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15 de abril de 2015
Legendagem e literatura
A turma do Ponte de Letras me convidou para publicar um texto nesse excelente blog sobre tradução literária. Dê uma passadinha lá para ler "Parece literatura, mas sem o livro", que traça algumas semelhanças e diferenças entre a tradução literária e a legendagem de filmes.
12 de janeiro de 2015
O mundo virtual é o novo mundo real
Um dos argumentos nos quais eu venho insistindo em palestras, aulas e fóruns de tradução é que a tradução audiovisual há bastante tempo não é um nicho do setor de entretenimento, mas está se tornando a norma e permeando todas as áreas que envolvem tradução e interpretação. Não somente usamos a internet para enviar e receber traduções, a internet cada vez mais é o meio -- o único meio -- em que a tradução existe, é divulgada e utilizada, fazendo uso intenso de recursos audiovisuais.
Apenas para ilustrar essa questão, há alguns meses um dos meus clientes -- uma grande rede social -- me encomendou a tradução e legendagem deste vídeo. O tema do vídeo é a própria expansão das redes sociais e seu impacto e relevância crescentes para o mundo "físico". Agora recebi autorização desse cliente para divulgar o vídeo com a tradução. Pessoalmente, fiquei impressionada com as informações dadas nesse vídeo.
E você? Ainda acha que redes sociais são pura distração e que a área de tradução audiovisual é um nicho mal pago para quem gosta de séries na TV?
Apenas para ilustrar essa questão, há alguns meses um dos meus clientes -- uma grande rede social -- me encomendou a tradução e legendagem deste vídeo. O tema do vídeo é a própria expansão das redes sociais e seu impacto e relevância crescentes para o mundo "físico". Agora recebi autorização desse cliente para divulgar o vídeo com a tradução. Pessoalmente, fiquei impressionada com as informações dadas nesse vídeo.
E você? Ainda acha que redes sociais são pura distração e que a área de tradução audiovisual é um nicho mal pago para quem gosta de séries na TV?
19 de abril de 2014
Quatro traduções de um mesmo vídeo
(Atualizado com mais uma tradução amadora.)
Estes dias, passou a circular um vídeo que se tornou viral, sobre uma falsa vaga de emprego que parece impossível (propaganda de uma empresa de cartões).
Vários conhecidos começaram a pedir que fosse traduzido, e me ofereci para fazer a legendagem. De vez em quando eu traduzo algo de que gosto, para mim mesma ou para alguém querido. Foi o que fiz, traduzindo e editando o vídeo com legendas fixas.
Dois dias após ter divulgado o vídeo no YouTube, descobri outras duas traduções em português, publicadas quase ao mesmo tempo que a minha. Mais um par de dias depois, encontrei outra versão legendada que já se tornou muito popular.
Achei muito interessante comparar a redação, o estilo e as características técnicas (sincronia, subdivisão de legendas, ritmo de leitura) de duas traduções amadoras com a minha, que fiz usando os critérios da legendagem profissional com que trabalho normalmente.
São estes:
1 (amador, clique em 'cc' e selecione legendas em português)
2 (amador)
3 (amador)
4 (profissional)
Algumas ressalvas importantes:
Meu objetivo aqui não é criticar nem ridicularizar as traduções amadoras. Foram feitas por gente que, como eu, quis tornar um vídeo bonito acessível para pessoas queridas, e cumprem com esse objetivo. Também não me sinto de forma alguma "moralmente superior" a ninguém.
Por outro lado, o tempo todo ouvimos comentários sobre a excelente qualidade das traduções amadoras ("fansubs"). Inclusive já tive alunos que eram fansubbers e achavam absurdas as imposições técnicas nas quais eu insistia para conseguirem se inserir no mercado profissional, pois argumentavam que "todo mundo" elogiava seu trabalho.
Esta comparação é apenas uma boa oportunidade de destacar essas diferenças.
Essas legendagens amadoras cumprem a função de transmitir rapidamente um conteúdo em língua estrangeira? Sem dúvida.
Seriam aceitas por uma produtora de vídeo ou canal de TV como um serviço profissional? Em hipótese alguma.
Os textos contêm inúmeros problemas de tradução, gramática e estilo. Há legendas com tanto texto que não dá tempo de ler (ou, se conseguimos ler, não temos tempo de observar as imagens, o que é uma perda grave). A sincronia não está precisa, assim como a quebra de legendas e de linhas, e tudo isso exige um esforço redobrado do espectador para acompanhar as legendas, em detrimento da experiência prazerosa de assistir ao vídeo.
Todas essas observações se baseiam em conhecimentos bastante técnicos e nem sempre intuitivos.
Tudo isto não é para pedir elogios nem nada disso, absolutamente -- eu continuo me aprimorando e não me considero dona da verdade.
É apenas para ilustrar o que qualquer tradutor qualificado já sabe: o bom resultado final de uma tradução é a ponta do iceberg, fruto de um esforço significativo de estudo, capacitação e treinamento, aliado a um trabalho intenso e extremamente detalhista durante o processo de tradução -- tudo isso apenas para que o receptor desse conteúdo não note demais a tradução em si, como alguém que aprecia a paisagem sem reparar no vidro da janela.
E também para lembrar que ainda falta muito, muito mesmo, para sermos substituídos por máquinas ou por voluntários bem-intencionados, caso alguém tivesse alguma dúvida.
Estes dias, passou a circular um vídeo que se tornou viral, sobre uma falsa vaga de emprego que parece impossível (propaganda de uma empresa de cartões).
Vários conhecidos começaram a pedir que fosse traduzido, e me ofereci para fazer a legendagem. De vez em quando eu traduzo algo de que gosto, para mim mesma ou para alguém querido. Foi o que fiz, traduzindo e editando o vídeo com legendas fixas.
