Um dos argumentos nos quais eu venho insistindo em palestras, aulas e fóruns de tradução é que a tradução audiovisual há bastante tempo não é um nicho do setor de entretenimento, mas está se tornando a norma e permeando todas as áreas que envolvem tradução e interpretação. Não somente usamos a internet para enviar e receber traduções, a internet cada vez mais é o meio -- o único meio -- em que a tradução existe, é divulgada e utilizada, fazendo uso intenso de recursos audiovisuais.
Apenas para ilustrar essa questão, há alguns meses um dos meus clientes -- uma grande rede social -- me encomendou a tradução e legendagem deste vídeo. O tema do vídeo é a própria expansão das redes sociais e seu impacto e relevância crescentes para o mundo "físico". Agora recebi autorização desse cliente para divulgar o vídeo com a tradução. Pessoalmente, fiquei impressionada com as informações dadas nesse vídeo.
E você? Ainda acha que redes sociais são pura distração e que a área de tradução audiovisual é um nicho mal pago para quem gosta de séries na TV?
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12 de janeiro de 2015
5 de dezembro de 2012
Balé e ópera multimídia
Como é que uma "arte morta", como muitos se referem à ópera, ou um antigo estilo de dança, podem de repente atrair novas gerações a alcançar o maior público a que já teve acesso?
Através de recursos multimídia!
Algumas companhias de balé e ópera têm exibido suas apresentações ao vivo, para cinemas de todo o mundo. É o caso do Bolshoi Ballet, a Metropolitan Opera, a Royal Ballet e a Royal Opera House. A Emerging Pictures lista a maioria dessas apresentações.
No ano passado, eu fui procurada pela Royal Opera House/Royal Ballet (ROH) para traduzir algumas dessas apresentações para o português, pois eles estavam começando a exibi-las para uma rede de cinemas em todo o Brasil. Foi uma experiência ótima, e recentemente começou a temporada de 2012-2013 e eu fui escalada para fazer todas as traduções em português. É por isso que falo mais do ROH aqui, já que conheço de primeira mão como essas transmissões funcionam.
Essa tecnologia já existe há vários anos. Em 2003, eu assisti a um show de David Bowie que foi exibido ao vivo, desde Londres, para cinemas em todo o mundo. Eu estava no Brasil e, além de vermos o show, pudemos fazer perguntas para Bowie depois, desde o cinema, e ele ouvia e respondia desde Londres. Considerando como essa experiência foi incrível, chega a ser surpreendente (quase assombroso) que não tenha se tornado uma opção de entretenimento muito mais comum.
Mas parece que as transmissões ao vivo para cinemas finalmente estão vindo para ficar. A ROH começou a exibir as apresentações em cinemas do Reino Unido em 2009; o Brasil foi incluído no ano passado e o Japão nesta nova temporada. Agora transmitem para 240 cinemas de 32 países, em 6 ou 7 línguas, se não me engano.
Este vídeo (em inglês) destaca as vantagens de assistir balés e operas no cinema.
Os sons e imagens são capturados em alta definição, e as legendas em todas as línguas são todas transmitidas desde Londres. As traduções são realizadas com poucos dias (ou, às vezes, poucas horas) de antecedência. No caso de óperas, traduzimos o libretto, naturalmente, mas também há trailers e curtas sobre cada produção, que mostram ensaios, entrevistas e outras informações importantes sobre a produção, e que são exibidos antes do espetáculo e durante os intervalos. Também há mensagens exibidas na tela para os espectadores (por exemplo, incentivando-os a enviarem tweets com comentários sobre o espetáculo) e um resumo de cada ato que verão. Alguns dos tweets enviados também são exibidos na tela do cinema durante os intervalos.
Como as imagens são geradas ao vivo, as legendas não podem ser editadas permanentemente sobre o filme. São exibidas manualmente, ao vivo, pelo departamento de surtitling da ROH ("surtitling" é o nome das legendas exibidas em teatros, geralmente acima do palco).
