24 de fevereiro de 2010

Novas turmas online!

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Atualização: este tópico se refere a atividades já encerradas. Veja as postagens mais recentes para ficar a par de novos cursos e eventos.
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Estão abertas as inscrições para mais duas edições de Introdução à Legendagem de Filmes -- à distância, através do sistema Aulavox.

Uma trabalha com traduções do italiano para o português. As aulas serão dadas pela Bianca Bold e acontecerão às quartas-feiras, do dia 28 de abril a 26 de maio (datas atualizadas!), às 19h (Brasília).

A outra é para tradutores do inglês para o português, ministrada por mim (Carolina Alfaro). Desta vez será aos sábados, de 24 de abril a 22 de maio, às 10h (Brasília).

Exceto pelas línguas, os dois cursos serão idênticos: 5 aulas online de uma hora de duração cada, com base nos mesmos materiais expositivos, incluindo exercícios individuais feitos e corrigidos entre uma aula e outra. O objetivo é transmitir os fundamentos técnicos e estilísticos da tradução adaptada ao formato de legendas.

Para outros detalhes e inscrições, contate diretamente a Aulavox através dos links acima.

Mais uma parceria Scriba & Aulavox.

9 de dezembro de 2009

Oração do tradutor

Momentinho de descontração:

Já vi outras parecidas, mas esta oração de autoria da Érika Lessa é a melhor!
Não custa nada tirar um minutinho, fechar os olhos e pedir:

Wordfast nosso que estás no céu
Santificado seja o vosso glossário,
Venha a nós o vossos termo,
Seja feita a nossa revisão
No segmento e no arquivo limpo.
O cliente nosso de cada dia nos dai hoje,
Perdoai as nossas ofensas ortográficas,
Assim como nós perdoamos os textos mal escritos.
Não nos deixei cair em tentação
de usar o tradutor automático
E livrai-nos de todo trabalho in engrish.

AMÉM!

13 de outubro de 2009

Palestra online gratuita sobre legendagem

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Mais um ano está chegando ao fim. Isso mesmo: basta olhar o calendário e cair na real. Está chegando a hora de pensar em novos projetos e oportunidades para o ano que vem. Várias vezes neste blog eu já falei sobre atualização, especialização e diversas formas de se preparar para crescer no mercado de trabalho (veja a listagem de artigos e temas, aqui à direita).

Nos próximos vezes, vou me dedicar à preparação de profissionais para o mercado de legendagem de filmes, que não para de crescer e demandar tradutores especializados. Vários alunos de cursos anteriores -- hoje queridos colegas -- estão fazendo bonito, a voz correu e algumas produtoras grandes já fizeram contato comigo, reconhecendo a qualidade dos cursos e abrindo suas portas para os alunos com melhor desempenho.

Por isso estou com tantas novidades. Como já avisei, há inscrições abertas para dois cursos presenciais de legendagem, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo.

A notícia que está saindo do forno é que vou dar novamente uma palestra online, gratuita, sobre fundamentos técnicos e o panorama do mercado de legendagem, em parceria com a Aulavox. É a mesma palestra que dei no ano passado, com duas horas de duração. Será no dia 27 de outubro, terça-feira, das 19h às 21h (horário de Brasília). Clique aqui para garantir seu lugar!

Para mais informações sobre os cursos e eventos em que estou envolvida, além de outros detalhes sobre mim, minha empresa e meus parceiros, visite o site da Scriba Traduções.

8 de outubro de 2009

Meu caderno de serviços

Entre colegas, já comentei duas ou três vezes sobre um caderno que uso para registrar meus serviços, e achei que merecia uma explicação mais completa. Não se trata de nenhum método muito rigoroso, nem muito menos de uma recomendação sobre a melhor forma de monitorar serviços. Simplesmente é o jeito que fui adotando e comigo dá muito certo.

