No fim do ano passado, fiz uma breve entrevista por telefone. Só hoje descobri (obrigada, Bianca!) que saiu uma matéria no caderno "Empregos e Negócios" do jornal O Fluminense sobre o mercado de legendagem, voltada para estudantes.
Apenas um detalhe sobre o trechinho em que a matéria me cita. A jornalista me perguntou se eu achava que era um mercado mal remunerado, e eu respondi "Eu não acho." Depois, na redação final da matéria, ela omitiu a pergunta e fica difícil saber o que é que eu não acho. Pois bem, não acho que seja um mercado ruim, muito pelo contrário.
10 de janeiro de 2011
17 de dezembro de 2010
Motivação versus Procrastinação, e os respectivos resultados
Nos últimos meses, muitas coisas que tenho feito e visto me fizeram refletir sobre produtividade, sobre o que motiva e o que atrapalha a nossa rotina de trabalho, e como tudo isso reflete na nossa imagem e nosso sucesso profissional. Basta ver as últimas entradas aqui no blog. Hoje vou reunir mais algumas reflexões e informações sobre isso.
Recentemente, concluí a tradução de um livrinho sensacional, que teve grande impacto em mim. Rework, escrito pela empresa de desenvolvimento de software 37 Signals. No site do livro é possível ler alguns dos capítulos em PDF.
Adorei fazer essa tradução, com a qual também aprendi muito. O livro vai ser publicado pela Sextante em algum momento em 2011, ainda não sei com que título.
Pequeno, com capítulos minúsculos, escrito em linguagem simples e direta, permeado de ilustrações, ele se destina a empresários ou gente que deseje começar um negócio, ou talvez nem isso. Mas é muito diferente de qualquer outro livro do tipo auto-ajuda empresarial que há por aí. Ele desmistifica muitas noções sobre negócios que vivemos ouvindo e diz umas boas verdades, mas sempre com muito bom senso e uma franqueza quase excessiva. Praticamente todos os assuntos abordados no livro podem ser aplicados a profissionais autônomos também, sobretudo aos tradutores que têm empresa. Eu me vi refletida em muitos capítulos -- ou vi meu passado, minha formação, empregos anteriores, colegas. Mesmo em situações típicas do dia-a-dia em um escritório, que não têm nada a ver comigo, eu vi ali parentes e amigos. Recomendo muito a leitura e posso garantir que ela vai ter impactos positivos sobre a rotina e o aspecto administrativo do trabalho de qualquer tradutor.
Há reflexões valiosas sobre a preparação e o lançamento de novos empreendimentos, divulgação, conceitos de negócios, uso de tecnologia, cooperação à distância, concorrência, e muito sobre produtividade e motivação. Não quero entregar o ouro aqui, mas muita coisa me marcou. Nem tudo é novidade, mas dito de uma forma tão eloquente, com ótimos exemplos reais, o texto acaba reforçando o que a gente no fundo já sabe, além de nos dar alguns merecidos tapas na cara. Por exemplo:
Também recentemente, participei de uma convenção para pequenos empreendedores organizada pela prefeitura aqui de Toronto. Confesso que de início não dei muito crédito -- uma coisa assim pública, de graça... sei lá, né? Mas foi excepcional. Palestras ótimas, começando com um dos diretores da Google no Canadá, e com muitos painéis sobre mídia digital, ferramentas de marketing e negócios, etc. Em um salão cheio de computadores, voluntários ajudavam quem quisesse aprender e abrir contas em Twitter, LinkedIn e outros sites de networking. Ao fim do dia, saí de lá com energia total para melhorar minha produtividade, selecionar melhores clientes, fazer parcerias mais produtivas.
E nem sei dizer por que, mas tenho a impressão de que só essa motivação, essa vontade de ser eficaz, de reforçar as coisas que eu claramente venho fazendo direito e corrigir o que não está legal, já gera resultados positivos, mesmo que a gente não faça nada muito notável. Acho que só o fato de estabelecermos certas prioridades ou termos certos aspectos mais claros na cabeça já se traduz em produtividade -- e eficácia e produtividade se traduzem em elogios, serviços melhores, mais dinheiro, mais tempo para fazer o que a gente gosta, e tudo isso produz mais motivação, é claro.
Falando em motivação, descobri hoje, através de um link no Twitter, esta palestrinha belamente ilustrada sobre os resultados de uma pesquisa a respeito de motivação -- que tipo de recompensa gera bons resultados, nos faz vencer desafios. Estilo TED Talk, curta e direta. De novo, no fundo não diz nada que a gente já não saiba ou intua, mas ver isto me encheu de entusiasmo:
Não é a mais pura verdade? Já presenciei na pele dilemas, debates e vivências sobre escolhas profissionais pouco apaixonantes com uma enorme compensação monetária versus escolhas que dão mais satisfação pessoal e profissional com pouco retorno financeiro, e cada vez mais sou partidária incondicional da segunda opção. Até porque um trabalho que conte com uma boa dose de motivação, que seja prioridade, que faça sentido, inevitavelmente gera retorno financeiro também -- e, como bem mostra o vídeo, a partir de certo ponto um retorno financeiro maior por si só não aumenta a motivação, muito pelo contrário.
Há também uma diferença crucial nas diferentes posturas que eu observo em aspirantes a tradutores -- por exemplo, em alunos dos meus cursos ou nos inúmeros e-mails que recebo de estudantes de tradução pedindo todo tipo de opinião, conselho ou ajuda.
Há gente que, ao primeiro contato, antes mesmo de tentar traduzir alguma coisa, logo demonstra estar afoita por saber quanto vai ganhar por mês. Tem que ser muito. Tem que ser já. Em geral, essas mesmas pessoas querem saber que áreas são fáceis de entrar, têm serviço molezinha e salário alto garantido. Não é raro ouvirmos alguns mitos bem disseminados por aí, como o de que os tradutores juramentados ganham somas abissais de dinheiro por mês traduzindo umas bobagens tipo carteira de motorista, ou que bom mesmo é legendar pornografia, pois só tem gemido e você ganha uma nota por minuto de filme. Sim, claro. Deve ser por isso que tantos dos meus colegas são magnatas da indústria da pornografia, e meus amigos tradutores juramentados moram em iates, e só eu não me dei conta disso ainda. Enfim, o fato é que quase sempre quem tem esse tipo de preocupação como foco central ao planejar a carreira não é quem vai passar meia hora imerso em dicionários tentando chegar à tradução perfeita para uma expressão, nem quem costuma "perder tempo" se dedicando a cursos longos e aprofundados, nem iniciar na profissão disposto a ralar muito por pouco dinheiro no começo. Não é por acaso que não são essas as pessoas que tendem a alcançar o tipo de sucesso profissional que alvejavam.