Dois dias após ter divulgado o vídeo no YouTube, descobri outras duas traduções em português, publicadas quase ao mesmo tempo que a minha. Mais um par de dias depois, encontrei outra versão legendada que já se tornou muito popular.
Achei muito interessante comparar a redação, o estilo e as características técnicas (sincronia, subdivisão de legendas, ritmo de leitura) de duas traduções amadoras com a minha, que fiz usando os critérios da legendagem profissional com que trabalho normalmente.
São estes:
1 (amador, clique em 'cc' e selecione legendas em português)
2 (amador)
3 (amador)
4 (profissional)
Algumas ressalvas importantes:
Meu objetivo aqui não é criticar nem ridicularizar as traduções amadoras. Foram feitas por gente que, como eu, quis tornar um vídeo bonito acessível para pessoas queridas, e cumprem com esse objetivo. Também não me sinto de forma alguma "moralmente superior" a ninguém.
Por outro lado, o tempo todo ouvimos comentários sobre a excelente qualidade das traduções amadoras ("fansubs"). Inclusive já tive alunos que eram fansubbers e achavam absurdas as imposições técnicas nas quais eu insistia para conseguirem se inserir no mercado profissional, pois argumentavam que "todo mundo" elogiava seu trabalho.
Esta comparação é apenas uma boa oportunidade de destacar essas diferenças.
Essas legendagens amadoras cumprem a função de transmitir rapidamente um conteúdo em língua estrangeira? Sem dúvida.
Seriam aceitas por uma produtora de vídeo ou canal de TV como um serviço profissional? Em hipótese alguma.
Os textos contêm inúmeros problemas de tradução, gramática e estilo. Há legendas com tanto texto que não dá tempo de ler (ou, se conseguimos ler, não temos tempo de observar as imagens, o que é uma perda grave). A sincronia não está precisa, assim como a quebra de legendas e de linhas, e tudo isso exige um esforço redobrado do espectador para acompanhar as legendas, em detrimento da experiência prazerosa de assistir ao vídeo.
Todas essas observações se baseiam em conhecimentos bastante técnicos e nem sempre intuitivos.
Tudo isto não é para pedir elogios nem nada disso, absolutamente -- eu continuo me aprimorando e não me considero dona da verdade.
É apenas para ilustrar o que qualquer tradutor qualificado já sabe: o bom resultado final de uma tradução é a ponta do iceberg, fruto de um esforço significativo de estudo, capacitação e treinamento, aliado a um trabalho intenso e extremamente detalhista durante o processo de tradução -- tudo isso apenas para que o receptor desse conteúdo não note demais a tradução em si, como alguém que aprecia a paisagem sem reparar no vidro da janela.
E também para lembrar que ainda falta muito, muito mesmo, para sermos substituídos por máquinas ou por voluntários bem-intencionados, caso alguém tivesse alguma dúvida.
13 de abril de 2014
Novamente a discussão sobre dublagem x legendagem
Eu nem me lembrava de que o último que escrevi neste blog foi sobre o debate de dublagem x legendagem, que já mais parece São Paulo x Corinthians ou Flamengo x Fluminense, com a tendência a cada lado defender suas preferências pessoais como se fossem a única verdade possível. Mas a todo momento alguma notícia reacende esse debate, mesmo que a notícia em si nem diga respeito à forma de tradução -- a mídia adora lançar polêmicas e, em frações de segundo, as pessoas voltam à briga.
Desta vez, uma longa discussão num grupo grande de tradutores profissionais surgiu por conta desta notícia sobre uma adaptação feita nas imagens do filme Capitão América para os diversos países de destino, inclusive o Brasil.
Embora eu já tenha comentado e escrito sobre o assunto em outros lugares, como nesta matéria sobre tradução audiovisual para a revista Língua Portuguesa, vejo que, mesmo entre tradutores, que supostamente deveriam ter um conhecimento um pouquinho acima da média sobre o tema, continuam sendo repetidos e reforçados argumentos infundados e baseados em preconceitos errôneos a respeito das diversas opções usadas para adaptar um filme a uma cultura diferente.
Então volto a expor minha opinião sobre essa questão -- que, para falar a verdade, não entendo bem por que rende tanto debate.
Um desses preconceitos é a noção de que um tradutor "rebelde" qualquer, por conta própria, seria capaz de modificar um filme. Ouvimos isso sobre títulos de filmes, edições de imagem, de som, adaptações na tradução, etc.
O processo de tradução e pós-produção de um filme envolve várias empresas, muita gente e muito dinheiro. O tradutor é apenas um dos elos (um elozinho praticamente dos mais insignificantes) do processo, que não tem poder para tomar nenhuma decisão que minimamente fuja do padrão. Nenhum tradutor jamais decidiu o título de um filme, imprimiu cartazes e outdoors e os espalhou por todo o país, assim como não trocou uma imagem do filme original por uma imagem com textos adaptados. Tudo isso envolve muito dinheiro, muitas decisões, e o tradutor apenas cumpre ordens, talvez dê sugestões, mas definitivamente não toma nenhuma decisão nem tem controle sobre o resultado final do processo.
Isso sem dizer que, no caso de Capitão América, se trata da Disney, a distribuidora mais controladora do mundo com relação às traduções e adaptações, cujo processo começa muitas vezes seis meses antes do lançamento de um filme.
Outro preconceito é o de associar legendagem a superioridade cultural, inteligência ou "evolução" (acreditem, vi esse termo usado em um argumento), e dublagem a inferioridade, burrice e preguiça. Basta olhar para o resto do mundo e ver que isso não se sustenta. Eu já li bastante sobre o assunto e há especulações muito variadas sobre as origens das preferências de cada cultura por dublagem ou legendagem, mas não há explicações definitivas. Faço aqui um resuminho:
Por um lado, a dublagem se tornou obrigatória em muitos países durante regimes autoritários, por facilitar a censura e alteração do conteúdo estrangeiro (caso do Brasil e de muitos países da Europa quando da disseminação do cinema falado ou da televisão). Esses mesmos regimes costumavam usar como pretexto a acessibilidade para a parcela menos letrada da população, e muita gente até hoje faz essa associação, embora não se sustente em muitos casos.