Há vários anos eu não tinha método nenhum. Chegava algum e-mail com um pedido de orçamento, eu fazia, mandava, deixava o e-mail lá e pronto. Quando alguém telefonava, eu anotava em um papel (normalmente um caderno todo rabiscado que eu usava para tomar notas sobre qualquer coisa). Os pedidos não eram tantos e não havia risco de eu me confundir, de acabar esquecendo de cuidar de algum serviço, nada disso. Eu também só trabalhava sozinha, sem parceiros.

O tal caderno rabiscado, geralmente grandão, ficava sempre na frente do computador. Eu simplesmente ia anotando qualquer coisa nele: números de telefone, cálculos de valores, termos para pesquisar, recados, etc. Quando uma página enchia, eu virava. Semanas ou meses depois, se eu precisasse procurar qualquer uma dessas informações, simplesmente ia voltando as páginas até encontrar.

Mas, à medida que o ritmo de trabalho e o tamanho dos projetos foram crescendo, como já dá para imaginar, o tal cadernão foi ficando confuso demais. Era difícil achar informações passadas. Não havia risco de perder prazos ou não controlar pagamentos, pois desde a faculdade eu uso um Palm como agenda, com tudo de importante lá dentro, e sempre o mantive minuciosamente atualizado com tudo o que tenho o que fazer cada dia. A questão é que sempre há diversas informações, anotações e cálculos que eu não registrava sistematicamente, até porque não sabia onde fazer isso.

Então um dia comprei um caderno de páginas não muito grandes (acho que o tamanho é A5, a metade daqueles cadernos universitários), mas com muitas folhas. Azul, com uma capa plástica semi-dura meio chamativa, para se destacar dos demais. Estou com ele aqui: foi comprado bem no fim de 2006, com o primeiro registro feito em 3 de janeiro de 2007.

Estabeleci algumas regras:
  • Ele serve exclusivamente para anotar novos pedidos de serviços. Qualquer outro tipo de anotação deve ser feito em outro lugar (continuei tendo um caderno para rabiscos aleatórios, mas nada que precisasse ser registrado de forma mais permanente).
  • Cada novo pedido é anotado em uma nova página.
  • Informações obrigatórias: data do pedido (no canto superior), instituição e pessoa que fez o pedido, dados de contato, tipo de serviço, línguas envolvidas. Isso ocupa a metade superior de cada página e eu anoto imediatamente ao receber um e-mail ou telefonema, mesmo sem saber no que o pedido vai resultar.
  • O cálculo que eu faço para chegar ao orçamento fica explícito no caderno: quantas palavras ou minutos de filme, que valores estou calculando (muitas vezes faço dois ou três cálculos de preços e depois decido qual fornecer ao cliente dependendo de outras condições do serviço), o prazo, e qual o orçamento final que forneci.
  • Anoto também outros detalhes que podem ser importantes, geralmente a lápis ou com alguma outra cor. Comentários tipo: "técnico", "urgente", "contratar revisor", "repetitivo", "cliente manda glossário", etc.
  • Após a resposta do cliente ou outras interações, vou anotando os resultados em vermelho: "OK" para cada item de prazo e orçamento, se enviei o contrato e se ele foi assinado. Anoto se o serviço foi recusado ou cancelado, ou se após vários dias não obtive mais resposta. Também anoto quando enviei cada serviço e, finalmente, quando ele foi pago.
  • Se por acaso faço alguma parceria, anoto também os dados do que foi combinado, as obrigações do parceiro para comigo e as minhas para com ele.
  • Para cada serviço concluído com sucesso -- enviado, pago, finalizado -- traço duas linhas vermelhas grossas no canto inferior da página. Assim, de tempos em tempos eu dou uma folheada e monitoro se cada página está "fechada". Se não está com as duas linhas vermelhas, em geral é porque algum cliente não deu mais sinal de vida, e isso precisa ficar registrado.
É claro que eu passo para o Palm os compromissos combinados, meus prazos, datas em que devo receber pagamentos, etc. Mas tudo o que eu preciso saber sobre o serviço está em uma página do caderno.