Outros, os que me chamam a atenção positivamente, querem se aperfeiçoar. Querem estudar mais, ler mais, fazer mais exercícios, querem que você recomende outros cursos. Existe uma paixão por trás do que fazem, além da busca incansável pelo aprimoramento técnico -- que é algo bem mais maçante e menos emocionante do que a "paixão por línguas". Muitas vezes eu mantenho contato com essas pessoas, e é com prazer que vejo o sucesso que alcançam na profissão. Viram ótimos colegas. E o interessante é que muitas vezes se surpreendem, acham que tiveram sorte ou não pensam que fizeram nada demais. Foi exatamente o que aconteceu comigo. Mas agora que eu tenho a perspectiva do docente, a diferença é muito clara. As pessoas assim são minoria, sim, e decolam porque têm a motivação impulsionada pelas prioridades certas, as quais as levam a não medir esforços para se aprimorar. Elas embarcam na profissão tendo como objetivo serem excelentes profissionais durante toda a vida, e não traçando como meta uma poupança recheada de dinheiro e uma aposentadoria precoce. A diferença entre esses valores é gritante.
Para finalizar, chego ao nosso pior inimigo: a procrastinação. Quem não sofre disso que atire a primeira pedra. A gente precisa passar o dia inteiro conectado, fácil de ser encontrado por clientes e colegas, antenado, precisamos responder rapidamente a emails, precisamos estar por dentro de notícias e debates, vamos lá ajudar alguém a solucionar uma dúvida no Facebook e nos deparamos com um álbum de fotos da viagem, aí alguém ri da tradução em um vídeo no YouTube... 1h45 depois, você se pergunta por que é mesmo que está assistindo o terceiro episódio antigo dos Trapalhões. E o serviço está atrasado.
Sem falar daquela segunda-feira de manhã, quando você respira fundo e abre os arquivos da próxima revisão de 35 páginas de um texto sobre química, e subitamente aquele é o momento ideal para organizar a sapateira por cores ou limpar todos os vidros da casa, antes que fiquem muito sujos. (Ou atualizar o blog...)
Às vezes a procrastinação é mais descarada, às vezes fica camuflada de pesquisa ou se confunde com a hora do cafezinho. De qualquer forma, se formos sinceros, todos nós sabemos que enrolamos mais do que deveríamos, que muitas vezes perdemos o controle sobre o tempo de descanso. Aí bate a culpa e trabalhamos até as 3h da manhã, pulamos refeições. E, quando vamos ver, caímos no ciclo vicioso do workaholismo ineficiente, que pode acabar comprometendo a qualidade.
Foi justamente quando eu estava pensando sobre esses assuntos que me deparei com este artigo, sobre as razões evolutivas, neurológicas e comportamentais por trás da procrastinação, e por que ela parece nos sabotar de formas tão eficazes. Ele traz algumas dicas para enganarmos nosso próprio cérebro, ou ao menos não nos deixarmos enganar. Outra leitura que vale muito a pena.
Esse texto cita Dan Ariely, um estudioso do comportamento humano associado à economia que já deu palestras ótimas no TED. Acabo de comprar o livro de autoria dele chamado Predictably Irrational. No site dele há links para podcasts que ele fez sobre os vários capítulos. Ainda não sei bem como relacionar tudo isso ao universo da tradução, mas toda essa discussão tem me atraído imensamente e sinto que ainda vai me trazer algo de útil -- nem que sejam boas reflexões e recomendações de leitura.
Agora, ao trabalho!
Recentemente, concluí a tradução de um livrinho sensacional, que teve grande impacto em mim. Rework, escrito pela empresa de desenvolvimento de software 37 Signals. No site do livro é possível ler alguns dos capítulos em PDF.
Adorei fazer essa tradução, com a qual também aprendi muito. O livro vai ser publicado pela Sextante em algum momento em 2011, ainda não sei com que título.
Pequeno, com capítulos minúsculos, escrito em linguagem simples e direta, permeado de ilustrações, ele se destina a empresários ou gente que deseje começar um negócio, ou talvez nem isso. Mas é muito diferente de qualquer outro livro do tipo auto-ajuda empresarial que há por aí. Ele desmistifica muitas noções sobre negócios que vivemos ouvindo e diz umas boas verdades, mas sempre com muito bom senso e uma franqueza quase excessiva. Praticamente todos os assuntos abordados no livro podem ser aplicados a profissionais autônomos também, sobretudo aos tradutores que têm empresa. Eu me vi refletida em muitos capítulos -- ou vi meu passado, minha formação, empregos anteriores, colegas. Mesmo em situações típicas do dia-a-dia em um escritório, que não têm nada a ver comigo, eu vi ali parentes e amigos. Recomendo muito a leitura e posso garantir que ela vai ter impactos positivos sobre a rotina e o aspecto administrativo do trabalho de qualquer tradutor.
Há reflexões valiosas sobre a preparação e o lançamento de novos empreendimentos, divulgação, conceitos de negócios, uso de tecnologia, cooperação à distância, concorrência, e muito sobre produtividade e motivação. Não quero entregar o ouro aqui, mas muita coisa me marcou. Nem tudo é novidade, mas dito de uma forma tão eloquente, com ótimos exemplos reais, o texto acaba reforçando o que a gente no fundo já sabe, além de nos dar alguns merecidos tapas na cara. Por exemplo:
- Tudo o que se faz, diz, escreve, cada telefonema, cada nota fiscal, cada email -- tudo -- é marketing.
- Ser workahólico, virar noites e fins de semana, dormir pouco e comer mal, e ainda se orgulhar disso, no fim das contas é ser incompetente, desorganizado, atrapalhado. Trabalhar muito nada tem a ver com trabalhar bem.
- Ter ideias brilhantes ou fazer grandes planos não é mérito algum; o que realmente faz a diferença é realizar de fato uma sucessão de pequenas boas ideias, diariamente.
- As ferramentas atuais de interação revalorizaram a escrita -- emails, mensagens de texto, sites, blogs. A comunicação deve ser eficiente, clara, informativa. Escrever bem é fruto da clareza e da organização dos pensamentos; portanto, ao recrutar parceiros, dê preferência a quem escreve bem. (O que entre tradutores é importante ao quadrado!)
- Quer ser imune à concorrência? Faça com que seu produto seja você mesmo, algo que só você é capaz de fazer, o seu jeito de ser, algo inimitável. Não apenas o resultado do seu trabalho, mas toda a experiência de se trabalhar com você. (Outra que se aplica mais ainda aos tradutores, em contraposição a empresários de outras áreas.)
- Para se destacar e ter diferencial, compartilhe e ensine. Quanto mais as pessoas queiram fazer aquilo que você faz, do jeito que você faz, mais você se estabelece como líder.
- Nosso grande inimigo são as interrupções; só rendemos quando conseguimos trabalhar durante um tempo sem nenhum tipo de interrupção, portanto é preciso programar períodos de trabalho assim.
- O que impulsiona a produtividade é a motivação, e esta é fruto de diversos fatores, entre eles um ambiente propício, metas atingíveis e pequenos sucessos diários -- mais sobre esta questão em seguida.
Também recentemente, participei de uma convenção para pequenos empreendedores organizada pela prefeitura aqui de Toronto. Confesso que de início não dei muito crédito -- uma coisa assim pública, de graça... sei lá, né? Mas foi excepcional. Palestras ótimas, começando com um dos diretores da Google no Canadá, e com muitos painéis sobre mídia digital, ferramentas de marketing e negócios, etc. Em um salão cheio de computadores, voluntários ajudavam quem quisesse aprender e abrir contas em Twitter, LinkedIn e outros sites de networking. Ao fim do dia, saí de lá com energia total para melhorar minha produtividade, selecionar melhores clientes, fazer parcerias mais produtivas.