Por outro lado, a pós-produção para dublagem é um processo muitíssimo mais caro do que a legendagem. No caso do Brasil, como a lei que previa a obrigatoriedade da dublagem se aplicava à TV, quando do advento do VHS -- aqui é meio que teoria minha -- as produtoras tenderam a optar pela legendagem por ser muito mais barata, considerando o volume de novas traduções a serem feitas. O DVD também tradicionalmente tem mais opções de legendagem do que de dublagem.
Pelo que li em textos da área audiovisual, o aumento proporcional da preferência pela dublagem no Brasil tem muito a ver com o maior poder aquisitivo de classes mais baixas, aliado a um investimento maior das distribuidoras na pós-produção de filmes, visando atingir um público claramente maior. O interesse é comercial, e mútuo. As distribuidoras não gastariam muitíssimo mais em adaptar o som e as imagens de um filme se isso não lhes desse um retorno bem maior do que inserir legendas, que é muito mais barato.
Cheguei a ver o argumento de que o aumento dos filmes dublados no brasil faria parte de um projeto político de emburrecimento da população. Pessoalmente, acho essa ideia teoria da conspiração demais, até porque esse argumento se baseia em um preconceito infundado (ou será que a população alemã é mais burra agora do que era há 50 anos?) e porque, particularmente, acredito que os interesses econômicos são muito mais fortes que os puramente políticos.
Já quanto às preferências pessoais (menos ou mais acaloradas) por legendagem ou dublagem, pelo que observo em diversos grupos e diversos países, é apenas questão de hábito e de gosto. Para alguns, não ouvir os diálogos na língua original é insuportável; para outros, ter que ler texto aplicado na parte de baixo da tela é um crime contra a experiência cinematográfica. Vai ter gente que odeia de morte uma ou outra forma, assim como tem gente capaz de morrer pelo Bragantino, mas aí se tratam de paixões pessoais, pouco fundamentadas na razão.
No Brasil, a parcela da população capaz de entender um filme estrangeiro sem tradução é tão ínfima que deve ser irrelevante para fins comerciais. A legenda obviamente não se destina a essa parcela. Aliás, eu arriscaria dizer que mesmo entre tradutores profissionais só uma parte bem pequena conseguiria entender realmente bem um filme falado na nossa segunda língua. Com apoio de legendas, quem já é bastante fluente na língua estrangeira consegue ir comparando original e tradução e preenchendo as lacunas, e assim formar a ilusão de que está entendendo a língua estrangeira (eu sou assim com francês: quando vejo filme legendado, sou francófona nata! Já sem legendas, só entendo "bonjour" e olhe lá.)
Pelo que vejo, essas pessoas costumam preferir a legendagem dos filmes na língua estrangeira que entendem razoavelmente. Já em outras línguas, tenho minhas dúvidas. Eu, por exemplo, gosto de animações japonesas, mas acho muito cansativo ver filmes longos legendados. Moro no Canadá e vejo filmes do Miyazaki no cinema dublados em inglês, feliz da vida. Talvez mais de um pense que a dublagem em inglês é muito melhor que a dublagem em português, mas nesse caso eu diria que é mais um preconceito bem arraigado.
Apenas para deixar claro: eu não sou "defensora" da dublagem. Nem sei fazer tradução de roteiros para dublagem. Sou tradutora especializada e professora de legendagem, e pessoalmente prefiro assistir a filmes legendados, na maioria dos casos. Só acho meio frustrante ver esses preconceitos contra a dublagem serem reproduzidos sem uma reflexão um pouco mais aprofundada, principalmente por quem é da área de tradução.
Desta vez, uma longa discussão num grupo grande de tradutores profissionais surgiu por conta desta notícia sobre uma adaptação feita nas imagens do filme Capitão América para os diversos países de destino, inclusive o Brasil.
Embora eu já tenha comentado e escrito sobre o assunto em outros lugares, como nesta matéria sobre tradução audiovisual para a revista Língua Portuguesa, vejo que, mesmo entre tradutores, que supostamente deveriam ter um conhecimento um pouquinho acima da média sobre o tema, continuam sendo repetidos e reforçados argumentos infundados e baseados em preconceitos errôneos a respeito das diversas opções usadas para adaptar um filme a uma cultura diferente.
Então volto a expor minha opinião sobre essa questão -- que, para falar a verdade, não entendo bem por que rende tanto debate.
Um desses preconceitos é a noção de que um tradutor "rebelde" qualquer, por conta própria, seria capaz de modificar um filme. Ouvimos isso sobre títulos de filmes, edições de imagem, de som, adaptações na tradução, etc.
O processo de tradução e pós-produção de um filme envolve várias empresas, muita gente e muito dinheiro. O tradutor é apenas um dos elos (um elozinho praticamente dos mais insignificantes) do processo, que não tem poder para tomar nenhuma decisão que minimamente fuja do padrão. Nenhum tradutor jamais decidiu o título de um filme, imprimiu cartazes e outdoors e os espalhou por todo o país, assim como não trocou uma imagem do filme original por uma imagem com textos adaptados. Tudo isso envolve muito dinheiro, muitas decisões, e o tradutor apenas cumpre ordens, talvez dê sugestões, mas definitivamente não toma nenhuma decisão nem tem controle sobre o resultado final do processo.
Isso sem dizer que, no caso de Capitão América, se trata da Disney, a distribuidora mais controladora do mundo com relação às traduções e adaptações, cujo processo começa muitas vezes seis meses antes do lançamento de um filme.