Além disso, para qualquer projeto de maior porte, que inclua um número grande de arquivos, uma equipe de mais de duas pessoas, várias tarefas simultâneas ou várias datas, naturalmente eu crio uma planilha no Excel, que tem muitos recursos importantes e é fácil de atualizar e compartilhar.

Mas o caderno, essa coisa analógica e antiquada, tem algumas vantagens que sistema computacional nenhum oferece:

Primeiro, ele é "somente para os meus olhos". Justamente, o objetivo é não compartilhá-lo com ninguém, nem mesmo por acaso. O lugar dele é na frente do meu monitor. Se viajo, ele vai comigo. Uma espécie de "meu querido diário".

Segundo, é uma maravilha para ter um panorama histórico do meu trabalho. Basta folhar as páginas para ter uma ótima noção da frequência dos pedidos, da proporção de serviços bem-sucedidos, da média de valores, etc. Posso tanto observar um dado período ou o perfil de algum cliente em particular. Para mim, virou uma ferramenta imprescindível para saber quando ajustar valores.

Terceiro, essa natureza de palimpsesto da folha de papel é fundamental. A partir dos dados básicos, eu volto anotando novas informações, mudanças ou atualizações: o prazo mudou, o cliente fez algum acréscimo, o cliente pediu desconto e eu recalculei o valor, o cliente recusou até mesmo meu valor mais baixo, o serviço era um abacaxi sem tamanho então eu acrescentei 20% à minha tarifa mais alta e ainda assim o cliente aceitou (eu faço isso, sim, você não? pois comece a fazer e prepare-se para ter grandes surpresas!)... Etcétera.

Isso tudo me permite observar o histórico de cada cliente ao receber um novo pedido. Sabe aquele que sempre chora um descontinho? Pois então, já dê um orçamento prevendo a choradinha. E o outro que sempre pede serviços urgentes em fins de semana? Outro que precisa de valores baixos mas o serviço é fácil e rápido e ele me indica para clientes interessantes... E assim por diante. O histórico dos parceiros também fica registrado.

No fim do mês passado, meu caderno anterior, que registrou serviços fielmente durante quase três anos, não teve nenhuma página arrancada, quase não contém rasuras e ainda vai ser muito valioso como referência, estava chegando ao fim. Então, no começo deste mês, inaugurei um caderno novo. Decidi me valorizar, então comprei um Moleskine de capa dura, vermelho. Ele tem um marcador de página e um elástico para manter o caderno fechado, ficando mais protegido durante minhas viagens.

Sempre é uma sensação deliciosa inaugurar um caderno novo. Ainda mais um Moleskine, com seus poderes inspiradores. Comecei caprichando, escrevendo em letra bonita com caneta preta dessas de desenho técnico. Logo senti que o novo caderno iria me trazer bons fluidos. Em cinco dias registrei quatro pedidos de clientes já consolidados, todos eles grandes, técnicos e importantes, requerendo o envolvimento de outros profissionais. Respirei fundo e calculei uma tarifa mais alta do que as anteriores. Três serviços foram confirmados.

Moral da história: se você gostou desta ideia e pretende começar seu caderno de serviços, definitivamente eu recomendo um Moleskine vermelho.

2 de outubro de 2009

Legendagem: inscrições abertas em São Paulo

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Estão abertas as inscrições para uma nova turma do curso Tradução para Legendagem de Filmes: Teoria, Técnica e Prática.

O curso acontecerá na DOTCorporation, na Avenida Paulista, entre os dias 11 e 30 de março de 2010, às segundas, terças e quintas das 19h às 22h, e aos sábados das 9h às 12h. São 12 aulas com 3 horas de duração, totalizando 36 horas.

A estrutura será a mesma das edições anteriores:

O conteúdo expositivo e as reflexões a partir de leituras serão intercalados com uma prática muito intensa. Praticamente a cada nova aula haverá um novo exercício, incluindo métodos de trabalho nos campos de cinema, DVD e TV, sempre replicando situações reais, clientes e públicos diferentes. Todas as aulas são em laboratório de informática, com um computador por aluno. Cadeira confortável, fone de ouvido, telão, tudo como deve ser.

