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5 de dezembro de 2012

Balé e ópera multimídia

Como é que uma "arte morta", como muitos se referem à ópera, ou um antigo estilo de dança, podem de repente atrair novas gerações a alcançar o maior público a que já teve acesso?

Através de recursos multimídia!


Algumas companhias de balé e ópera têm exibido suas apresentações ao vivo, para cinemas de todo o mundo. É o caso do Bolshoi Ballet, a Metropolitan Opera, a Royal Ballet e a Royal Opera House. A Emerging Pictures lista a maioria dessas apresentações.

No ano passado, eu fui procurada pela Royal Opera House/Royal Ballet (ROH) para traduzir algumas dessas apresentações para o português, pois eles estavam começando a exibi-las para uma rede de cinemas em todo o Brasil. Foi uma experiência ótima, e recentemente começou a temporada de 2012-2013 e eu fui escalada para fazer todas as traduções em português. É por isso que falo mais do ROH aqui, já que conheço de primeira mão como essas transmissões funcionam.

Essa tecnologia já existe há vários anos. Em 2003, eu assisti a um show de David Bowie que foi exibido ao vivo, desde Londres, para cinemas em todo o mundo. Eu estava no Brasil e, além de vermos o show, pudemos fazer perguntas para Bowie depois, desde o cinema, e ele ouvia e respondia desde Londres. Considerando como essa experiência foi incrível, chega a ser surpreendente (quase assombroso) que não tenha se tornado uma opção de entretenimento muito mais comum.

Mas parece que as transmissões ao vivo para cinemas finalmente estão vindo para ficar. A ROH começou a exibir as apresentações em cinemas do Reino Unido em 2009; o Brasil foi incluído no ano passado e o Japão nesta nova temporada. Agora transmitem para 240 cinemas de 32 países, em 6 ou 7 línguas, se não me engano.

Este vídeo (em inglês) destaca as vantagens de assistir balés e operas no cinema.


Os sons e imagens são capturados em alta definição, e as legendas em todas as línguas são todas transmitidas desde Londres. As traduções são realizadas com poucos dias (ou, às vezes, poucas horas) de antecedência. No caso de óperas, traduzimos o libretto, naturalmente, mas também há trailers e curtas sobre cada produção, que mostram ensaios, entrevistas e outras informações importantes sobre a produção, e que são exibidos antes do espetáculo e durante os intervalos. Também há mensagens exibidas na tela para os espectadores (por exemplo, incentivando-os a enviarem tweets com comentários sobre o espetáculo) e um resumo de cada ato que verão. Alguns dos tweets enviados também são exibidos na tela do cinema durante os intervalos.

Como as imagens são geradas ao vivo, as legendas não podem ser editadas permanentemente sobre o filme. São exibidas manualmente, ao vivo, pelo departamento de surtitling da ROH ("surtitling" é o nome das legendas exibidas em teatros, geralmente acima do palco).

A ROH interage com os espectadores nas principais redes sociais. Tem seu canal no YouTube, página no Facebook e conta no Twitter. E divulgou recentemente alguns números impressionantes sobre a temporada de 2011-2012, que sem dúvida irão crescer a cada ano. Alguns destaques:
  • Cerca de 300.000 pessoas assistiram à  Royal Opera e à Royal Ballet em cinemas.
  • Quando a Royal Ballet fez um dia inteiro de streaming grátis (um dia na vida da Royal Ballet exibido no YouTube, sem editar), a audiência atingiu um milhão de espectadores.
  • O público está cada vez mais jovem, com um grande número de pessoas que assistem a ópera  e balé pela primeira vez na vida, pois vê-las no cinema é bem mais barato e acessível, e menos intimidador, do que ir até um teatro.
Conquistar novos públicos e aproveitar as vantagens oferecidas pelas redes sociais sem dúvida são objetivos importantes. E um dos aspectos atraentes das redes sociais e dos recursos multimídia é o contato mais próximo entre astros e fãs, que a ROH também explora, como se vê neste vídeo (em inglês):


Novos públicos e novas mídias também implicam o uso de uma nova linguagem. As legendas devem ser breves e simples, para que possam ser lidas depressa e permitam aos espectadores entender o que é dito e ainda assim apreciar plenamente as belíssimas imagens à sua frente. No caso de óperas, isso significa que as traduções empregam uma linguagem mais moderna, sem termos obscuros ou obsoletos. O texto original continua intacto na performance, mas seria impossível acompanhar o libretto completo junto com o espetáculo. Assim, as legendas estão lá para falar a língua dos espectadores nos cinemas e ajudá-los a aproveitar totalmente a experiência, sem se sentirem deslocados.