E nem sei dizer por que, mas tenho a impressão de que só essa motivação, essa vontade de ser eficaz, de reforçar as coisas que eu claramente venho fazendo direito e corrigir o que não está legal, já gera resultados positivos, mesmo que a gente não faça nada muito notável. Acho que só o fato de estabelecermos certas prioridades ou termos certos aspectos mais claros na cabeça já se traduz em produtividade -- e eficácia e produtividade se traduzem em elogios, serviços melhores, mais dinheiro, mais tempo para fazer o que a gente gosta, e tudo isso produz mais motivação, é claro.
Falando em motivação, descobri hoje, através de um link no Twitter, esta palestrinha belamente ilustrada sobre os resultados de uma pesquisa a respeito de motivação -- que tipo de recompensa gera bons resultados, nos faz vencer desafios. Estilo TED Talk, curta e direta. De novo, no fundo não diz nada que a gente já não saiba ou intua, mas ver isto me encheu de entusiasmo:
Não é a mais pura verdade? Já presenciei na pele dilemas, debates e vivências sobre escolhas profissionais pouco apaixonantes com uma enorme compensação monetária versus escolhas que dão mais satisfação pessoal e profissional com pouco retorno financeiro, e cada vez mais sou partidária incondicional da segunda opção. Até porque um trabalho que conte com uma boa dose de motivação, que seja prioridade, que faça sentido, inevitavelmente gera retorno financeiro também -- e, como bem mostra o vídeo, a partir de certo ponto um retorno financeiro maior por si só não aumenta a motivação, muito pelo contrário.
Há também uma diferença crucial nas diferentes posturas que eu observo em aspirantes a tradutores -- por exemplo, em alunos dos meus cursos ou nos inúmeros e-mails que recebo de estudantes de tradução pedindo todo tipo de opinião, conselho ou ajuda.
Há gente que, ao primeiro contato, antes mesmo de tentar traduzir alguma coisa, logo demonstra estar afoita por saber quanto vai ganhar por mês. Tem que ser muito. Tem que ser já. Em geral, essas mesmas pessoas querem saber que áreas são fáceis de entrar, têm serviço molezinha e salário alto garantido. Não é raro ouvirmos alguns mitos bem disseminados por aí, como o de que os tradutores juramentados ganham somas abissais de dinheiro por mês traduzindo umas bobagens tipo carteira de motorista, ou que bom mesmo é legendar pornografia, pois só tem gemido e você ganha uma nota por minuto de filme. Sim, claro. Deve ser por isso que tantos dos meus colegas são magnatas da indústria da pornografia, e meus amigos tradutores juramentados moram em iates, e só eu não me dei conta disso ainda. Enfim, o fato é que quase sempre quem tem esse tipo de preocupação como foco central ao planejar a carreira não é quem vai passar meia hora imerso em dicionários tentando chegar à tradução perfeita para uma expressão, nem quem costuma "perder tempo" se dedicando a cursos longos e aprofundados, nem iniciar na profissão disposto a ralar muito por pouco dinheiro no começo. Não é por acaso que não são essas as pessoas que tendem a alcançar o tipo de sucesso profissional que alvejavam.
Outros, os que me chamam a atenção positivamente, querem se aperfeiçoar. Querem estudar mais, ler mais, fazer mais exercícios, querem que você recomende outros cursos. Existe uma paixão por trás do que fazem, além da busca incansável pelo aprimoramento técnico -- que é algo bem mais maçante e menos emocionante do que a "paixão por línguas". Muitas vezes eu mantenho contato com essas pessoas, e é com prazer que vejo o sucesso que alcançam na profissão. Viram ótimos colegas. E o interessante é que muitas vezes se surpreendem, acham que tiveram sorte ou não pensam que fizeram nada demais. Foi exatamente o que aconteceu comigo. Mas agora que eu tenho a perspectiva do docente, a diferença é muito clara. As pessoas assim são minoria, sim, e decolam porque têm a motivação impulsionada pelas prioridades certas, as quais as levam a não medir esforços para se aprimorar. Elas embarcam na profissão tendo como objetivo serem excelentes profissionais durante toda a vida, e não traçando como meta uma poupança recheada de dinheiro e uma aposentadoria precoce. A diferença entre esses valores é gritante.
Para finalizar, chego ao nosso pior inimigo: a procrastinação. Quem não sofre disso que atire a primeira pedra. A gente precisa passar o dia inteiro conectado, fácil de ser encontrado por clientes e colegas, antenado, precisamos responder rapidamente a emails, precisamos estar por dentro de notícias e debates, vamos lá ajudar alguém a solucionar uma dúvida no Facebook e nos deparamos com um álbum de fotos da viagem, aí alguém ri da tradução em um vídeo no YouTube... 1h45 depois, você se pergunta por que é mesmo que está assistindo o terceiro episódio antigo dos Trapalhões. E o serviço está atrasado.
Sem falar daquela segunda-feira de manhã, quando você respira fundo e abre os arquivos da próxima revisão de 35 páginas de um texto sobre química, e subitamente aquele é o momento ideal para organizar a sapateira por cores ou limpar todos os vidros da casa, antes que fiquem muito sujos. (Ou atualizar o blog...)
Às vezes a procrastinação é mais descarada, às vezes fica camuflada de pesquisa ou se confunde com a hora do cafezinho. De qualquer forma, se formos sinceros, todos nós sabemos que enrolamos mais do que deveríamos, que muitas vezes perdemos o controle sobre o tempo de descanso. Aí bate a culpa e trabalhamos até as 3h da manhã, pulamos refeições. E, quando vamos ver, caímos no ciclo vicioso do workaholismo ineficiente, que pode acabar comprometendo a qualidade.
Foi justamente quando eu estava pensando sobre esses assuntos que me deparei com este artigo, sobre as razões evolutivas, neurológicas e comportamentais por trás da procrastinação, e por que ela parece nos sabotar de formas tão eficazes. Ele traz algumas dicas para enganarmos nosso próprio cérebro, ou ao menos não nos deixarmos enganar. Outra leitura que vale muito a pena.
Esse texto cita Dan Ariely, um estudioso do comportamento humano associado à economia que já deu palestras ótimas no TED. Acabo de comprar o livro de autoria dele chamado Predictably Irrational. No site dele há links para podcasts que ele fez sobre os vários capítulos. Ainda não sei bem como relacionar tudo isso ao universo da tradução, mas toda essa discussão tem me atraído imensamente e sinto que ainda vai me trazer algo de útil -- nem que sejam boas reflexões e recomendações de leitura.
Agora, ao trabalho!
20 de novembro de 2010
Blogs educacionais e a "nuvem"
Fui dar uma olhada nas estatísticas de acesso deste blog, o que eu faço muito ocasionalmente, e levei um susto porque dos dias 14 a 18 de novembro houve um salto absurdo na quantidade de acessos, dez vezes mais do que a média.
