéria em vídeo sobre diversas especializações oferecidas na PUC-Rio

Artigo sobre o mercado de tradução

Artigo sobre interpretação

Artigo sobre o mercado de tradução audiovisual e literária

Artigo sobre tradução juramentada

Achei as matérias excelentes. Raramente uma reportagem na imprensa sobre tradução passa do mais básico. Mas o mercado de tradução está crescendo muito no Brasil e o profissional vem ganhando muita visibilidade.

Do ponto de vista pessoal, o mais incrível é que eu conheço praticamente todo mundo em todas as matérias! Uns foram meus professores, outros meus colegas e outros meus alunos. O mundo da tradução é uma enorme família, mesmo.

16 de novembro de 2011

O foco no cliente

A profissionalização da tradução, ao longo das últimas (várias) décadas, passou primeiro pelo estágio de definição e consolidação do campo de estudo, com foco em teorias e metodologias de ensino. Mais recentemente houve um esforço para aproximar mais os profissionais formados em tradução das diversas realidades do mercado de trabalho, incluindo, além das reflexões teóricas e de muita prática, o treinamento com tecnologias atuais e informações de cunho empresarial e financeiro.

Temos hoje uma grande quantidade de profissionais bem preparados, seja formados ou especializados em tradução, que se aperfeiçoam continuamente através de cursos, conferências e a febre do momento, os webinars.

Mas um lado da equação em que se pensa muito pouco, do ponto de vista da educação, é quem solicita traduções. O tradutor treina para dominar seu trabalho, é ensinado a não aceitar preços baixos, a exigir prazos razoáveis, a cobrar taxas de urgência, a usar ferramentas, a assinar um contrato com o cliente antes de começar o serviço. Ótimo. Quando somos procurados por um cliente que valoriza o nosso trabalho e quer qualidade, o relacionamento é harmonioso. Quando quem nos procura demonstra nem perceber a diferença entre o nosso serviço e o Google Translate, ficamos até felizes quando o serviço não acontece. E, se vemos uma tradução ruim publicada (em site, livro, filme, manual, o que for), atribuímos parte da responsabilidade sobre esse serviço ruim ao próprio cliente, que não soube ou não quis contratar um serviço decente e pagar o preço justo.

E por acaso todo cliente nasce sabendo? É claro que não. As empresas dedicadas a intermediar traduções têm padrões de custo-benefício que podem restringir os valores pagos e até comprometer certas práticas conscientemente, mas em geral entendem de tradução. Não confundiriam tradução com interpretação, nem legendagem com dublagem. Em geral. Mas uma imensidão de clientes que não vive em contato com o mercado de tradução, sejam pessoas físicas ou jurídicas, pode ser simplesmente ingênua. Há quem procure preço baixo, há quem realmente ache que ter feito um curso de línguas baste, há quem nunca ouviu falar em curso de tradução. Ora, se quem hoje é tradutor profissional precisou aprender essas e muitas outras coisas, muitos de nossos clientes precisam aprender isso também.

Nós não temos por que esperar passivamente pelo cliente ideal. Aliás, não podemos nos dar a esse luxo no panorama atual de tradutores automáticos gratuitos na rede, agências que cobram valores irrisórios e a empolgação em torno das práticas de crowdsourcing e fansubbing, que pregam o amadorismo como solução para as necessidades do "mundo globalizado" (haja redundância nessa expressão...).

É importante educarmos os clientes também, e não só esperando que se deem mal usando o Google Translate e voltem com o rabo entre as pernas. Se eles conhecerem melhor o nosso mercado e os detalhes do nosso trabalho, não só vão saber avaliar melhor o tipo de serviço de que precisam como vão nos valorizar mais, também. Aliás, apenas o fato de conhecer de perto alguma coisa já leva automaticamente a mais empatia e respeito. Quer ver só? Veja esta lista e me diga se você não valoriza um pouco mais estes profissionais, a maioria deles indispensável (e se não agradeceu pelo emprego que tem).