A ROH é um modelo de cliente para os tradutores. O trabalho antes de cada apresentação é intenso e muitas vezes nos fins de semana, mas a remuneração faz jus ao que eles pedem. Procuraram tradutores recomendados, com experiência em legendagem e que se sentissem à vontade com os temas e a terminologia envolvida. Levando em conta a magnitude dessa operação, o custo da tradução provavelmente é quase insignificante, e a prioridade é oferecer a maior qualidade aos espectadores. A ROH reconhece o valor de uma tradução audiovisual especializada.

Este último vídeo mostra o departamento de audiovisual, e eu acho particularmente fascinante.


Acredito que há muito a aprender com essa experiência bem-sucedida da Royal Opera House e de outras companhias de balé e ópera. O público agora é global, novas tecnologias e mídias podem dar vida nova a antigas formas de arte -- incluindo lucro, sim, a internet não está matando a indústria do entretenimento, muito pelo contrário -- e serviços de tradução profissionais e especializados podem fazer a ponte entre as línguas.


Este texto foi publicado originalmente no meu blog sobre tradução de multimídia, em inglês.

16 de novembro de 2011

O foco no cliente

A profissionalização da tradução, ao longo das últimas (várias) décadas, passou primeiro pelo estágio de definição e consolidação do campo de estudo, com foco em teorias e metodologias de ensino. Mais recentemente houve um esforço para aproximar mais os profissionais formados em tradução das diversas realidades do mercado de trabalho, incluindo, além das reflexões teóricas e de muita prática, o treinamento com tecnologias atuais e informações de cunho empresarial e financeiro.

Temos hoje uma grande quantidade de profissionais bem preparados, seja formados ou especializados em tradução, que se aperfeiçoam continuamente através de cursos, conferências e a febre do momento, os webinars.

Mas um lado da equação em que se pensa muito pouco, do ponto de vista da educação, é quem solicita traduções. O tradutor treina para dominar seu trabalho, é ensinado a não aceitar preços baixos, a exigir prazos razoáveis, a cobrar taxas de urgência, a usar ferramentas, a assinar um contrato com o cliente antes de começar o serviço. Ótimo. Quando somos procurados por um cliente que valoriza o nosso trabalho e quer qualidade, o relacionamento é harmonioso. Quando quem nos procura demonstra nem perceber a diferença entre o nosso serviço e o Google Translate, ficamos até felizes quando o serviço não acontece. E, se vemos uma tradução ruim publicada (em site, livro, filme, manual, o que for), atribuímos parte da responsabilidade sobre esse serviço ruim ao próprio cliente, que não soube ou não quis contratar um serviço decente e pagar o preço justo.

E por acaso todo cliente nasce sabendo? É claro que não. As empresas dedicadas a intermediar traduções têm padrões de custo-benefício que podem restringir os valores pagos e até comprometer certas práticas conscientemente, mas em geral entendem de tradução. Não confundiriam tradução com interpretação, nem legendagem com dublagem. Em geral. Mas uma imensidão de clientes que não vive em contato com o mercado de tradução, sejam pessoas físicas ou jurídicas, pode ser simplesmente ingênua. Há quem procure preço baixo, há quem realmente ache que ter feito um curso de línguas baste, há quem nunca ouviu falar em curso de tradução. Ora, se quem hoje é tradutor profissional precisou aprender essas e muitas outras coisas, muitos de nossos clientes precisam aprender isso também.

Nós não temos por que esperar passivamente pelo cliente ideal. Aliás, não podemos nos dar a esse luxo no panorama atual de tradutores automáticos gratuitos na rede, agências que cobram valores irrisórios e a empolgação em torno das práticas de crowdsourcing e fansubbing, que pregam o amadorismo como solução para as necessidades do "mundo globalizado" (haja redundância nessa expressão...).

É importante educarmos os clientes também, e não só esperando que se deem mal usando o Google Translate e voltem com o rabo entre as pernas. Se eles conhecerem melhor o nosso mercado e os detalhes do nosso trabalho, não só vão saber avaliar melhor o tipo de serviço de que precisam como vão nos valorizar mais, também. Aliás, apenas o fato de conhecer de perto alguma coisa já leva automaticamente a mais empatia e respeito. Quer ver só? Veja esta lista e me diga se você não valoriza um pouco mais estes profissionais, a maioria deles indispensável (e se não agradeceu pelo emprego que tem).