Descobri que a origem foi esta "convocação" do blog English Experts aos blogs educacionais. Meu blog está na lista dos convocados, mas ninguém me informou disso e poderia muito bem nem ter ficado sabendo.
("Está vendo", diria meu Grilo Falante, "como foi importante, após tantas semanas trabalhando sete dias por semana, tirar um dia para descansar e navegar um pouco? Trabalhando sem parar você mal vê o mundo lá fora!")
Mas voltando: a excelente convocação do Alessandro veio a calhar, pois esta semana mesmo eu estive discutindo com colegas - tradutores e professores - sobre a importância do networking virtual para os profissionais autônomos. Mas, se é importante para todo mundo, para os estudantes e iniciantes é realmente imprescindível.
Quando eu terminei a faculdade, há uns (aham...) 14 anos, usei de todos os recursos disponíveis na época para fazer e manter contato com colegas e profissionais. Criei meu primeiro site em 1997, escrevendo direto em HTML no Notepad. As primeiras redes de contato de tradutores profissionais aconteciam por e-mail, com a Trad-Prt (criada em 1998) e depois outras listas de discussão. O ProZ é de 1999 e foi um grande avanço pela proposta e pela tecnologia utilizada para promover o intercâmbio entre profissionais e clientes.
Eu comecei a trabalhar ainda na faculdade, por indicação de professores, às vezes para outros departamentos da universidade. Uma coisa foi puxando outra, eu sempre corri atrás de contatos e já nem sei como acabei traduzindo um livro muito bacana para uma editora de peso quando estava formada ainda há poucos meses. Sempre adorei tudo o que pudesse ser feito em computador e já na faculdade não desgrudava do Palm, que tenho até hoje (confesso que mais por razões afetivas do que qualquer motivo mais prático...)
Em 2001 abri minha empresa, comprei o domínio e sempre mantive o site. Comecei a blogar pouco depois (um blog pessoal já extinto) e iniciei este aqui em 2006. A essa altura já havia vários outros blogs, Orkut, uma multidão de opções. Aliás, a melhor comunidade de tradutores do Orkut continua firme e forte, reunindo vários dos melhores profissionais de tradução e interpretação e integrando e ajudando iniciantes.
Hoje em dia é preciso muita disciplina para não se perder em meio a tanto Twitter, Facebook, Orkut, LinkedIn, etc. E blogs. Blogs e mais blogs. E gente, como tem blog bom! Bonitos, bem produzidos, bem escritos, informativos. E pensar que começou meio na linha de "querido diário". Aliás, o Twitter também, mas hoje quem não sabe aproveitar as coisas incríveis que as mensagens em 140 caracteres podem fazer por você está perdendo - muito mais do que imagina.
São informações que não acabam mais, criadas constantemente. Entrada de blog é bem mais duradoura do que tuíte, mas os blogs também nascem e morrem, se reciclam, mudam de lugar. É difícil acompanhar tudo.
O universo da internet é absolutamente imenso. É como esses filmes sobre o Big Bang que a gente vê em planetário: ele expande, expande, expande... galáxias geram mais galáxias e mais galáxias. Virou uma nuvem, mesmo. Uma nuvem cósmica, com planetas, satélites e meteoros.
Há alguns anos que eu praticamente moro nessa nuvem. Resido a uns 8.000 km de distância de onde tenho minha empresa. A comunicação por voz é via Skype em todas as suas variações - muitos clientes ligam para meu número no Rio e nem imaginam onde é que eu estou. Os orçamentos são por e-mail, os serviços são em diversos formatos de arquivos. Bendito FTP sem limite de tamanho para trabalhar com filmes, tranferindo conteúdos inteiros de DVDs para legendar. Dou muitos cursos online também, para gente espalhada pelo mundo todo. Conheci a Bianca Bold, minha sócia, pelo Orkut, e por total coincidência hoje moramos na mesma cidade. Meu irmão Diego Alfaro, outro sócio, há vários anos mora na Europa e também presta serviços principalmente para clientes no Brasil. As notas fiscais são eletrônicas, os depósitos são feitos quase sempre pela internet, eu passo no banco todo dia usando "online banking" (felizmente o dinheiro que sai do caixa automático ainda é de carne e osso!)
E eu nunca tive tantos, tantos colegas. A internet tem esse poder de eliminar um monte de barreiras sociais. Você se comunica tanto com seus ídolos quanto com seus alunos, e na verdade esse tipo de rótulo importa cada vez menos.
Muitos clientes e amigos eu nunca vi. Outros eu vi, mas pouco comparado com o quanto nos comunicamos pela internet. Outros eu conheci primeiro pela internet e só depois em pessoa. Qual é a diferença entre virtual e real, mesmo? Eu confesso que já não sei bem.
Hoje em dia, independentemente da nossa procedência, de quantos amigos temos e de onde estudamos, uma coisa é certa: a maior parte dos conhecimentos que obtemos e da comunicação que mantemos é online. Pense em quanto do que você sabe hoje foi aprendido lendo diretamente de uma publicação em papel ou ouvindo da boca de uma pessoa, e quanto foi aprendido navegando? Eu adoro a experiência da sala de aula presencial, adoro a universidade, que considero importantíssima, mas em termos numéricos um professor diz algo para 25 pessoas durante duas horas e, nesse tempo, dezenas de milhares de pessoas leram informações como essas, e muitas outras, em artigos de blogs.
A educação é algo contínuo, e na internet é possível se educar muitas vezes mais do que em qualquer ambiente offline. Além disso, a "nuvem" novamente funde uma série de conceitos: você aprende enquanto se comunica, interage, faz contato. Contato gera feedback, gera parceria, gera amizade, gera trabalho. Uma série de degraus como o de primeiro aprender, depois fazer testes e estágios, depois ser profissional, vira uma rampa contínua.
E, no universo da tradução, há ainda aquela maravilhosa e fértil promiscuidade de contatos, em que seu aluno vira seu cliente, seu cliente vira seu sócio, seu sócio vira seu professor, às vezes tudo ao mesmo tempo. No ano passado, por exemplo, eu passei várias semanas me comunicando com a mesma pessoa, que ora era a editora para a qual eu estava traduzindo um livro, ora era minha aluna de teorias de tradução em um curso online. Mas tudo bem separadinho, nossas "identidades" não se confundiam em momento algum. O mesmo ocorre quando um ex-aluno vira amigo do tipo que troca receitas de cozinha, mas aí você passa um serviço para ele e o tratamento passa a ser profissional.
Quem está procurando entrar hoje no mercado de tradução, seja saindo de uma faculdade ou curso, ou vindo de outra profissão, deve o mais depressa possível se integrar a essa vida na "nuvem". As relações de trabalho antes eram mais verticais: a gente batia na porta (real ou metafórica) do cliente, ou ele nos procurava com uma proposta. E também aluno era aluno, professor era professor. Tudo muito hierárquico. Mas na nuvem, essa nuvem cósmica com mil conexões, como as sinapses do cérebro, tudo corre em mil direções. Um comentário no Facebook, um tuíte, uma visita a um blog, pode render um emprego. E amanhã mesmo, quem hoje estava procurando trabalho encaminha o pedido de um colega que precisa de ajuda e pronto, se torna o responsável por dar uma oportunidade de trabalho a outra pessoa. E tudo isso acontece muito, muito rápido. Progressos que levavam semanas e meses para acontecer hoje levam horas, minutos.