Outro preconceito é o de associar legendagem a superioridade cultural, inteligência ou "evolução" (acreditem, vi esse termo usado em um argumento), e dublagem a inferioridade, burrice e preguiça. Basta olhar para o resto do mundo e ver que isso não se sustenta. Eu já li bastante sobre o assunto e há especulações muito variadas sobre as origens das preferências de cada cultura por dublagem ou legendagem, mas não há explicações definitivas. Faço aqui um resuminho:
Por um lado, a dublagem se tornou obrigatória em muitos países durante regimes autoritários, por facilitar a censura e alteração do conteúdo estrangeiro (caso do Brasil e de muitos países da Europa quando da disseminação do cinema falado ou da televisão). Esses mesmos regimes costumavam usar como pretexto a acessibilidade para a parcela menos letrada da população, e muita gente até hoje faz essa associação, embora não se sustente em muitos casos.
Por outro lado, a pós-produção para dublagem é um processo muitíssimo mais caro do que a legendagem. No caso do Brasil, como a lei que previa a obrigatoriedade da dublagem se aplicava à TV, quando do advento do VHS -- aqui é meio que teoria minha -- as produtoras tenderam a optar pela legendagem por ser muito mais barata, considerando o volume de novas traduções a serem feitas. O DVD também tradicionalmente tem mais opções de legendagem do que de dublagem.
Pelo que li em textos da área audiovisual, o aumento proporcional da preferência pela dublagem no Brasil tem muito a ver com o maior poder aquisitivo de classes mais baixas, aliado a um investimento maior das distribuidoras na pós-produção de filmes, visando atingir um público claramente maior. O interesse é comercial, e mútuo. As distribuidoras não gastariam muitíssimo mais em adaptar o som e as imagens de um filme se isso não lhes desse um retorno bem maior do que inserir legendas, que é muito mais barato.
Cheguei a ver o argumento de que o aumento dos filmes dublados no brasil faria parte de um projeto político de emburrecimento da população. Pessoalmente, acho essa ideia teoria da conspiração demais, até porque esse argumento se baseia em um preconceito infundado (ou será que a população alemã é mais burra agora do que era há 50 anos?) e porque, particularmente, acredito que os interesses econômicos são muito mais fortes que os puramente políticos.
Já quanto às preferências pessoais (menos ou mais acaloradas) por legendagem ou dublagem, pelo que observo em diversos grupos e diversos países, é apenas questão de hábito e de gosto. Para alguns, não ouvir os diálogos na língua original é insuportável; para outros, ter que ler texto aplicado na parte de baixo da tela é um crime contra a experiência cinematográfica. Vai ter gente que odeia de morte uma ou outra forma, assim como tem gente capaz de morrer pelo Bragantino, mas aí se tratam de paixões pessoais, pouco fundamentadas na razão.
No Brasil, a parcela da população capaz de entender um filme estrangeiro sem tradução é tão ínfima que deve ser irrelevante para fins comerciais. A legenda obviamente não se destina a essa parcela. Aliás, eu arriscaria dizer que mesmo entre tradutores profissionais só uma parte bem pequena conseguiria entender realmente bem um filme falado na nossa segunda língua. Com apoio de legendas, quem já é bastante fluente na língua estrangeira consegue ir comparando original e tradução e preenchendo as lacunas, e assim formar a ilusão de que está entendendo a língua estrangeira (eu sou assim com francês: quando vejo filme legendado, sou francófona nata! Já sem legendas, só entendo "bonjour" e olhe lá.)
Pelo que vejo, essas pessoas costumam preferir a legendagem dos filmes na língua estrangeira que entendem razoavelmente. Já em outras línguas, tenho minhas dúvidas. Eu, por exemplo, gosto de animações japonesas, mas acho muito cansativo ver filmes longos legendados. Moro no Canadá e vejo filmes do Miyazaki no cinema dublados em inglês, feliz da vida. Talvez mais de um pense que a dublagem em inglês é muito melhor que a dublagem em português, mas nesse caso eu diria que é mais um preconceito bem arraigado.
Apenas para deixar claro: eu não sou "defensora" da dublagem. Nem sei fazer tradução de roteiros para dublagem. Sou tradutora especializada e professora de legendagem, e pessoalmente prefiro assistir a filmes legendados, na maioria dos casos. Só acho meio frustrante ver esses preconceitos contra a dublagem serem reproduzidos sem uma reflexão um pouco mais aprofundada, principalmente por quem é da área de tradução.
15 de janeiro de 2014
Títulos de séries, legendagem e dublagem
Está rodando nas redes sociais esta matéria sobre o subtítulo que foi dado para a série "Breaking Bad" pelo canal Record.
Vale esclarecer que o subtítulo de um filme ou série, ou mesmo o título, *não* se trata de tradução. É um novo título dado pelos produtores ou distribuidores no país de destino, e não envolve tradutores nem estratégias de tradução.
Também é importante não confundir as críticas feitas ao título com as preferências em torno de legendagem ou dublagem -- o título seria o mesmo, independentemente da forma de tradução adotada.
Quanto ao gosto (ou desgosto) por dublagem ou legendagem, é algo puramente subjetivo, que nada tem a ver com o grau de escolaridade das pessoas, superioridade ou inferioridade cultural, nem mesmo com noções de arte, como já foi extensamente discutido na literatura acadêmica sobre esses temas.
Uma breve introdução ao mundo da tradução audiovisual, com algumas dessas distinções, está disponível na edição especial sobre tradução da revista Língua Portuguesa, para a qual eu escrevi esta matéria sobre tradução audiovisual (em PDF).
Vale esclarecer que o subtítulo de um filme ou série, ou mesmo o título, *não* se trata de tradução. É um novo título dado pelos produtores ou distribuidores no país de destino, e não envolve tradutores nem estratégias de tradução.