Naturalmente, não existem cursos de formação para gente que porventura precise de serviços de tradução. Mas há bastante material na internet. Basta recomendar alguns dos recursos sugeridos abaixo para clientes em potencial ou divulgá-los sempre que possível. Aliás, tudo o que serve para educar clientes se aplica a nós também. Um tradutor inexperiente ou sem familiaridade com alguma especialização tem dificuldade em explicá-la a seus clientes em potencial, o que é perceptível. Além disso, saber fazer algo é diferente de saber explicar para quem não é da área. Portanto, estas sugestões são extremamente úteis também para nós, tradutores profissionais. O que esperamos do cliente ideal necessariamente passa pelas melhores práticas de tradução, que nós devemos dominar.
Com certeza há muito mais por aí. Se você conhece um bom recurso pensado para clientes de tradução, sugira-o nos comentários para que eu o avalie e acrescente a esta lista.

20 de novembro de 2010

Blogs educacionais e a "nuvem"

Fui dar uma olhada nas estatísticas de acesso deste blog, o que eu faço muito ocasionalmente, e levei um susto porque dos dias 14 a 18 de novembro houve um salto absurdo na quantidade de acessos, dez vezes mais do que a média.

Descobri que a origem foi esta "convocação" do blog English Experts aos blogs educacionais. Meu blog está na lista dos convocados, mas ninguém me informou disso e poderia muito bem nem ter ficado sabendo.

("Está vendo", diria meu Grilo Falante, "como foi importante, após tantas semanas trabalhando sete dias por semana, tirar um dia para descansar e navegar um pouco? Trabalhando sem parar você mal vê o mundo lá fora!")

Mas voltando: a excelente convocação do Alessandro veio a calhar, pois esta semana mesmo eu estive discutindo com colegas - tradutores e professores - sobre a importância do networking virtual para os profissionais autônomos. Mas, se é importante para todo mundo, para os estudantes e iniciantes é realmente imprescindível.

Quando eu terminei a faculdade, há uns (aham...) 14 anos, usei de todos os recursos disponíveis na época para fazer e manter contato com colegas e profissionais. Criei meu primeiro site em 1997, escrevendo direto em HTML no Notepad. As primeiras redes de contato de tradutores profissionais aconteciam por e-mail, com a Trad-Prt (criada em 1998) e depois outras listas de discussão. O ProZ é de 1999 e foi um grande avanço pela proposta e pela tecnologia utilizada para promover o intercâmbio entre profissionais e clientes.

Eu comecei a trabalhar ainda na faculdade, por indicação de professores, às vezes para outros departamentos da universidade. Uma coisa foi puxando outra, eu sempre corri atrás de contatos e já nem sei como acabei traduzindo um livro muito bacana para uma editora de peso quando estava formada ainda há poucos meses. Sempre adorei tudo o que pudesse ser feito em computador e já na faculdade não desgrudava do Palm, que tenho até hoje (confesso que mais por razões afetivas do que qualquer motivo mais prático...)

Em 2001 abri minha empresa, comprei o domínio e sempre mantive o site. Comecei a blogar pouco depois (um blog pessoal já extinto) e iniciei este aqui em 2006. A essa altura já havia vários outros blogs, Orkut, uma multidão de opções. Aliás, a melhor comunidade de tradutores do Orkut continua firme e forte, reunindo vários dos melhores profissionais de tradução e interpretação e integrando e ajudando iniciantes.

Hoje em dia é preciso muita disciplina para não se perder em meio a tanto Twitter, Facebook, Orkut, LinkedIn, etc. E blogs. Blogs e mais blogs. E gente, como tem blog bom! Bonitos, bem produzidos, bem escritos, informativos. E pensar que começou meio na linha de "querido diário". Aliás, o Twitter também, mas hoje quem não sabe aproveitar as coisas incríveis que as mensagens em 140 caracteres podem fazer por você está perdendo - muito mais do que imagina.

São informações que não acabam mais, criadas constantemente. Entrada de blog é bem mais duradoura do que tuíte, mas os blogs também nascem e morrem, se reciclam, mudam de lugar. É difícil acompanhar tudo.