Naturalmente, não existem cursos de formação para gente que porventura precise de serviços de tradução. Mas há bastante material na internet. Basta recomendar alguns dos recursos sugeridos abaixo para clientes em potencial ou divulgá-los sempre que possível. Aliás, tudo o que serve para educar clientes se aplica a nós também. Um tradutor inexperiente ou sem familiaridade com alguma especialização tem dificuldade em explicá-la a seus clientes em potencial, o que é perceptível. Além disso, saber fazer algo é diferente de saber explicar para quem não é da área. Portanto, estas sugestões são extremamente úteis também para nós, tradutores profissionais. O que esperamos do cliente ideal necessariamente passa pelas melhores práticas de tradução, que nós devemos dominar.
Com certeza há muito mais por aí. Se você conhece um bom recurso pensado para clientes de tradução, sugira-o nos comentários para que eu o avalie e acrescente a esta lista.

10 de janeiro de 2011

"Expansão na legendagem abre novas possibilidades"

No fim do ano passado, fiz uma breve entrevista por telefone. Só hoje descobri (obrigada, Bianca!) que saiu uma matéria no caderno "Empregos e Negócios" do jornal O Fluminense sobre o mercado de legendagem, voltada para estudantes.

Apenas um detalhe sobre o trechinho em que a matéria me cita. A jornalista me perguntou se eu achava que era um mercado mal remunerado, e eu respondi "Eu não acho." Depois, na redação final da matéria, ela omitiu a pergunta e fica difícil saber o que é que eu não acho. Pois bem, não acho que seja um mercado ruim, muito pelo contrário.

20 de novembro de 2010

Blogs educacionais e a "nuvem"

Fui dar uma olhada nas estatísticas de acesso deste blog, o que eu faço muito ocasionalmente, e levei um susto porque dos dias 14 a 18 de novembro houve um salto absurdo na quantidade de acessos, dez vezes mais do que a média.

Descobri que a origem foi esta "convocação" do blog English Experts aos blogs educacionais. Meu blog está na lista dos convocados, mas ninguém me informou disso e poderia muito bem nem ter ficado sabendo.

("Está vendo", diria meu Grilo Falante, "como foi importante, após tantas semanas trabalhando sete dias por semana, tirar um dia para descansar e navegar um pouco? Trabalhando sem parar você mal vê o mundo lá fora!")

Mas voltando: a excelente convocação do Alessandro veio a calhar, pois esta semana mesmo eu estive discutindo com colegas - tradutores e professores - sobre a importância do networking virtual para os profissionais autônomos. Mas, se é importante para todo mundo, para os estudantes e iniciantes é realmente imprescindível.

Quando eu terminei a faculdade, há uns (aham...) 14 anos, usei de todos os recursos disponíveis na época para fazer e manter contato com colegas e profissionais. Criei meu primeiro site em 1997, escrevendo direto em HTML no Notepad. As primeiras redes de contato de tradutores profissionais aconteciam por e-mail, com a Trad-Prt (criada em 1998) e depois outras listas de discussão. O ProZ é de 1999 e foi um grande avanço pela proposta e pela tecnologia utilizada para promover o intercâmbio entre profissionais e clientes.

Eu comecei a trabalhar ainda na faculdade, por indicação de professores, às vezes para outros departamentos da universidade. Uma coisa foi puxando outra, eu sempre corri atrás de contatos e já nem sei como acabei traduzindo um livro muito bacana para uma editora de peso quando estava formada ainda há poucos meses. Sempre adorei tudo o que pudesse ser feito em computador e já na faculdade não desgrudava do Palm, que tenho até hoje (confesso que mais por razões afetivas do que qualquer motivo mais prático...)

Em 2001 abri minha empresa, comprei o domínio e sempre mantive o site. Comecei a blogar pouco depois (um blog pessoal já extinto) e iniciei este aqui em 2006. A essa altura já havia vários outros blogs, Orkut, uma multidão de opções. Aliás, a melhor comunidade de tradutores do Orkut continua firme e forte, reunindo vários dos melhores profissionais de tradução e interpretação e integrando e ajudando iniciantes.

Hoje em dia é preciso muita disciplina para não se perder em meio a tanto Twitter, Facebook, Orkut, LinkedIn, etc. E blogs. Blogs e mais blogs. E gente, como tem blog bom! Bonitos, bem produzidos, bem escritos, informativos. E pensar que começou meio na linha de "querido diário". Aliás, o Twitter também, mas hoje quem não sabe aproveitar as coisas incríveis que as mensagens em 140 caracteres podem fazer por você está perdendo - muito mais do que imagina.

São informações que não acabam mais, criadas constantemente. Entrada de blog é bem mais duradoura do que tuíte, mas os blogs também nascem e morrem, se reciclam, mudam de lugar. É difícil acompanhar tudo.