Também é importante não confundir as críticas feitas ao título com as preferências em torno de legendagem ou dublagem -- o título seria o mesmo, independentemente da forma de tradução adotada.
Quanto ao gosto (ou desgosto) por dublagem ou legendagem, é algo puramente subjetivo, que nada tem a ver com o grau de escolaridade das pessoas, superioridade ou inferioridade cultural, nem mesmo com noções de arte, como já foi extensamente discutido na literatura acadêmica sobre esses temas.
Uma breve introdução ao mundo da tradução audiovisual, com algumas dessas distinções, está disponível na edição especial sobre tradução da revista Língua Portuguesa, para a qual eu escrevi esta matéria sobre tradução audiovisual (em PDF).
5 de dezembro de 2012
Balé e ópera multimídia
Como é que uma "arte morta", como muitos se referem à ópera, ou um antigo estilo de dança, podem de repente atrair novas gerações a alcançar o maior público a que já teve acesso?
Através de recursos multimídia!
Algumas companhias de balé e ópera têm exibido suas apresentações ao vivo, para cinemas de todo o mundo. É o caso do Bolshoi Ballet, a Metropolitan Opera, a Royal Ballet e a Royal Opera House. A Emerging Pictures lista a maioria dessas apresentações.
No ano passado, eu fui procurada pela Royal Opera House/Royal Ballet (ROH) para traduzir algumas dessas apresentações para o português, pois eles estavam começando a exibi-las para uma rede de cinemas em todo o Brasil. Foi uma experiência ótima, e recentemente começou a temporada de 2012-2013 e eu fui escalada para fazer todas as traduções em português. É por isso que falo mais do ROH aqui, já que conheço de primeira mão como essas transmissões funcionam.
Essa tecnologia já existe há vários anos. Em 2003, eu assisti a um show de David Bowie que foi exibido ao vivo, desde Londres, para cinemas em todo o mundo. Eu estava no Brasil e, além de vermos o show, pudemos fazer perguntas para Bowie depois, desde o cinema, e ele ouvia e respondia desde Londres. Considerando como essa experiência foi incrível, chega a ser surpreendente (quase assombroso) que não tenha se tornado uma opção de entretenimento muito mais comum.
Mas parece que as transmissões ao vivo para cinemas finalmente estão vindo para ficar. A ROH começou a exibir as apresentações em cinemas do Reino Unido em 2009; o Brasil foi incluído no ano passado e o Japão nesta nova temporada. Agora transmitem para 240 cinemas de 32 países, em 6 ou 7 línguas, se não me engano.
Este vídeo (em inglês) destaca as vantagens de assistir balés e operas no cinema.
Os sons e imagens são capturados em alta definição, e as legendas em todas as línguas são todas transmitidas desde Londres. As traduções são realizadas com poucos dias (ou, às vezes, poucas horas) de antecedência. No caso de óperas, traduzimos o libretto, naturalmente, mas também há trailers e curtas sobre cada produção, que mostram ensaios, entrevistas e outras informações importantes sobre a produção, e que são exibidos antes do espetáculo e durante os intervalos. Também há mensagens exibidas na tela para os espectadores (por exemplo, incentivando-os a enviarem tweets com comentários sobre o espetáculo) e um resumo de cada ato que verão. Alguns dos tweets enviados também são exibidos na tela do cinema durante os intervalos.
Como as imagens são geradas ao vivo, as legendas não podem ser editadas permanentemente sobre o filme. São exibidas manualmente, ao vivo, pelo departamento de surtitling da ROH ("surtitling" é o nome das legendas exibidas em teatros, geralmente acima do palco).
A ROH interage com os espectadores nas principais redes sociais. Tem seu canal no YouTube, página no Facebook e conta no Twitter. E divulgou recentemente alguns números impressionantes sobre a temporada de 2011-2012, que sem dúvida irão crescer a cada ano. Alguns destaques:
Novos públicos e novas mídias também implicam o uso de uma nova linguagem. As legendas devem ser breves e simples, para que possam ser lidas depressa e permitam aos espectadores entender o que é dito e ainda assim apreciar plenamente as belíssimas imagens à sua frente. No caso de óperas, isso significa que as traduções empregam uma linguagem mais moderna, sem termos obscuros ou obsoletos. O texto original continua intacto na performance, mas seria impossível acompanhar o libretto completo junto com o espetáculo. Assim, as legendas estão lá para falar a língua dos espectadores nos cinemas e ajudá-los a aproveitar totalmente a experiência, sem se sentirem deslocados.
A ROH é um modelo de cliente para os tradutores. O trabalho antes de cada apresentação é intenso e muitas vezes nos fins de semana, mas a remuneração faz jus ao que eles pedem. Procuraram tradutores recomendados, com experiência em legendagem e que se sentissem à vontade com os temas e a terminologia envolvida. Levando em conta a magnitude dessa operação, o custo da tradução provavelmente é quase insignificante, e a prioridade é oferecer a maior qualidade aos espectadores. A ROH reconhece o valor de uma tradução audiovisual especializada.
Este último vídeo mostra o departamento de audiovisual, e eu acho particularmente fascinante.
Acredito que há muito a aprender com essa experiência bem-sucedida da Royal Opera House e de outras companhias de balé e ópera. O público agora é global, novas tecnologias e mídias podem dar vida nova a antigas formas de arte -- incluindo lucro, sim, a internet não está matando a indústria do entretenimento, muito pelo contrário -- e serviços de tradução profissionais e especializados podem fazer a ponte entre as línguas.
Através de recursos multimídia!
Algumas companhias de balé e ópera têm exibido suas apresentações ao vivo, para cinemas de todo o mundo. É o caso do Bolshoi Ballet, a Metropolitan Opera, a Royal Ballet e a Royal Opera House. A Emerging Pictures lista a maioria dessas apresentações.