O universo da internet é absolutamente imenso. É como esses filmes sobre o Big Bang que a gente vê em planetário: ele expande, expande, expande... galáxias geram mais galáxias e mais galáxias. Virou uma nuvem, mesmo. Uma nuvem cósmica, com planetas, satélites e meteoros.

Há alguns anos que eu praticamente moro nessa nuvem. Resido a uns 8.000 km de distância de onde tenho minha empresa. A comunicação por voz é via Skype em todas as suas variações - muitos clientes ligam para meu número no Rio e nem imaginam onde é que eu estou. Os orçamentos são por e-mail, os serviços são em diversos formatos de arquivos. Bendito FTP sem limite de tamanho para trabalhar com filmes, tranferindo conteúdos inteiros de DVDs para legendar. Dou muitos cursos online também, para gente espalhada pelo mundo todo. Conheci a Bianca Bold, minha sócia, pelo Orkut, e por total coincidência hoje moramos na mesma cidade. Meu irmão Diego Alfaro, outro sócio, há vários anos mora na Europa e também presta serviços principalmente para clientes no Brasil. As notas fiscais são eletrônicas, os depósitos são feitos quase sempre pela internet, eu passo no banco todo dia usando "online banking" (felizmente o dinheiro que sai do caixa automático ainda é de carne e osso!)

E eu nunca tive tantos, tantos colegas. A internet tem esse poder de eliminar um monte de barreiras sociais. Você se comunica tanto com seus ídolos quanto com seus alunos, e na verdade esse tipo de rótulo importa cada vez menos.

Muitos clientes e amigos eu nunca vi. Outros eu vi, mas pouco comparado com o quanto nos comunicamos pela internet. Outros eu conheci primeiro pela internet e só depois em pessoa. Qual é a diferença entre virtual e real, mesmo? Eu confesso que já não sei bem.

Hoje em dia, independentemente da nossa procedência, de quantos amigos temos e de onde estudamos, uma coisa é certa: a maior parte dos conhecimentos que obtemos e da comunicação que mantemos é online. Pense em quanto do que você sabe hoje foi aprendido lendo diretamente de uma publicação em papel ou ouvindo da boca de uma pessoa, e quanto foi aprendido navegando? Eu adoro a experiência da sala de aula presencial, adoro a universidade, que considero importantíssima, mas em termos numéricos um professor diz algo para 25 pessoas durante duas horas e, nesse tempo, dezenas de milhares de pessoas leram informações como essas, e muitas outras, em artigos de blogs.

A educação é algo contínuo, e na internet é possível se educar muitas vezes mais do que em qualquer ambiente offline. Além disso, a "nuvem" novamente funde uma série de conceitos: você aprende enquanto se comunica, interage, faz contato. Contato gera feedback, gera parceria, gera amizade, gera trabalho. Uma série de degraus como o de primeiro aprender, depois fazer testes e estágios, depois ser profissional, vira uma rampa contínua.

E, no universo da tradução, há ainda aquela maravilhosa e fértil promiscuidade de contatos, em que seu aluno vira seu cliente, seu cliente vira seu sócio, seu sócio vira seu professor, às vezes tudo ao mesmo tempo. No ano passado, por exemplo, eu passei várias semanas me comunicando com a mesma pessoa, que ora era a editora para a qual eu estava traduzindo um livro, ora era minha aluna de teorias de tradução em um curso online. Mas tudo bem separadinho, nossas "identidades" não se confundiam em momento algum. O mesmo ocorre quando um ex-aluno vira amigo do tipo que troca receitas de cozinha, mas aí você passa um serviço para ele e o tratamento passa a ser profissional.

Quem está procurando entrar hoje no mercado de tradução, seja saindo de uma faculdade ou curso, ou vindo de outra profissão, deve o mais depressa possível se integrar a essa vida na "nuvem". As relações de trabalho antes eram mais verticais: a gente batia na porta (real ou metafórica) do cliente, ou ele nos procurava com uma proposta. E também aluno era aluno, professor era professor. Tudo muito hierárquico. Mas na nuvem, essa nuvem cósmica com mil conexões, como as sinapses do cérebro, tudo corre em mil direções. Um comentário no Facebook, um tuíte, uma visita a um blog, pode render um emprego. E amanhã mesmo, quem hoje estava procurando trabalho encaminha o pedido de um colega que precisa de ajuda e pronto, se torna o responsável por dar uma oportunidade de trabalho a outra pessoa. E tudo isso acontece muito, muito rápido. Progressos que levavam semanas e meses para acontecer hoje levam horas, minutos.