O universo da internet é absolutamente imenso. É como esses filmes sobre o Big Bang que a gente vê em planetário: ele expande, expande, expande... galáxias geram mais galáxias e mais galáxias. Virou uma nuvem, mesmo. Uma nuvem cósmica, com planetas, satélites e meteoros.

Há alguns anos que eu praticamente moro nessa nuvem. Resido a uns 8.000 km de distância de onde tenho minha empresa. A comunicação por voz é via Skype em todas as suas variações - muitos clientes ligam para meu número no Rio e nem imaginam onde é que eu estou. Os orçamentos são por e-mail, os serviços são em diversos formatos de arquivos. Bendito FTP sem limite de tamanho para trabalhar com filmes, tranferindo conteúdos inteiros de DVDs para legendar. Dou muitos cursos online também, para gente espalhada pelo mundo todo. Conheci a Bianca Bold, minha sócia, pelo Orkut, e por total coincidência hoje moramos na mesma cidade. Meu irmão Diego Alfaro, outro sócio, há vários anos mora na Europa e também presta serviços principalmente para clientes no Brasil. As notas fiscais são eletrônicas, os depósitos são feitos quase sempre pela internet, eu passo no banco todo dia usando "online banking" (felizmente o dinheiro que sai do caixa automático ainda é de carne e osso!)

E eu nunca tive tantos, tantos colegas. A internet tem esse poder de eliminar um monte de barreiras sociais. Você se comunica tanto com seus ídolos quanto com seus alunos, e na verdade esse tipo de rótulo importa cada vez menos.

Muitos clientes e amigos eu nunca vi. Outros eu vi, mas pouco comparado com o quanto nos comunicamos pela internet. Outros eu conheci primeiro pela internet e só depois em pessoa. Qual é a diferença entre virtual e real, mesmo? Eu confesso que já não sei bem.

Hoje em dia, independentemente da nossa procedência, de quantos amigos temos e de onde estudamos, uma coisa é certa: a maior parte dos conhecimentos que obtemos e da comunicação que mantemos é online. Pense em quanto do que você sabe hoje foi aprendido lendo diretamente de uma publicação em papel ou ouvindo da boca de uma pessoa, e quanto foi aprendido navegando? Eu adoro a experiência da sala de aula presencial, adoro a universidade, que considero importantíssima, mas em termos numéricos um professor diz algo para 25 pessoas durante duas horas e, nesse tempo, dezenas de milhares de pessoas leram informações como essas, e muitas outras, em artigos de blogs.

A educação é algo contínuo, e na internet é possível se educar muitas vezes mais do que em qualquer ambiente offline. Além disso, a "nuvem" novamente funde uma série de conceitos: você aprende enquanto se comunica, interage, faz contato. Contato gera feedback, gera parceria, gera amizade, gera trabalho. Uma série de degraus como o de primeiro aprender, depois fazer testes e estágios, depois ser profissional, vira uma rampa contínua.

E, no universo da tradução, há ainda aquela maravilhosa e fértil promiscuidade de contatos, em que seu aluno vira seu cliente, seu cliente vira seu sócio, seu sócio vira seu professor, às vezes tudo ao mesmo tempo. No ano passado, por exemplo, eu passei várias semanas me comunicando com a mesma pessoa, que ora era a editora para a qual eu estava traduzindo um livro, ora era minha aluna de teorias de tradução em um curso online. Mas tudo bem separadinho, nossas "identidades" não se confundiam em momento algum. O mesmo ocorre quando um ex-aluno vira amigo do tipo que troca receitas de cozinha, mas aí você passa um serviço para ele e o tratamento passa a ser profissional.

Quem está procurando entrar hoje no mercado de tradução, seja saindo de uma faculdade ou curso, ou vindo de outra profissão, deve o mais depressa possível se integrar a essa vida na "nuvem". As relações de trabalho antes eram mais verticais: a gente batia na porta (real ou metafórica) do cliente, ou ele nos procurava com uma proposta. E também aluno era aluno, professor era professor. Tudo muito hierárquico. Mas na nuvem, essa nuvem cósmica com mil conexões, como as sinapses do cérebro, tudo corre em mil direções. Um comentário no Facebook, um tuíte, uma visita a um blog, pode render um emprego. E amanhã mesmo, quem hoje estava procurando trabalho encaminha o pedido de um colega que precisa de ajuda e pronto, se torna o responsável por dar uma oportunidade de trabalho a outra pessoa. E tudo isso acontece muito, muito rápido. Progressos que levavam semanas e meses para acontecer hoje levam horas, minutos.