A principal novidade é que as turmas serão mistas, para tradutores de inglês ou de espanhol, sempre tendo o português como língua-alvo. A parte expositiva será comum e em português. Todas as informações técnicas, demonstrações e exemplos não dependem de línguas específicas. Já os exercícios do curso serão separados: os tradutores de espanhol traduzirão filmes em espanhol, e os de inglês filmes em inglês. A maior parte do acompanhamento é individualizada, na própria sala de aula. Finalmente, as correções comuns serão feitas nos dois pares de línguas. O mais bacana é que a turma de uma língua serve como público-alvo da outra, podendo fazer críticas e dar opiniões. Já testei esse modelo e foi realmente muito interessante e enriquecedor para todos. Sem contar que algumas pessoas que dominem as duas línguas terão o dobro de opções para treinar.

Há diversas opções de pagamento, mas é preciso correr para garantir o desconto especial à vista e a possibilidade de parcelamento em seis vezes.


19 de junho de 2009

Introdução à legendagem: inglês e agora italiano!

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Mais duas turmas de Introdução à Legendagem de Filmes -- à distância, através do sistema Aulavox -- estão com inscrições abertas.

Uma é para tradutores de inglês para português (esta será a quinta turma), ministrada por mim. Será às segundas, do dia 24 de agosto a 28 de setembro, às 20h.

A grande novidade, após a turma de espanhol que tivemos umas semanas atrás, é que, desta vez, a nova turma será para tradutores de italiano para português. Quem dará a aula será a Bianca Bold, às terças, do dia 18 de agosto a 15 de setembro, às 19h.

Exceto as línguas, os dois cursos serão idênticos: 5 aulas online de uma hora de duração cada, com base nos mesmos materiais expositivos, incluindo exercícios individuais feitos e corrigidos entre uma aula e outra. O objetivo é transmitir os fundamentos técnicos e estilísticos da tradução adaptada ao formato de legendas.

Para outros detalhes e inscrições, contate diretamente a Aulavox através dos links acima.

Mais uma parceria Scriba & Aulavox.

4 de junho de 2009

Legendagem: novas turmas confirmadas no Rio!

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Estão abertas inscrições para novas turmas do curso de legendagem no Rio de Janeiro, na PUC-Rio.

Serão duas turmas ao mesmo tempo, em horários e locais diferentes: uma no Centro, na parte da manhã, e outra na Gávea, à noite. Sempre às segundas, quartas e sextas, sendo a primeira aula no dia 9 de novembro e a última em 9 de dezembro.

A estrutura será a mesma do curso que foi dado na PUC-Rio no ano passado e em São Paulo no começo deste ano: são 12 aulas de 3 horas cada, totalizando 36 horas. Sempre em laboratório de informática, com um computador por aluno. Cadeira confortável, fone de ouvido, telão, tudo como deve ser.

O conteúdo expositivo e as reflexões a partir de leituras serão intercalados com uma prática muito intensa. Praticamente a cada nova aula haverá um novo exercício, incluindo métodos de trabalho nos campos de cinema, DVD e TV, sempre replicando situações reais, clientes e públicos diferentes.

A principal novidade é que as turmas serão mistas, para tradutores de inglês e de espanhol, sempre tendo o português como língua-alvo. A parte expositiva será comum e em português. Todas as informações técnicas, demonstrações e exemplos não dependem de línguas específicas. Já os exercícios do curso serão separados: os tradutores de espanhol traduzirão filmes em espanhol, e os de inglês filmes em inglês. A maior parte do acompanhamento é individualizada, na própria sala de aula. Finalmente, as correções comuns serão feitas nos dois pares de línguas. O mais bacana é que a turma de uma língua serve como público-alvo da outra, podendo fazer críticas e dar opiniões. Já testei esse modelo e foi realmente muito interessante e enriquecedor para todos. Sem contar que algumas pessoas que dominem as duas línguas terão o dobro de opções para treinar.