Essa integração beneficia a todos: quem comenta, quem repassa, quem dialoga é visto, ao mesmo tempo que dá visibilidade a seus interlocutores. Um blog ensina muita coisa, mas para continuar vivendo precisa receber opiniões, sugestões, precisa ser lido. E também é fundamental vincular blog com site, com Twitter, com Facebook, com e-mail, etc. Para existir na nuvem é preciso ser visto. Para ser visto, é preciso que seu site seja encontrado. E como ele é encontrado? Através de recomendações.
Aprendeu alguma coisa em um blog? Diga isso lá no Facebook.
Leu um comentário bacana? Comente também.
Recebeu uma dica legal? Retuíte.
Acredite, você mesmo tem muito mais a ganhar com isso do que imagina. Pois, ao dizer que os outros existem, automaticamente você existe também. Ao dizer "Eu vi", você é visto. E as oportunidades podem pintar de qualquer lugar.
Por isso achei tão legal essa campanha lançada pelo English Experts. Aumentando e intensificando as conexões entre blogs educacionais, as sinapses da nuvem se fortalecem e todos têm a ganhar com esse intercâmbio.
O próprio English Experts listou muitos blogs educacionais interessantes na convocação. Reforço aqui alguns e indico outros:
Descobri que a origem foi esta "convocação" do blog English Experts aos blogs educacionais. Meu blog está na lista dos convocados, mas ninguém me informou disso e poderia muito bem nem ter ficado sabendo.
("Está vendo", diria meu Grilo Falante, "como foi importante, após tantas semanas trabalhando sete dias por semana, tirar um dia para descansar e navegar um pouco? Trabalhando sem parar você mal vê o mundo lá fora!")
Mas voltando: a excelente convocação do Alessandro veio a calhar, pois esta semana mesmo eu estive discutindo com colegas - tradutores e professores - sobre a importância do networking virtual para os profissionais autônomos. Mas, se é importante para todo mundo, para os estudantes e iniciantes é realmente imprescindível.
Quando eu terminei a faculdade, há uns (aham...) 14 anos, usei de todos os recursos disponíveis na época para fazer e manter contato com colegas e profissionais. Criei meu primeiro site em 1997, escrevendo direto em HTML no Notepad. As primeiras redes de contato de tradutores profissionais aconteciam por e-mail, com a Trad-Prt (criada em 1998) e depois outras listas de discussão. O ProZ é de 1999 e foi um grande avanço pela proposta e pela tecnologia utilizada para promover o intercâmbio entre profissionais e clientes.
Eu comecei a trabalhar ainda na faculdade, por indicação de professores, às vezes para outros departamentos da universidade. Uma coisa foi puxando outra, eu sempre corri atrás de contatos e já nem sei como acabei traduzindo um livro muito bacana para uma editora de peso quando estava formada ainda há poucos meses. Sempre adorei tudo o que pudesse ser feito em computador e já na faculdade não desgrudava do Palm, que tenho até hoje (confesso que mais por razões afetivas do que qualquer motivo mais prático...)
Em 2001 abri minha empresa, comprei o domínio e sempre mantive o site. Comecei a blogar pouco depois (um blog pessoal já extinto) e iniciei este aqui em 2006. A essa altura já havia vários outros blogs, Orkut, uma multidão de opções. Aliás, a melhor comunidade de tradutores do Orkut continua firme e forte, reunindo vários dos melhores profissionais de tradução e interpretação e integrando e ajudando iniciantes.
Hoje em dia é preciso muita disciplina para não se perder em meio a tanto Twitter, Facebook, Orkut, LinkedIn, etc. E blogs. Blogs e mais blogs. E gente, como tem blog bom! Bonitos, bem produzidos, bem escritos, informativos. E pensar que começou meio na linha de "querido diário". Aliás, o Twitter também, mas hoje quem não sabe aproveitar as coisas incríveis que as mensagens em 140 caracteres podem fazer por você está perdendo - muito mais do que imagina.
São informações que não acabam mais, criadas constantemente. Entrada de blog é bem mais duradoura do que tuíte, mas os blogs também nascem e morrem, se reciclam, mudam de lugar. É difícil acompanhar tudo.
O universo da internet é absolutamente imenso. É como esses filmes sobre o Big Bang que a gente vê em planetário: ele expande, expande, expande... galáxias geram mais galáxias e mais galáxias. Virou uma nuvem, mesmo. Uma nuvem cósmica, com planetas, satélites e meteoros.
Há alguns anos que eu praticamente moro nessa nuvem. Resido a uns 8.000 km de distância de onde tenho minha empresa. A comunicação por voz é via Skype em todas as suas variações - muitos clientes ligam para meu número no Rio e nem imaginam onde é que eu estou. Os orçamentos são por e-mail, os serviços são em diversos formatos de arquivos. Bendito FTP sem limite de tamanho para trabalhar com filmes, tranferindo conteúdos inteiros de DVDs para legendar. Dou muitos cursos online também, para gente espalhada pelo mundo todo. Conheci a Bianca Bold, minha sócia, pelo Orkut, e por total coincidência hoje moramos na mesma cidade. Meu irmão Diego Alfaro, outro sócio, há vários anos mora na Europa e também presta serviços principalmente para clientes no Brasil. As notas fiscais são eletrônicas, os depósitos são feitos quase sempre pela internet, eu passo no banco todo dia usando "online banking" (felizmente o dinheiro que sai do caixa automático ainda é de carne e osso!)
E eu nunca tive tantos, tantos colegas. A internet tem esse poder de eliminar um monte de barreiras sociais. Você se comunica tanto com seus ídolos quanto com seus alunos, e na verdade esse tipo de rótulo importa cada vez menos.
Muitos clientes e amigos eu nunca vi. Outros eu vi, mas pouco comparado com o quanto nos comunicamos pela internet. Outros eu conheci primeiro pela internet e só depois em pessoa. Qual é a diferença entre virtual e real, mesmo? Eu confesso que já não sei bem.
Hoje em dia, independentemente da nossa procedência, de quantos amigos temos e de onde estudamos, uma coisa é certa: a maior parte dos conhecimentos que obtemos e da comunicação que mantemos é online. Pense em quanto do que você sabe hoje foi aprendido lendo diretamente de uma publicação em papel ou ouvindo da boca de uma pessoa, e quanto foi aprendido navegando? Eu adoro a experiência da sala de aula presencial, adoro a universidade, que considero importantíssima, mas em termos numéricos um professor diz algo para 25 pessoas durante duas horas e, nesse tempo, dezenas de milhares de pessoas leram informações como essas, e muitas outras, em artigos de blogs.
A educação é algo contínuo, e na internet é possível se educar muitas vezes mais do que em qualquer ambiente offline. Além disso, a "nuvem" novamente funde uma série de conceitos: você aprende enquanto se comunica, interage, faz contato. Contato gera feedback, gera parceria, gera amizade, gera trabalho. Uma série de degraus como o de primeiro aprender, depois fazer testes e estágios, depois ser profissional, vira uma rampa contínua.