Essa integração beneficia a todos: quem comenta, quem repassa, quem dialoga é visto, ao mesmo tempo que dá visibilidade a seus interlocutores. Um blog ensina muita coisa, mas para continuar vivendo precisa receber opiniões, sugestões, precisa ser lido. E também é fundamental vincular blog com site, com Twitter, com Facebook, com e-mail, etc. Para existir na nuvem é preciso ser visto. Para ser visto, é preciso que seu site seja encontrado. E como ele é encontrado? Através de recomendações.

Aprendeu alguma coisa em um blog? Diga isso lá no Facebook.
Leu um comentário bacana? Comente também.
Recebeu uma dica legal? Retuíte.

Acredite, você mesmo tem muito mais a ganhar com isso do que imagina. Pois, ao dizer que os outros existem, automaticamente você existe também. Ao dizer "Eu vi", você é visto. E as oportunidades podem pintar de qualquer lugar.

Por isso achei tão legal essa campanha lançada pelo English Experts. Aumentando e intensificando as conexões entre blogs educacionais, as sinapses da nuvem se fortalecem e todos têm a ganhar com esse intercâmbio.

O próprio English Experts listou muitos blogs educacionais interessantes na convocação. Reforço aqui alguns e indico outros:
  • O Tecla Sap é espetacular, uma grande referência. O Ulisses Wehby de Carvalho é muito fera.
  • O Tradutor Profissional, do Danilo Nogueira (com a Kelli Semolini), também virou referência para os tradutores, sobretudo os iniciantes.
  • Fidus Interpres, excelente blog do Fabio Said.
  • Petê Rissatti fala sobre literatura e tradução, e conversa com tradutores.
  • O Tradução Via Val trata de tecnologia.
  • O TradCast é o primeiro podcast brasileiro sobre tradução, e é ótimo!
  • PriBi, sobre tradução e tecnologia, de Pricila e Fabiano Franz.
  • Adir Ferreira, sobre idiomas.
  • De Scripta, língua e tradução em espanhol, do Pablo Cardellino Soto.
  • El Heraldo de la Traducción, também em espanhol, mas de outro tradutor residente no Brasil, o Víctor Gonzalez.
  • Ao Principiante de tradução, pela Lorena Leandro.
  • i4B, sobre internet e tecnologias da informação, do meu fabuloso consultor para assuntos cibernéticos Roney Belhassof
E tem muitos outros, vários listados no menu à direita, mais embaixo. E, naturalmente, se você tiver alguma outra boa indicação de blog educacional bacana, comente aqui que eu acrescento (e também tuíte, inclua link, comente no Facebook... você já entendeu a ideia!)

8 de abril de 2009

Aprendizado virtual

Há bastante tempo proliferam-se na internet cursos à distância, podcasts e outras formas de transmissão de conhecimento que, cada vez mais, envolvem áudio e vídeo.

Eu dou alguns cursos à distância através do Aulavox -- inclusive coloquei um widget aí do lado direito, onde eles anunciam as próximas atividades ligadas a tradução -- e pretendo tentar organizar outros tipos de oficinas. Esse tipo de recurso sai mais em conta do que conseguir uma locação física, é eficiente e extremamente prático, pois basta se conectar na hora certa (em caso de eventos ao vivo) para assistir à aula. Até em cursos presenciais passa a ser interessante usar alguns recursos da internet, seja para promover uma discussão virtual ou para aproveitar materiais que estejam online.

Podcasts são gravações em áudio ou vídeo regulares, publicadas em formato semelhante ao de um blog especializado. Geralmente é possível ouvi-los no site ou baixá-los para qualquer aparelho de MP3, para ouvir em qualquer momento. Eu assino vários podcasts que se atualizam automaticamente e vão para o iPod: notícias, receitas, palestras e discussões variadas.

Há um podcast sobre tradução, o Speaking of Translation. As duas autoras são tradutoras americanas que selecionam temas ligados à profissão e os apresentam em forma de bate papo.

Outra moda são os chamados "webinars", seminários virtuais. O ProZ está com vários deles, alguns grátis e outros pagos.

A Portuguese Language Division da ATA também está oferecendo webinars usando recursos do Skype.

Também há webinars ensinando a usar a memória de tradução Wordfast. Uma é mais introdutória e outras são específicas.