Informações, inscrições e contato administrativo:

4 de maio de 2009

Novas tecnologias em discussão

Há uma interessante discussão ocorrendo recentemente sobre questões tecnológicas -- em particular, o uso conjunto de tradução automática e memória de tradução por tradutores profissionais.

Um pouquinho de contexto:

A tentativa de se fabricar sistemas automáticos de tradução (MT - Machine Translation, ou TA - Tradução Automática) estourou após a Segunda Grande Guerra. Lá pelos anos 70, já estava bastante claro que nenhum computador era capaz de replicar todo o raciocínio humano por trás da decodificação, tradução e recodificação de textos, exceto aqueles de estrutura e vocabulário extremamente limitados.

Nas últimas duas décadas, floresceram as chamadas memórias de tradução (CAT - Computer-Assisted Translation - Tools). São bancos de dados otimizados, geralmente integrados a editores de textos como o MS Word, que arquivam tudo o que uma pessoa traduz - original e tradução - além de oferecer ferramentas para a alimentação de glossários. A ideia é acelerar nosso trabalho com pesquisa e digitação, reaproveitando termos e trechos previamente traduzidos.

Os programas de MT continuaram existindo e há vários gratuitos por aí (Babelfish/Altavista, Systran, e agora o Google Translate, entre outros). O que sempre foi muito óbvio é que eles são fracos, cometendo erros gramaticais e terminológicos grosseiros, servindo apenas para se ter uma vaga ideia do que um site trata, por exemplo. Mas nenhum profissional que se preze sequer olharia para um programinha desses.

Só que a tecnologia foi evoluindo, e quem passou alguns anos ignorando esses programas já deve ter se surpreendido ao se deparar, nem que seja sem querer, com o Google Translate e constatar que ele está bem mais espertinho do que imaginávamos.

Então, no ano passado, no congresso da ATA - Associação de Tradutores dos EUA -, Giovanna Boselli e Cris Silva apresentaram uma pesquisa combinando MT e CAT: memória de tradução para armazenar e reaproveitar trechos e expressões, e o Google Translate para segmentos ainda sem tradução, tudo monitorado e revisado pelo tradutor. Os resultados foram surpreendentes pela velocidade e a qualidade. Os slides da apresentação estão disponíveis, mas pessoalmente acho que não fazem muito sentido sem tudo o que as autoras têm a relatar. Eu não vi essa apresentação, mas acompanhei algumas trocas de e-mails das autoras na lista de discussão da ATA e verei outra apresentação do mesmo tema no congresso da Divisão de Língua Portuguesa, agora em junho. É o item da programação para o qual tenho a maior expectativa.

A Corinne McKay também fala dessa conferência e faz outros testes por conta própria.

Curiosamente, há quase 12 anos eu escrevi uma monografia sobre tradução automática para o curso de especialização. Parte do texto relata a história e a evolução dos sistemas, e outra parte apresenta um teste com um software que existia na época. Essa segunda parte está totalmente obsoleta - o sistema não existe mais e, sinceramente, a pesquisa foi muito fraca, apenas um teste sem grande base científica. Só deixei o texto disponível na internet até hoje porque ele ainda é bastante citado por conta do resumo histórico. O que acho curioso é que a discussão sobre MT esteja voltando em termos não muito diferentes dos que eu usei nesse artigo, após as CAT terem conquistado seu merecido espaço na história - boa parte da qual ocorreu bem depois desse meu trabalho.

Em suma: a MT nasceu como um ideal impossível, foi relegada a sub-produto que não afeta a vida dos tradutores e de repente vem dando a volta por cima como algo que sim, pode ser muito útil, mas que levanta uma série de indagações profissionais e éticas.

Se de um lado há pesquisas e experimentos sérios, há também o mundo das pessoas comuns. O mercado de tradução continua crescendo, há cada vez mais demanda e cada vez mais gente querendo ser tradutor. Gente querendo aprender e se aperfeiçoar, e também gente querendo dinheiro "fácil" (repare nas aspas).