No ano passado, eu fui procurada pela Royal Opera House/Royal Ballet (ROH) para traduzir algumas dessas apresentações para o português, pois eles estavam começando a exibi-las para uma rede de cinemas em todo o Brasil. Foi uma experiência ótima, e recentemente começou a temporada de 2012-2013 e eu fui escalada para fazer todas as traduções em português. É por isso que falo mais do ROH aqui, já que conheço de primeira mão como essas transmissões funcionam.
Essa tecnologia já existe há vários anos. Em 2003, eu assisti a um show de David Bowie que foi exibido ao vivo, desde Londres, para cinemas em todo o mundo. Eu estava no Brasil e, além de vermos o show, pudemos fazer perguntas para Bowie depois, desde o cinema, e ele ouvia e respondia desde Londres. Considerando como essa experiência foi incrível, chega a ser surpreendente (quase assombroso) que não tenha se tornado uma opção de entretenimento muito mais comum.
Mas parece que as transmissões ao vivo para cinemas finalmente estão vindo para ficar. A ROH começou a exibir as apresentações em cinemas do Reino Unido em 2009; o Brasil foi incluído no ano passado e o Japão nesta nova temporada. Agora transmitem para 240 cinemas de 32 países, em 6 ou 7 línguas, se não me engano.
Este vídeo (em inglês) destaca as vantagens de assistir balés e operas no cinema.
Os sons e imagens são capturados em alta definição, e as legendas em todas as línguas são todas transmitidas desde Londres. As traduções são realizadas com poucos dias (ou, às vezes, poucas horas) de antecedência. No caso de óperas, traduzimos o libretto, naturalmente, mas também há trailers e curtas sobre cada produção, que mostram ensaios, entrevistas e outras informações importantes sobre a produção, e que são exibidos antes do espetáculo e durante os intervalos. Também há mensagens exibidas na tela para os espectadores (por exemplo, incentivando-os a enviarem tweets com comentários sobre o espetáculo) e um resumo de cada ato que verão. Alguns dos tweets enviados também são exibidos na tela do cinema durante os intervalos.
Como as imagens são geradas ao vivo, as legendas não podem ser editadas permanentemente sobre o filme. São exibidas manualmente, ao vivo, pelo departamento de surtitling da ROH ("surtitling" é o nome das legendas exibidas em teatros, geralmente acima do palco).
A ROH interage com os espectadores nas principais redes sociais. Tem seu canal no YouTube, página no Facebook e conta no Twitter. E divulgou recentemente alguns números impressionantes sobre a temporada de 2011-2012, que sem dúvida irão crescer a cada ano. Alguns destaques:
- Cerca de 300.000 pessoas assistiram à Royal Opera e à Royal Ballet em cinemas.
- Quando a Royal Ballet fez um dia inteiro de streaming grátis (um dia na vida da Royal Ballet exibido no YouTube, sem editar), a audiência atingiu um milhão de espectadores.
- O público está cada vez mais jovem, com um grande número de pessoas que assistem a ópera e balé pela primeira vez na vida, pois vê-las no cinema é bem mais barato e acessível, e menos intimidador, do que ir até um teatro.
Novos públicos e novas mídias também implicam o uso de uma nova linguagem. As legendas devem ser breves e simples, para que possam ser lidas depressa e permitam aos espectadores entender o que é dito e ainda assim apreciar plenamente as belíssimas imagens à sua frente. No caso de óperas, isso significa que as traduções empregam uma linguagem mais moderna, sem termos obscuros ou obsoletos. O texto original continua intacto na performance, mas seria impossível acompanhar o libretto completo junto com o espetáculo. Assim, as legendas estão lá para falar a língua dos espectadores nos cinemas e ajudá-los a aproveitar totalmente a experiência, sem se sentirem deslocados.
A ROH é um modelo de cliente para os tradutores. O trabalho antes de cada apresentação é intenso e muitas vezes nos fins de semana, mas a remuneração faz jus ao que eles pedem. Procuraram tradutores recomendados, com experiência em legendagem e que se sentissem à vontade com os temas e a terminologia envolvida. Levando em conta a magnitude dessa operação, o custo da tradução provavelmente é quase insignificante, e a prioridade é oferecer a maior qualidade aos espectadores. A ROH reconhece o valor de uma tradução audiovisual especializada.
Este último vídeo mostra o departamento de audiovisual, e eu acho particularmente fascinante.
Acredito que há muito a aprender com essa experiência bem-sucedida da Royal Opera House e de outras companhias de balé e ópera. O público agora é global, novas tecnologias e mídias podem dar vida nova a antigas formas de arte -- incluindo lucro, sim, a internet não está matando a indústria do entretenimento, muito pelo contrário -- e serviços de tradução profissionais e especializados podem fazer a ponte entre as línguas.
Este texto foi publicado originalmente no meu blog sobre tradução de multimídia, em inglês.
12 de outubro de 2012
Entrevistas
Fico meio acanhada de publicar isto no meu próprio blog... Mas enfim, acho que há informações úteis para outros tradutores ou estudantes, opiniões e recomendações que eu faço muito em redes sociais, e-mail, aqui no blog, etc.
Então aqui vai, não (só) como autopromoção, mas esperando que seja útil para alguém.
A revista Tradução & Comunicação, editada pela universidade Anhanguera, publicou uma entrevista comigo feita pelos doutorandos Thaís Collet e Rafael Matielo. Eu participei da banca do Rafael quando ele escreveu uma dissertação sobre legendagem, e a Thaís foi minha aluna de legendagem na PUC-Rio.
A entrevista está aqui.
Aproveito para mencionar outra entrevista, que eu não cheguei a divulgar aqui. Foi feita pelo Petê Risatti, que conversou com diversos tradutores -- vale a pena ler todas as conversas!