E, no universo da tradução, há ainda aquela maravilhosa e fértil promiscuidade de contatos, em que seu aluno vira seu cliente, seu cliente vira seu sócio, seu sócio vira seu professor, às vezes tudo ao mesmo tempo. No ano passado, por exemplo, eu passei várias semanas me comunicando com a mesma pessoa, que ora era a editora para a qual eu estava traduzindo um livro, ora era minha aluna de teorias de tradução em um curso online. Mas tudo bem separadinho, nossas "identidades" não se confundiam em momento algum. O mesmo ocorre quando um ex-aluno vira amigo do tipo que troca receitas de cozinha, mas aí você passa um serviço para ele e o tratamento passa a ser profissional.
Quem está procurando entrar hoje no mercado de tradução, seja saindo de uma faculdade ou curso, ou vindo de outra profissão, deve o mais depressa possível se integrar a essa vida na "nuvem". As relações de trabalho antes eram mais verticais: a gente batia na porta (real ou metafórica) do cliente, ou ele nos procurava com uma proposta. E também aluno era aluno, professor era professor. Tudo muito hierárquico. Mas na nuvem, essa nuvem cósmica com mil conexões, como as sinapses do cérebro, tudo corre em mil direções. Um comentário no Facebook, um tuíte, uma visita a um blog, pode render um emprego. E amanhã mesmo, quem hoje estava procurando trabalho encaminha o pedido de um colega que precisa de ajuda e pronto, se torna o responsável por dar uma oportunidade de trabalho a outra pessoa. E tudo isso acontece muito, muito rápido. Progressos que levavam semanas e meses para acontecer hoje levam horas, minutos.
Essa integração beneficia a todos: quem comenta, quem repassa, quem dialoga é visto, ao mesmo tempo que dá visibilidade a seus interlocutores. Um blog ensina muita coisa, mas para continuar vivendo precisa receber opiniões, sugestões, precisa ser lido. E também é fundamental vincular blog com site, com Twitter, com Facebook, com e-mail, etc. Para existir na nuvem é preciso ser visto. Para ser visto, é preciso que seu site seja encontrado. E como ele é encontrado? Através de recomendações.
Aprendeu alguma coisa em um blog? Diga isso lá no Facebook.
Leu um comentário bacana? Comente também.
Recebeu uma dica legal? Retuíte.
Acredite, você mesmo tem muito mais a ganhar com isso do que imagina. Pois, ao dizer que os outros existem, automaticamente você existe também. Ao dizer "Eu vi", você é visto. E as oportunidades podem pintar de qualquer lugar.
Por isso achei tão legal essa campanha lançada pelo English Experts. Aumentando e intensificando as conexões entre blogs educacionais, as sinapses da nuvem se fortalecem e todos têm a ganhar com esse intercâmbio.
O próprio English Experts listou muitos blogs educacionais interessantes na convocação. Reforço aqui alguns e indico outros:
- O Tecla Sap é espetacular, uma grande referência. O Ulisses Wehby de Carvalho é muito fera.
- O Tradutor Profissional, do Danilo Nogueira (com a Kelli Semolini), também virou referência para os tradutores, sobretudo os iniciantes.
- Fidus Interpres, excelente blog do Fabio Said.
- Petê Rissatti fala sobre literatura e tradução, e conversa com tradutores.
- O Tradução Via Val trata de tecnologia.
- O TradCast é o primeiro podcast brasileiro sobre tradução, e é ótimo!
- PriBi, sobre tradução e tecnologia, de Pricila e Fabiano Franz.
- Adir Ferreira, sobre idiomas.
- De Scripta, língua e tradução em espanhol, do Pablo Cardellino Soto.
- El Heraldo de la Traducción, também em espanhol, mas de outro tradutor residente no Brasil, o Víctor Gonzalez.
- Ao Principiante de tradução, pela Lorena Leandro.
- i4B, sobre internet e tecnologias da informação, do meu fabuloso consultor para assuntos cibernéticos Roney Belhassof
18 de outubro de 2010
Matéria sobre legendagem de séries
Saiu ontem na Folha de S. Paulo uma matéria sobre as produtoras de vídeos que traduzem séries americanas para a TV a cabo.
Os prazos e os procedimentos para a tradução e a exibição dos programas estão cada vez mais ágeis, e a matéria relata alguns dos métodos usados pelas produtoras.
Leitura atual, informativa e importante para estudantes e tradutores interessados na área de legendagem:
Agradeço à Leonor Cione pelo envio da matéria.
Os prazos e os procedimentos para a tradução e a exibição dos programas estão cada vez mais ágeis, e a matéria relata alguns dos métodos usados pelas produtoras.
Leitura atual, informativa e importante para estudantes e tradutores interessados na área de legendagem:
Folha.com - Ilustrada - 17/10/2010
Chegada mais rápida de séries americanas acelera mercado de tradução
Lúcia Valentim Rodrigues
Agradeço à Leonor Cione pelo envio da matéria.
30 de setembro de 2010
Dia do Tradutor e recomendação de livro
No dia 30 de setembro, comemoramos o Dia do Tradutor -- data do nosso patrono, assim como dos secretários, São Jerônimo. Ele traduziu a Bíblia para o latim, na versão que ficou conhecida como vulgata. Quer saber mais?
Muitos estão comemorando a ocasião com palestras e outros eventos, e o Fabio Said está oferecendo um desconto no livro Fidus interpres: a prática da tradução profissional, muito interessante sobretudo para estudantes e profissionais iniciantes. Aproveite!
Muitos estão comemorando a ocasião com palestras e outros eventos, e o Fabio Said está oferecendo um desconto no livro Fidus interpres: a prática da tradução profissional, muito interessante sobretudo para estudantes e profissionais iniciantes. Aproveite!
Drei Marc contrata assistente de controle de qualidade
Divulgo esta notícia aqui a pedido da produtora de vídeos Drei Marc, localizada no Rio de Janeiro:
A Drei Marc está procurando uma pessoa para o cargo de "Assistente de Controle de Qualidade", com bons conhecimentos em inglês e português e que saiba usar o software Subtitle Workshop. O trabalho será realizado dentro da própria produtora, 6 horas por dia, 6 dias por semana. Qualquer indicação, favor enviar currículo para mleite@dreimarc.com.br e fernandalanhas@dreimarc.com.br.
16 de setembro de 2010
Introdução à legendagem online (inglês-português): inscrições abertas para outubro
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Atualização: este tópico se refere a atividades já encerradas. Veja as postagens mais recentes para ficar a par de novos cursos e eventos.
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Estão abertas as inscrições para mais uma edição de Introdução à Legendagem de Filmes -- à distância, através do sistema Aulavox.
O público-alvo são tradutores de inglês para português. O curso é idêntico às edições anteriores: são 5 palestras semanais por audioconferência, com uma hora de duração, seguidas de exercícios feitos e corrigidos individualmente. O objetivo é transmitir os fundamentos técnicos e estilísticos da tradução adaptada ao formato de legendas.