Quase tudo isso pode ser aprendido lendo um site ou um livro, ou indo a uma palestra. São apenas formas diferentes, práticas e geralmente muito baratas (ou mesmo grátis) de obter as mesmas informações. Eu não tenho carro, então o iPod está sempre cheio de podcasts para ouvir no metrô, ou caminhando, ou fazendo coisas chatas como aspirar a casa ou lavar louça, quando seria impossível ler um livro.

Alguns colegas estão desenvolvendo a idéia de um podcast brasileiro, com vários colaboradores, sobre tradução. Assim que ele sair do papel, eu aviso.

20 de agosto de 2006

"Translation Directory"

O translationdirectory.com traz uma interessantíssima seção de artigos categorizados por tema. São centenas deles, fáceis de encontrar, com o trecho inicial disponível já no índice. Mais um ótimo site para manter na lista dos favoritos.

As seções gerais mais importantes são:
Há também categorias sobre línguas específicas e sobre especialidades, como tradução jurídica, científica, financeira, médica, literária, interpretação, localização e legendagem. E mais: críticas de dicionários, terminologia, ofertas de emprego e cadastro de tradutores.

Show!

8 de março de 2006

A internet como corpus

A internet é uma faca de dois gumes: a mesma facilidade de acesso que nos oferece milhões de textos sobre os mais variados assuntos permite a publicação de todo tipo de bobagem, proposital ou não. Por isso, as pesquisas na internet devem ser cada vez mais criteriosas e confirmadas pelo menos mais uma vez de um modo relativamente seguro. Bater o olho numa informação perdida por aí, replicá-la e justificar com "li na internet" é como dizer "um desconhecido na rua me contou". Confiabilidade zero.

Vários blogs sobre tradução recentemente fizeram referências a este artigo de Stephen Strauss, no qual ele dá dicas para procurar e confirmar a tradução de uma expressão na internet. Em resumo, o método consiste em:
  1. Pesquisar a expressão original pedindo resultados na outra língua e/ou restringindo a busca a sites governamentais ou que inspirem confiança.
  2. Tomar nota das traduções encontradas (em geral, mais de uma).
  3. Pesquisar as traduções encontradas e comparar o número de ocorrências de cada uma.
Pesquisando expressões com mais de uma palavra e entre aspas, o número de ocorrências é muito menor do que pesquisando palavras soltas, de modo que esse tipo de busca é mais confiável do que o de palavras soltas. Se uma das palavras da expressão estiver errada ou não for esse o uso mais comum, serão encontradas muito poucas ocorrências. Poucas ocorrências, para mim, são na casa das dezenas e poucas centenas. Mesmo algo um tanto quanto obscuro aparece no mínimo em cerca de 1.000 textos no Google.

Aliás, duas formas de pesquisa "clássicas" aproveitando o corpus da internet são a de expressões ou "colocações" (collocations) e a de biologia/zoologia. A primeira se dá como explicado acima, procurando expressões entre aspas e comparando o número de resultados. A segunda é feita de um modo muito parecido ao método acima:
  1. Pesquisa-se o animal ou a planta na língua original e obtém-se o nome científico.
  2. Procura-se pelo nome científico pedindo resultados na língua-meta.
A hipótese de todos esses métodos, é claro, é a de que a maioria dos textos são escritos por falantes nativos e estão corretos. Ainda assim, como em qualquer pesquisa de corpus, os resultados precisam ser devidamente interpretados.

Infelizmente, o Google não possui um mecanismo de busca simultânea de consultas diferentes. A forma mais prática é abrir duas janelas do navegador, uma para cada pesquisa.

Há um mecanismo externo, aparentemente desenvolvido com fins de entretenimento, que faz essa busca simultânea: o Googlefight. Basta preencher as duas caixas de busca e o programa pesquisa as duas ao mesmo tempo no Google. Após uma luta entre dois bonequinhos, o número de ocorrências de cada pesquisa é exibido.

Dois pontos contra: primeiro, a busca é feita em inglês. Os resultados podem ser totalmente distorcidos se forem inseridas palavras em outras línguas, pois não há como informar isso exceto acrescentando domínios de site como filtros (por exemplo "site:.br") na janela de busca. Segundo, só é fornecido o número de ocorrências, sem mais informações. Isto é, não temos como interpretar os resultados.

Ainda assim, é uma ferramentazinha adicional, que pode complementar a busca no Google propriamente dita. Mas desde que a descobri eu aguardo algo parecido oferecido pelo próprio Google - aí sim, vai ser uma festa!