A conversa comigo está aqui.
Então aqui vai, não (só) como autopromoção, mas esperando que seja útil para alguém.
A revista Tradução & Comunicação, editada pela universidade Anhanguera, publicou uma entrevista comigo feita pelos doutorandos Thaís Collet e Rafael Matielo. Eu participei da banca do Rafael quando ele escreveu uma dissertação sobre legendagem, e a Thaís foi minha aluna de legendagem na PUC-Rio.
A entrevista está aqui.
Aproveito para mencionar outra entrevista, que eu não cheguei a divulgar aqui. Foi feita pelo Petê Risatti, que conversou com diversos tradutores -- vale a pena ler todas as conversas!
A conversa comigo está aqui.
25 de agosto de 2012
Tradução na Globo Universidade
A formação de tradutores e o mercado de tradução foram o tema de várias matérias publicadas na Globo Universidade. O foco foi sobretudo na PUC-Rio, onde eu estudei e leciono. São bem aprofundadas e ótimas para tradutores profissionais ou para quem ainda está planejando a carreira.
A matéria principal é em vídeo, mas o site da Globo Universidade traz alguns artigos complementares:
Matéria em vídeo sobre diversas especializações oferecidas na PUC-Rio
Artigo sobre o mercado de tradução
Artigo sobre interpretação
Artigo sobre o mercado de tradução audiovisual e literária
Artigo sobre tradução juramentada
Achei as matérias excelentes. Raramente uma reportagem na imprensa sobre tradução passa do mais básico. Mas o mercado de tradução está crescendo muito no Brasil e o profissional vem ganhando muita visibilidade.
Do ponto de vista pessoal, o mais incrível é que eu conheço praticamente todo mundo em todas as matérias! Uns foram meus professores, outros meus colegas e outros meus alunos. O mundo da tradução é uma enorme família, mesmo.
A matéria principal é em vídeo, mas o site da Globo Universidade traz alguns artigos complementares:
Matéria em vídeo sobre diversas especializações oferecidas na PUC-Rio
Artigo sobre o mercado de tradução
Artigo sobre interpretação
Artigo sobre o mercado de tradução audiovisual e literária
Artigo sobre tradução juramentada
Achei as matérias excelentes. Raramente uma reportagem na imprensa sobre tradução passa do mais básico. Mas o mercado de tradução está crescendo muito no Brasil e o profissional vem ganhando muita visibilidade.
Do ponto de vista pessoal, o mais incrível é que eu conheço praticamente todo mundo em todas as matérias! Uns foram meus professores, outros meus colegas e outros meus alunos. O mundo da tradução é uma enorme família, mesmo.
29 de abril de 2012
Estamos na revista 'Língua Portuguesa'
Acaba de sair uma edição especial da revista Língua Portuguesa intitulada "Tradução & Linguagem", que aborda o mercado de tradução no Brasil.
A Bianca Bold, minha sócia, e eu participamos em duas matérias da revista:
O artigo "Profissionais conectados" aborda o uso de redes sociais e outros recursos de internet por tradutores independentes. Bianca Bold é uma das entrevistadas, e conta um pouco de sua história e dá dicas para outros profissionais. O artigo é excelente para quem estuda ou trabalha com tradução. Clique aqui para ler a matéria no site da Bianca.
"As lógicas do audiovisual" aborda a tradução de materiais audiovisuais no Brasil, com ênfase em legendagem e dublagem, e é de minha autoria (Carolina Alfaro de Carvalho). Clique aqui para ler a matéria em PDF.
Aproveito aqui para corrigir dois erros que saíram nessa matéria, mas que não foram cometidos por mim:
A Bianca Bold, minha sócia, e eu participamos em duas matérias da revista:
O artigo "Profissionais conectados" aborda o uso de redes sociais e outros recursos de internet por tradutores independentes. Bianca Bold é uma das entrevistadas, e conta um pouco de sua história e dá dicas para outros profissionais. O artigo é excelente para quem estuda ou trabalha com tradução. Clique aqui para ler a matéria no site da Bianca.
"As lógicas do audiovisual" aborda a tradução de materiais audiovisuais no Brasil, com ênfase em legendagem e dublagem, e é de minha autoria (Carolina Alfaro de Carvalho). Clique aqui para ler a matéria em PDF.
Aproveito aqui para corrigir dois erros que saíram nessa matéria, mas que não foram cometidos por mim:
- O último quadro foi intitulado "As peculiaridades do mercado de TAV" e saiu com um erro de ortografia.
- Lá no finalzinho, onde está o meu nome, consta a informação "ministra cursos de legendagem on-line na PUC-Rio", o que obviamente não faz sentido. Eu dou cursos online (à distância, portanto as aulas ocorrem no mundo cibernético e não em nenhuma cidade particular) e também dou cursos presenciais na PUC-Rio.
11 de fevereiro de 2012
Artigos sobre tradução audiovisual
No fim de 2011, a PUC-Rio lançou um número especial da publicação Tradução em revista, n. 11, sobre tradução audiovisual. A revista conta com diversos artigos sobre tecnologia, legendagem, dublagem, legenda fechada, audiodescrição e traduções de fãs.
Eu considero imprescindível, para quem se interessa minimamente pelo assunto (nem que seja como "espectador com opinião"), o artigo da Sabrina Martinez, "Tecnologia digital, acessibilidade e novos mercados para o tradutor audiovisual". Ela traça um panorama da evolução tecnológica e as transformações da tradução audiovisual no Brasil, chegando aos reflexos da nova lei da acessibilidade e a recente polêmica sobre a maior preferência pela dublagem na TV a cabo. Pretendo passar a usar esse artigo nos meus cursos, e acho que qualquer um deveria ler esse texto para discutir esses assuntos com uma base maior de informações, transmitidas por quem trabalha e estuda tradução audiovisual há muitos anos.