As aulas serão às quartas-feiras, de 20 de outubro a 17 de novembro, às 19h (horário de Brasília). As aulas são ministradas por mim, Carolina Alfaro.
Este curso introdutório não inclui o uso de software específico para legendagem, mas ainda assim é preciso ter bom traquejo com informática.
Para outros detalhes e inscrições, clique aqui e contate diretamente a Aulavox.
E não deixe de voltar aqui em breve, pois estamos planejando novos cursos online, incluindo oficinas dos programas de legendagem Subtitle Workshop e Horse!
Mais uma parceria Scriba & Aulavox.
4 de julho de 2010
Controle de produtividade
Experiências recentes me levaram a assumir meu mau desempenho, em termos de produtividade, quando encaro projetos longos como a tradução de um livro. Percebi que gosto de novidades, mergulho de cabeça em todo projeto novo, e, como a imensa maioria do que faço dura no máximo 3 ou 4 dias, minha produtividade é muito alta. Mas em qualquer projeto que se estenda mais do que 2 ou 3 semanas, eu começo a me entediar ou me interessar por outras atividades.
Traduzi alguns livros recentemente e, invariavelmente, minha produtividade é um U: altíssima nos primeiros 3 ou 4 dias, quando tenho a impressão de que vou terminar muito antes do prazo. Então relaxo, começo a aceitar outros serviços menores ou dou um curso, e vou tocando a tradução com produtividade baixa até finalmente perceber que, com o prazo restante, vai ser quase impossível terminar tudo. Por sorte eu tenho pânico de atrasar a entrega de um serviço, então esse "quase" sempre me salva. Então, em questão de duas semanas, produzo tudo o que não produzi em dois meses. Final feliz, mas termino exaurida. Após umas 4 ou 5 experiências recentes assim, passei um ano cumprindo minha promessa para mim mesma de que não encararia mais projetos longos.
Só que aí um bom cliente me ofereceu um livro interessante e eu negociei um aumento no valor da lauda. Fiquei tentada, mas sabia o que me aconteceria. Então criei ESTA PLANILHA. Já tinha visto outras planilhas de controle de produtividade, mas as achei complicadas. Eu precisava de algo simples, para atualizar todo dia e não perder ainda mais tempo lidando com ela.
A usei desde o primeiro dia da tradução do meu último livro. Fiz outras traduções ao mesmo tempo e fui dar um curso presencial em São Paulo, mas mesmo assim cumpri o prazo sem pânico no final. Gostei e pretendo usá-la em outros projetos grandes. Os princípios são os seguintes:
A planilha me ajudou bastante e espero que ajude a outros. Fique à vontade para modificá-la para que ela atenda às suas prioridades ou às particularidades do seu projeto.
Caso tenha perdido o link que eu pus lá no meio do texto, baixe a planilha de controle de produtividade aqui.
Traduzi alguns livros recentemente e, invariavelmente, minha produtividade é um U: altíssima nos primeiros 3 ou 4 dias, quando tenho a impressão de que vou terminar muito antes do prazo. Então relaxo, começo a aceitar outros serviços menores ou dou um curso, e vou tocando a tradução com produtividade baixa até finalmente perceber que, com o prazo restante, vai ser quase impossível terminar tudo. Por sorte eu tenho pânico de atrasar a entrega de um serviço, então esse "quase" sempre me salva. Então, em questão de duas semanas, produzo tudo o que não produzi em dois meses. Final feliz, mas termino exaurida. Após umas 4 ou 5 experiências recentes assim, passei um ano cumprindo minha promessa para mim mesma de que não encararia mais projetos longos.
Só que aí um bom cliente me ofereceu um livro interessante e eu negociei um aumento no valor da lauda. Fiquei tentada, mas sabia o que me aconteceria. Então criei ESTA PLANILHA. Já tinha visto outras planilhas de controle de produtividade, mas as achei complicadas. Eu precisava de algo simples, para atualizar todo dia e não perder ainda mais tempo lidando com ela.
A usei desde o primeiro dia da tradução do meu último livro. Fiz outras traduções ao mesmo tempo e fui dar um curso presencial em São Paulo, mas mesmo assim cumpri o prazo sem pânico no final. Gostei e pretendo usá-la em outros projetos grandes. Os princípios são os seguintes:
- Configure a planilha antes de iniciar o trabalho: calcule o total de palavras ou laudas a serem traduzidas (coluna A); calcule os dias úteis de prazo (coluna B); insira o valor unitário da lauda ou palavra (coluna G, na função da equação). O restante a planilha calcula sozinha. (Há valores aleatórios já inseridos, senão as equações dão erro. Insira os valores do seu projeto.)
- A partir do primeiro dia útil do prazo, abra a planilha todos os dias. Pode até ser no começo do dia, mesmo que você não vá fazer aquela tradução naquele momento. Só ver a planilha aberta já cria uma certa obrigação.
- Todos os dias úteis, você deve aumentar um dia na contagem de dias passados (coluna E), mesmo que não traduza nada. Sugiro registrar o dia passado ao fim do dia, antes de fechar a planilha.
- Caso tenha trabalhado no projeto, registre o número de palavras ou laudas traduzidas naquele dia. A planilha automaticamente atualizará a média de palavras ou laudas por dia útil que você cumpriu até então, quanto dinheiro você ganhou, quantas palavras restam, quantos dias úteis restam, e a média diária que você precisa cumprir para terminar o trabalho dentro do prazo.
- Então, basta ir monitorando a média diária a cumprir (coluna J): nunca deixe que ela fique alta demais. Enquanto ela estiver batendo com a média cumprida, está bom. Não se esqueça de que esse valor é uma média a ser cumprida todos os dias, e não um valor absoluto. Além disso, por se tratar de uma média, o impacto é maior quando restam poucos dias. Se, por exemplo, você tem 100 dias de prazo, não produzir nada durante dois dias não vai alterar significativamente a média a cumprir. Mas, quando faltam 7 dias, cada dia não cumprido implica uma sobrecarga alta na média dos dias restantes.
- Lembre-se de que é preciso tempo para revisar o trabalho. Eu gosto de revisar aos poucos, não tudo de uma vez ao final. Você pode optar por revisar nos fins de semana ou só ao fim do projeto. Neste caso, sugiro que calcule um número menor de dias úteis para a tradução, deixando um certo número de dias só para revisão.
- Caso seja necessário, os fins de semana podem ser usados para aumentar a média sem aumentar um dia útil.
A planilha me ajudou bastante e espero que ajude a outros. Fique à vontade para modificá-la para que ela atenda às suas prioridades ou às particularidades do seu projeto.
Caso tenha perdido o link que eu pus lá no meio do texto, baixe a planilha de controle de produtividade aqui.
8 de abril de 2010
Davi contra Golias
Estou traduzindo um livro e, como tantas vezes acontece, aparece uma citação bíblica. Coisa simples, história conhecida e, para facilitar, com livro, capítulo e versículo devidamente citados no original:
Em tradução literal: "Davi derrotou Golias com uma funda e uma pedra. Ele o matou sem nem sequer usar uma espada."