30 de janeiro de 2006

Mais algumas Googlices

Além dos serviços de busca, o Google oferece uma quantidade crescente de programas e serviços, dos mais profissionalmente relevantes aos puramente entretidos.

O pacote gratuito Google Pack traz diversos programas computacionais -- navegador Firefox, barra do Google para o navegador, organizador de fotos Picasa, mapas do Google Earth, Adobe Acrobat, protetor de tela, anti-vírus Norton, anti-spyware Ad-Aware, reprodutor de mídia Real Player, programa de troca de mensagens e voz Google Talk e outras coisinhas mais. Cada usuário pode determinar os programas que quer incluir no seu pacote, e o programa de instalação o mantém a par de atualizações.

Além da enorme utilidade do serviço de e-mail Gmail (gigante, rapidíssimo, maravilhosamente organizado e organizável, excelente para manejar listas de tradução e manter backups), da revolução Orkut (agora otimizada pelo Google) e do Blogger (este provedor gratuito e simpático de blogs), meus serviços favoritos do Google são o Google Scholar, serviço de busca especializado em artigos acadêmicos, e minha última aquisição, o Google Reader, que mantém e atualiza conteúdos gerados em XML e afins.

Explico melhor este último. Se você, como eu, há tempos vinha se perguntando que diabos são uns links que têm aparecido em vários sites, dizendo "syndicate this site", "RSS", "Atom", uns ícones que dizem "+Yahoo", "+Google" e coisas do gênero, isso significa que fornecem esse tipo de conteúdo em XML e afins. (No caso deste blog, por exemplo, há dois links no menu à direita, acima, que oferecem meios e códigos para "assiná-lo".) Diversos programas ou serviços oferecidos em sites (como o Google Reader) indexam esses sites. Então, você pode ir "assinando" ("syndicating") através deles os sites que você costuma visitar e que são atualizados freqüentemente, como os de notícias e blogs. Uma vez coletados, basta você acessar um só lugar (o tal programa ou serviço de sua escolha) para ler todos eles e se inteirar de todas as atualizações feitas, sem precisar ficar navegando por sites e mais sites para ver se há alguma novidade ou procurando um determinado conteúdo. O visual e as funções oferecidas pelo Google Reader são bem parecidos aos do Gmail, o que é um atrativo a mais para os já familiarizados com as ferramentas Google.

Mais serviços e ferramentas do Google

O "laboratório" do Google, onde vão nascendo as novidades

Na nossa profissão, muito literalmente, tempo é dinheiro -- tempo de digitação, de envio e recebimento de arquivos, de pesquisa e de aquisição de informações -- e o Google tem nos ajudado a economizar muitas horas preciosas.

27 de janeiro de 2006

Pesquisas especiais do Google

O Google é um dos grandes amigos do tradutor (e por muitos chamado carinhosamente de "Tio Gugo"). Mas nem todos sabem que, além dos recuros de busca e pesquisa avançada iguais aos de muitos outros mecanismos de busca, o grande diferencial do Google para os tradutores são os recursos especiais.

Por exemplo, para encontrar a definição de qualquer palavra, basta digitar na caixa de busca "define" (sem as aspas) e em seguida a expressão para a qual se quer encontrar definições. Eu tenho meus dicionários preferidos que sempre consulto primeiro, mas o Google freqüentemente me salva quando há uma expressão ou muito técnica ou idiomática. A última que procurei foi dita por um personagem de The West Wing, que diz: "We're taking our licks early." Ele estava falando de campanha política e não fazia nenhum sentido para mim. Mal sabia eu que era uma expressão de beisebol. Fui no Google e digitei: define "take one's licks". Bingo. Dúvida resolvida em frações de segundo.

O Google também calcula. Calcula muita coisa, inclusive conversões de medidas e moedas. Basta digitar o que precisa ser calculado ou convertido diretamente na caixa de busca. É preciso aprender alguns comandozinhos, mas só para exemplificar:
É possível ainda restringir a busca a assuntos ou produtos específicos, como livros, filmes, música, notícias, tipos de arquivo, imagens, etc.

Tudo isso e muito mais está explicado só no site em inglês, aqui. E para quem tem alguma dificuldade em obter resultados precisos, vale a pena confirir as instruções básicas para pesquisar de forma mais eficiente, aqui.

Boa pesquisa!

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Adendo tardio: Encontrei mais dicas neste outro blog.