Essa integração beneficia a todos: quem comenta, quem repassa, quem dialoga é visto, ao mesmo tempo que dá visibilidade a seus interlocutores. Um blog ensina muita coisa, mas para continuar vivendo precisa receber opiniões, sugestões, precisa ser lido. E também é fundamental vincular blog com site, com Twitter, com Facebook, com e-mail, etc. Para existir na nuvem é preciso ser visto. Para ser visto, é preciso que seu site seja encontrado. E como ele é encontrado? Através de recomendações.

Aprendeu alguma coisa em um blog? Diga isso lá no Facebook.
Leu um comentário bacana? Comente também.
Recebeu uma dica legal? Retuíte.

Acredite, você mesmo tem muito mais a ganhar com isso do que imagina. Pois, ao dizer que os outros existem, automaticamente você existe também. Ao dizer "Eu vi", você é visto. E as oportunidades podem pintar de qualquer lugar.

Por isso achei tão legal essa campanha lançada pelo English Experts. Aumentando e intensificando as conexões entre blogs educacionais, as sinapses da nuvem se fortalecem e todos têm a ganhar com esse intercâmbio.

O próprio English Experts listou muitos blogs educacionais interessantes na convocação. Reforço aqui alguns e indico outros:
  • O Tecla Sap é espetacular, uma grande referência. O Ulisses Wehby de Carvalho é muito fera.
  • O Tradutor Profissional, do Danilo Nogueira (com a Kelli Semolini), também virou referência para os tradutores, sobretudo os iniciantes.
  • Fidus Interpres, excelente blog do Fabio Said.
  • Petê Rissatti fala sobre literatura e tradução, e conversa com tradutores.
  • O Tradução Via Val trata de tecnologia.
  • O TradCast é o primeiro podcast brasileiro sobre tradução, e é ótimo!
  • PriBi, sobre tradução e tecnologia, de Pricila e Fabiano Franz.
  • Adir Ferreira, sobre idiomas.
  • De Scripta, língua e tradução em espanhol, do Pablo Cardellino Soto.
  • El Heraldo de la Traducción, também em espanhol, mas de outro tradutor residente no Brasil, o Víctor Gonzalez.
  • Ao Principiante de tradução, pela Lorena Leandro.
  • i4B, sobre internet e tecnologias da informação, do meu fabuloso consultor para assuntos cibernéticos Roney Belhassof
E tem muitos outros, vários listados no menu à direita, mais embaixo. E, naturalmente, se você tiver alguma outra boa indicação de blog educacional bacana, comente aqui que eu acrescento (e também tuíte, inclua link, comente no Facebook... você já entendeu a ideia!)

30 de setembro de 2010

Dia do Tradutor e recomendação de livro

No dia 30 de setembro, comemoramos o Dia do Tradutor -- data do nosso patrono, assim como dos secretários, São Jerônimo. Ele traduziu a Bíblia para o latim, na versão que ficou conhecida como vulgata. Quer saber mais?

Muitos estão comemorando a ocasião com palestras e outros eventos, e o Fabio Said está oferecendo um desconto no livro Fidus interpres: a prática da tradução profissional, muito interessante sobretudo para estudantes e profissionais iniciantes. Aproveite!

15 de janeiro de 2009

"QI"

"Dá para entrar nesse mercado ou tem que ter QI?"

É uma pergunta recorrente.

E capciosa, pois esse "QI" sempre vem com uma carga muito negativa. Não é raro que quem desconfie do tal "QI" também se refira a "máfia" ou "panelinha". Como se ser indicado por alguém fosse algo meio ilícito.

Talvez até seja, dependendo do contexto -- alguém ser aprovado em um concurso público sem passar na prova, por exemplo.

Mas no ramo da tradução, profissão livre e desregulamentada, em condições mais ou menos normais, conseguir serviços através de indicações é corriqueiro e não vejo nada de errado nisso.

Basta pensar em alguma vez em que você precisou pintar a casa, consertar o computador ou contratar um advogado. Você abriu os classificados e escolheu o primeiro que viu ou pediu uma indicação a algum conhecido? Saber que outra pessoa teve uma experiência positiva com aquele profissional faz uma enorme diferença.