O trecho do livro era justamente sobre a invenção da funda e sua importância histórica, e a citação cai como uma luva para reforçar o argumento do autor.
Sem pensar duas vezes, entro no Bible Gateway e procuro essa mesma passagem em versão portuguesa (lusitana). Leio o texto, que aparece com os versículos 50 e 51 juntos:
Opa! Qual foi a causa da morte de Golias, afinal? Uma simples pedra ou a própria espada? No versículo anterior dessa versão portuguesa, relata-se que a pedra se cravou na testa de Golias, que caiu com o rosto na terra -- mas isso, seguido do verbo "vencer", é muito diferente de "matar sem nem sequer usar uma espada".
Comentei a discrepância com meu marido, que é muito mais versado em Bíblia do que eu. Ele me afirmou categoricamente que Davi matou Golias com a espada, após derrubá-lo com a pedra. Elocubrando, pensamos que o Rei Jaime I, que encomendou a tradução mais famosa da Bíblia em língua inglesa, provavelmente não gostaria nem um pouco de homenzinhos derrubando e decepando gigantes, o que poderia dar certas ideias anarquistas à plebe.
Peguei então a Bíblia do meu marido, traduzida por João Ferreira de Almeida, revista e atualizada pela Sociedade Bíblica do Brasil. Lá diz assim:
Bingo! Funda sim, espada não, e meu marido confundiu a história toda, pensei eu, até ler o versículo seguinte:
Como assim? Golias morreu duas vezes?
Preocupada com a qualidade dessa tradução, voltei ao Bible Gateway para ler o trecho da King James Bible:
Que é basicamente o mesmo: Davi mata Golias ("and slew him") com a pedra e depois o mata novamente ("and slew him", repetido igualzinho!) cortando-lhe a cabeça. Pelo visto, Golias era forte mesmo!
Fiz minha tradução citando apenas o versículo 50, terminando com a informação de que Golias estava morto e não havia espada na mão de Davi, o que dá conta de ilustrar a importância da funda. O que acontece depois ficou escondido embaixo do tapete, como fez o autor do livro que estou traduzindo.
Mas mesmo assim fiquei grilada: como será mesmo que Golias morreu? De pedra, de espada ou dos dois? Será que alguma tradução cometeu esse erro, que foi sendo replicado sem que ninguém percebesse?
ADENDO: Depois de publicar este texto, recebo do Hugo Langone o mesmo trecho, segundo a Bíblia de Jerusalém:
Esta é a situação relatada na citação original do meu livro: Golias morre da pedrada. Depois, Davi o decepa, mas tudo indica que ele já estava morto.
David defeated Goliath with a sling and a rock. He killed him without even using a sword. (1 Samuel 17:50)
Em tradução literal: "Davi derrotou Golias com uma funda e uma pedra. Ele o matou sem nem sequer usar uma espada."
O trecho do livro era justamente sobre a invenção da funda e sua importância histórica, e a citação cai como uma luva para reforçar o argumento do autor.
Sem pensar duas vezes, entro no Bible Gateway e procuro essa mesma passagem em versão portuguesa (lusitana). Leio o texto, que aparece com os versículos 50 e 51 juntos:
David conseguiu assim vencer o gigante filisteu com uma simples funda e uma pedra. Como não tinha espada, correu para Golias, tirou a dele da bainha, matou-o e cortou-lhe a cabeça.
Opa! Qual foi a causa da morte de Golias, afinal? Uma simples pedra ou a própria espada? No versículo anterior dessa versão portuguesa, relata-se que a pedra se cravou na testa de Golias, que caiu com o rosto na terra -- mas isso, seguido do verbo "vencer", é muito diferente de "matar sem nem sequer usar uma espada".
Comentei a discrepância com meu marido, que é muito mais versado em Bíblia do que eu. Ele me afirmou categoricamente que Davi matou Golias com a espada, após derrubá-lo com a pedra. Elocubrando, pensamos que o Rei Jaime I, que encomendou a tradução mais famosa da Bíblia em língua inglesa, provavelmente não gostaria nem um pouco de homenzinhos derrubando e decepando gigantes, o que poderia dar certas ideias anarquistas à plebe.
Peguei então a Bíblia do meu marido, traduzida por João Ferreira de Almeida, revista e atualizada pela Sociedade Bíblica do Brasil. Lá diz assim:
Assim, prevaleceu Davi contra o filisteu, com uma funda e uma pedra, e o feriu, e o matou; porém não havia espada na mão de Davi.
Bingo! Funda sim, espada não, e meu marido confundiu a história toda, pensei eu, até ler o versículo seguinte:
Pelo que correu Davi, e, lançando-se sobre o filisteu, tomou-lhe a espada, e desembainhou-a, e o matou, cortando-lhe com ela a cabeça.
Como assim? Golias morreu duas vezes?
Preocupada com a qualidade dessa tradução, voltei ao Bible Gateway para ler o trecho da King James Bible:
So David prevailed over the Philistine with a sling and with a stone, and smote the Philistine, and slew him; but there was no sword in the hand of David. Therefore David ran, and stood upon the Philistine, and took his sword, and drew it out of the sheath thereof, and slew him, and cut off his head therewith.
Que é basicamente o mesmo: Davi mata Golias ("and slew him") com a pedra e depois o mata novamente ("and slew him", repetido igualzinho!) cortando-lhe a cabeça. Pelo visto, Golias era forte mesmo!
Fiz minha tradução citando apenas o versículo 50, terminando com a informação de que Golias estava morto e não havia espada na mão de Davi, o que dá conta de ilustrar a importância da funda. O que acontece depois ficou escondido embaixo do tapete, como fez o autor do livro que estou traduzindo.
Mas mesmo assim fiquei grilada: como será mesmo que Golias morreu? De pedra, de espada ou dos dois? Será que alguma tradução cometeu esse erro, que foi sendo replicado sem que ninguém percebesse?
ADENDO: Depois de publicar este texto, recebo do Hugo Langone o mesmo trecho, segundo a Bíblia de Jerusalém:
Desse modo Davi venceu o filisteu com a funda e a pedra; feriu o filisteu e o matou; não havia espada na mão de Davi. Davi correu, pôs o pé sobre o filisteu, apanhou-lhe a espada, tirou-a da bainha e a cravou no filisteu e, com ela, decepou-lhe a cabeça.
Esta é a situação relatada na citação original do meu livro: Golias morre da pedrada. Depois, Davi o decepa, mas tudo indica que ele já estava morto.
5 de março de 2010
Congresso da Abrates em Porto Alegre
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Atualização: este tópico se refere a atividades já encerradas. Veja as postagens mais recentes para ficar a par de novos cursos e eventos.
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A programação está interessantíssima, com temas relevantes e profissionais de alto gabarito. Haverá painéis sobre tradução juramentada, mercados regionais, tradução literária, Libras, formação de tradutores, direitos autorais, CAT, organizações e legendagem.
Eu vou participar desse último, no domingo (21/03) de manhã, ao lado de Bruno Murtinho, Marcelo Leite e Nick Magrath.
Há ainda várias oficinas e palestras. Confira a programação completa.
A lista detalhada de painéis está abaixo (clique para ampliar).
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