Por conta de tudo isso, as discussões sobre os rumos do mercado estão fervendo em cima da "nova" aplicação de programas gratuitos de MT. Será que muita gente despreparada vai usar esses programas sem critério? Será que representam mesmo uma ameaça aos "grandes" tradutores ou eles nem precisam se preocupar?

Há uma discussão interessante sobre esse assunto na comunidade Tradutores/Intérpretes BR do Orkut. Não foi a primeira, mas está muito rica, pelo menos até as trinta e poucas mensagens que constam até este momento.

Além disso, o Danilo Nogueira tocou no assunto recentemente no blog dele, mencionando no mesmo texto opiniões sobre o mercado de tradução. E, no próximo sábado, dia 9 de maio, na série de palestras gratuitas conhecidas como Reunião na Sala 7, da Aulavox, ele vai abordar justamtente o tema das tecnologias.

Na minha opinião, não dá para tapar o sol com a peneira e deixar de tomar conhecimento e participar desta discussão. Se diversas ferramentas já nos levaram a aumentar a produtividade, a qualidade e a consistência das traduções, a pressão pela alta produtividade só vai aumentar com a nova geração de ferramentas. O diferencial dos tradutores que acreditam que merecem ganhar bem por seu trabalho vai ser dar conta dessa produtividade, além de uma qualidade muito superior à média do mercado, já que produtividade sem muita qualidade é fácil de se conseguir.

Os mais pessimistas andam dizendo que logo seremos revisores das máquinas. Eu não consigo ver esse quadro. De qualquer forma, quero que as máquinas sejam minhas parceiras - não faz sentido ter medo delas nem combatê-las. Vou arregaçar as mangas e mergulhar de novo nesse assunto.

8 de abril de 2009

Aprendizado virtual

Há bastante tempo proliferam-se na internet cursos à distância, podcasts e outras formas de transmissão de conhecimento que, cada vez mais, envolvem áudio e vídeo.

Eu dou alguns cursos à distância através do Aulavox -- inclusive coloquei um widget aí do lado direito, onde eles anunciam as próximas atividades ligadas a tradução -- e pretendo tentar organizar outros tipos de oficinas. Esse tipo de recurso sai mais em conta do que conseguir uma locação física, é eficiente e extremamente prático, pois basta se conectar na hora certa (em caso de eventos ao vivo) para assistir à aula. Até em cursos presenciais passa a ser interessante usar alguns recursos da internet, seja para promover uma discussão virtual ou para aproveitar materiais que estejam online.

Podcasts são gravações em áudio ou vídeo regulares, publicadas em formato semelhante ao de um blog especializado. Geralmente é possível ouvi-los no site ou baixá-los para qualquer aparelho de MP3, para ouvir em qualquer momento. Eu assino vários podcasts que se atualizam automaticamente e vão para o iPod: notícias, receitas, palestras e discussões variadas.

Há um podcast sobre tradução, o Speaking of Translation. As duas autoras são tradutoras americanas que selecionam temas ligados à profissão e os apresentam em forma de bate papo.

Outra moda são os chamados "webinars", seminários virtuais. O ProZ está com vários deles, alguns grátis e outros pagos.

A Portuguese Language Division da ATA também está oferecendo webinars usando recursos do Skype.

Também há webinars ensinando a usar a memória de tradução Wordfast. Uma é mais introdutória e outras são específicas.

Quase tudo isso pode ser aprendido lendo um site ou um livro, ou indo a uma palestra. São apenas formas diferentes, práticas e geralmente muito baratas (ou mesmo grátis) de obter as mesmas informações. Eu não tenho carro, então o iPod está sempre cheio de podcasts para ouvir no metrô, ou caminhando, ou fazendo coisas chatas como aspirar a casa ou lavar louça, quando seria impossível ler um livro.

Alguns colegas estão desenvolvendo a idéia de um podcast brasileiro, com vários colaboradores, sobre tradução. Assim que ele sair do papel, eu aviso.

2 de abril de 2009

Para descontrair: "5000 Words"

Para quem acha que trabalhar no conforto do lar é moleza, uma música muito bem humorada e extremamente realista do nosso dia-a-dia.

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