Não é diferente com tradução. A pessoa tem um texto ou filme para traduzir, vai pagar caro pelo serviço e precisa daquilo bem feito. Existem mil maneiras de encontrar tradutores por aí, e pode até ser que o cliente receba mil currículos. Mas, se outra pessoa que ele conhece disser, de boa fé: "Conheço esse daí, já trabalhei com ele e gostei", mesmo que seja um currículo mediano a pessoa tem muito mais chances de ser a escolhida.

Por isso mesmo, dar uma indicação também implica responsabilidade.

Uma vez um amigo me perguntou sobre a diarista que eu tinha, pois ele estava atrás de uma. Queria alguém de confiança. Eu disse que a minha era eficiente e de total confiança, embora fosse meio mão pesada. Ele a contratou. Um mês depois me disse, numa boa, que a mulher tinha quebrado todos os copos de vidro da casa dele. Eu não sabia onde me enfiar!

Quando recomendamos alguém, estamos dando nosso aval, o que indiretamente fala sobre o nosso padrão de qualidade. É por isso que costumamos pedir recomendações para aqueles que achamos que sabem avaliar bem aquele serviço, aqueles em quem confiamos.

Para o tradutor iniciante, não é fácil conseguir indicações -- o que é natural, já que ele tem pouca experiência e portanto interagiu com pouca gente. Mas não são só clientes felizes que nos indicam. Colegas que conheçam nossa capacidade também. Essa é uma das vantagens (além das outras, mais óbvias) de se fazer cursos de tradução: os colegas e tradutores conhecem seu desempenho e, se este for alto, se lembrarão de você.

Esse é o tal "networking", que soa muito mais bonito do que "QI". Mas eu não vejo muita diferença. Para ter "I", é preciso ter "Q" -- é preciso conhecer gente. Quanto mais gente souber que você é um tradutor competente, ou dedicado, ou esforçado, mais indicações surgirão. Sem investir em contatos e parcerias, realmente fica difícil.

Outro detalhe é que indicação se ganha, mas não se pede. É extremamente constrangedor receber de alguém o pedido de recomendá-lo. Além da responsabilidade ser muito grande, a indicação normalmente é feita atendendo ao pedido de quem está procurando um profissional, e não o contrário. Assim: se um cliente me pedir uma recomendação de um tradutor de italiano, eu vou pensar nos tradutores de italiano que conheço e recomendar algum. Já se um amigo ou colega me disser "Eu traduzo italiano; você pode me recomendar para aquele seu cliente?" a história muda totalmente.

Eu dou cursos e muitas vezes recomendei alunos. Mas é preciso uma combinação de circunstâncias: cliente precisando de alguém, não exigindo que seja alguém com muita experiência e o aluno se encaixando bem naquele perfil. Aliás, perfil é muito mais do que saber traduzir. É preciso ter perfil de profissional -- saber se comunicar com o cliente, saber negociar, lidar bem com os prazos... Há mil pontos onde alguém pode pisar na bola.

Mas sentimos uma satisfação enorme quando uma recomendação nossa dá certo. A pessoa recomendada fica feliz, o cliente fica feliz, ambos confiam ainda mais no nosso padrão de qualidade e todos estreitam os laços da lealdade.

Boas parcerias geram bom QI para todos.

14 de fevereiro de 2006

Guia para entrar no mercado

Informação veiculada no blog About Translation.

A Lingo24, grande agência de tradução com escritórios no Reino Unido e nos Estados Unidos, lançou o Translation Industry Career Guide, um manual para estudantes de línguas e aqueles que desejam entrar no mercado de tradução.

O guia ainda está pequeno, mas já traz várias informações interessantes e promete crescer conforme for agregando colaborações. Ele apresenta os requisitos de um bom tradutor, sugere os estudos a serem seguidos, dá dicas sobre profissionalização, faz uma introdução ao gerenciamento de projetos de tradução e exemplifica com alguns casos reais.

Na mesma seção de recursos desse site, há vários artigos e links interessantes. É claro que muitas informações são voltadas para os que residem nos EUA ou no Reino Unido, mas no Brasil não estamos muito atrás em termos de cursos, publicações e sites. (Aliás, se alguém conhecer um guia online em português semelhante a esse, não deixe de me informar!)

Esta notícia complementa minha última mensagem, trazendo mais algumas leituras extremamente úteis para dar um impulso na carreira em 2006