Aproveitando este assunto: eu recebo pedidos constantes de alunos de cursos de tradução para ajudar com bibliografia sobre tradução audiovisual para trabalhos de conclusão de cursos e monografias. Às vezes fico surpresa quando me dizem que não têm bibliografia para estudar, considerando que o que há por aí hoje em dia daria para passar uma vida estudando -- o que eu acho difícil mesmo é justamente selecionar um recorte relevante.
Então, vou listar aqui alguns recursos e, com o tempo, pretendo expandi-los.
O periódico Cadernos de tradução, publicado pela Universidade Federal de Santa Catarina, e a revista Tradução & comunicação, da Anhanguera (ex-Unibero), não publicaram (que eu saiba) um número especial sobre tradução audiovisual, mas quase sempre há algum artigo sobre o tema em cada número. É preciso garimpar um pouquinho, mas é nisso que consiste o trabalho do pesquisador... ;-)
As duas maiores editoras especializadas em tradução, Saint Jerome e John Benjamins, têm números dedicados ao tema.
A publicação canadense Meta lançou uma edição especial sobre tradução audiovisual em 2004, com artigos diversos de ótimos pesquisadores do tema. Agora no início de 2012 deve sair mais um número especial, que espero poder divulgar em breve.
A nova edição especial da Meta será editada por Jorge Díaz-Cintas, tradutor e pesquisador com uma enorme lista de publicações sobre o tema.
Outros autores onipresentes neste campo de estudo, e que é interessante acompanhar, são Yves Gambier, editor do número da Meta de 2004 e da excelente coletânea (Multi) Media Translation, disponível no Google Books -- o texto introdutório, mesmo tendo mais de 10 anos, continua atualíssimo; Patrick Catrysse; Henrik Gottlieb; além de, no Brasil, Vera Lúcia Santiago Araújo e Eliana Franco.
Autores bons há muitos, mas infelizmente poucos mantêm um site e uma lista atualizada de publicações.
Finalmente, além do que eu já publiquei e apresentei sobre o tema (há pouco disponível online) e do que escrevo neste blog, minha maior contribuição para a área foi minha dissertação de mestrado. Aliás, vale lembrar que as principais universidades do Brasil mantêm catálogos online de trabalhos acadêmicos e permitem o acesso digital a muitos deles.
Este foi só um primeiro apanhado geral. Caso você conheça alguma outra publicação sobre tradução audiovisual, principalmente se estiver disponível online, por favor me informe em um comentário para que eu confira e aumente esta lista. Espero que seja útil!
Eu considero imprescindível, para quem se interessa minimamente pelo assunto (nem que seja como "espectador com opinião"), o artigo da Sabrina Martinez, "Tecnologia digital, acessibilidade e novos mercados para o tradutor audiovisual". Ela traça um panorama da evolução tecnológica e as transformações da tradução audiovisual no Brasil, chegando aos reflexos da nova lei da acessibilidade e a recente polêmica sobre a maior preferência pela dublagem na TV a cabo. Pretendo passar a usar esse artigo nos meus cursos, e acho que qualquer um deveria ler esse texto para discutir esses assuntos com uma base maior de informações, transmitidas por quem trabalha e estuda tradução audiovisual há muitos anos.
Aproveitando este assunto: eu recebo pedidos constantes de alunos de cursos de tradução para ajudar com bibliografia sobre tradução audiovisual para trabalhos de conclusão de cursos e monografias. Às vezes fico surpresa quando me dizem que não têm bibliografia para estudar, considerando que o que há por aí hoje em dia daria para passar uma vida estudando -- o que eu acho difícil mesmo é justamente selecionar um recorte relevante.
Então, vou listar aqui alguns recursos e, com o tempo, pretendo expandi-los.
O periódico Cadernos de tradução, publicado pela Universidade Federal de Santa Catarina, e a revista Tradução & comunicação, da Anhanguera (ex-Unibero), não publicaram (que eu saiba) um número especial sobre tradução audiovisual, mas quase sempre há algum artigo sobre o tema em cada número. É preciso garimpar um pouquinho, mas é nisso que consiste o trabalho do pesquisador... ;-)
As duas maiores editoras especializadas em tradução, Saint Jerome e John Benjamins, têm números dedicados ao tema.
A publicação canadense Meta lançou uma edição especial sobre tradução audiovisual em 2004, com artigos diversos de ótimos pesquisadores do tema. Agora no início de 2012 deve sair mais um número especial, que espero poder divulgar em breve.
A nova edição especial da Meta será editada por Jorge Díaz-Cintas, tradutor e pesquisador com uma enorme lista de publicações sobre o tema.
Outros autores onipresentes neste campo de estudo, e que é interessante acompanhar, são Yves Gambier, editor do número da Meta de 2004 e da excelente coletânea (Multi) Media Translation, disponível no Google Books -- o texto introdutório, mesmo tendo mais de 10 anos, continua atualíssimo; Patrick Catrysse; Henrik Gottlieb; além de, no Brasil, Vera Lúcia Santiago Araújo e Eliana Franco.
Autores bons há muitos, mas infelizmente poucos mantêm um site e uma lista atualizada de publicações.
Finalmente, além do que eu já publiquei e apresentei sobre o tema (há pouco disponível online) e do que escrevo neste blog, minha maior contribuição para a área foi minha dissertação de mestrado. Aliás, vale lembrar que as principais universidades do Brasil mantêm catálogos online de trabalhos acadêmicos e permitem o acesso digital a muitos deles.
Este foi só um primeiro apanhado geral. Caso você conheça alguma outra publicação sobre tradução audiovisual, principalmente se estiver disponível online, por favor me informe em um comentário para que eu confira e aumente esta lista. Espero que seja útil!
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