A ROH interage com os espectadores nas principais redes sociais. Tem seu canal no YouTube, página no Facebook e conta no Twitter. E divulgou recentemente alguns números impressionantes sobre a temporada de 2011-2012, que sem dúvida irão crescer a cada ano. Alguns destaques:
Novos públicos e novas mídias também implicam o uso de uma nova linguagem. As legendas devem ser breves e simples, para que possam ser lidas depressa e permitam aos espectadores entender o que é dito e ainda assim apreciar plenamente as belíssimas imagens à sua frente. No caso de óperas, isso significa que as traduções empregam uma linguagem mais moderna, sem termos obscuros ou obsoletos. O texto original continua intacto na performance, mas seria impossível acompanhar o libretto completo junto com o espetáculo. Assim, as legendas estão lá para falar a língua dos espectadores nos cinemas e ajudá-los a aproveitar totalmente a experiência, sem se sentirem deslocados.
A ROH é um modelo de cliente para os tradutores. O trabalho antes de cada apresentação é intenso e muitas vezes nos fins de semana, mas a remuneração faz jus ao que eles pedem. Procuraram tradutores recomendados, com experiência em legendagem e que se sentissem à vontade com os temas e a terminologia envolvida. Levando em conta a magnitude dessa operação, o custo da tradução provavelmente é quase insignificante, e a prioridade é oferecer a maior qualidade aos espectadores. A ROH reconhece o valor de uma tradução audiovisual especializada.
Este último vídeo mostra o departamento de audiovisual, e eu acho particularmente fascinante.
Acredito que há muito a aprender com essa experiência bem-sucedida da Royal Opera House e de outras companhias de balé e ópera. O público agora é global, novas tecnologias e mídias podem dar vida nova a antigas formas de arte -- incluindo lucro, sim, a internet não está matando a indústria do entretenimento, muito pelo contrário -- e serviços de tradução profissionais e especializados podem fazer a ponte entre as línguas.
Através de recursos multimídia!
Algumas companhias de balé e ópera têm exibido suas apresentações ao vivo, para cinemas de todo o mundo. É o caso do Bolshoi Ballet, a Metropolitan Opera, a Royal Ballet e a Royal Opera House. A Emerging Pictures lista a maioria dessas apresentações.
No ano passado, eu fui procurada pela Royal Opera House/Royal Ballet (ROH) para traduzir algumas dessas apresentações para o português, pois eles estavam começando a exibi-las para uma rede de cinemas em todo o Brasil. Foi uma experiência ótima, e recentemente começou a temporada de 2012-2013 e eu fui escalada para fazer todas as traduções em português. É por isso que falo mais do ROH aqui, já que conheço de primeira mão como essas transmissões funcionam.
Essa tecnologia já existe há vários anos. Em 2003, eu assisti a um show de David Bowie que foi exibido ao vivo, desde Londres, para cinemas em todo o mundo. Eu estava no Brasil e, além de vermos o show, pudemos fazer perguntas para Bowie depois, desde o cinema, e ele ouvia e respondia desde Londres. Considerando como essa experiência foi incrível, chega a ser surpreendente (quase assombroso) que não tenha se tornado uma opção de entretenimento muito mais comum.
Mas parece que as transmissões ao vivo para cinemas finalmente estão vindo para ficar. A ROH começou a exibir as apresentações em cinemas do Reino Unido em 2009; o Brasil foi incluído no ano passado e o Japão nesta nova temporada. Agora transmitem para 240 cinemas de 32 países, em 6 ou 7 línguas, se não me engano.
Este vídeo (em inglês) destaca as vantagens de assistir balés e operas no cinema.
Os sons e imagens são capturados em alta definição, e as legendas em todas as línguas são todas transmitidas desde Londres. As traduções são realizadas com poucos dias (ou, às vezes, poucas horas) de antecedência. No caso de óperas, traduzimos o libretto, naturalmente, mas também há trailers e curtas sobre cada produção, que mostram ensaios, entrevistas e outras informações importantes sobre a produção, e que são exibidos antes do espetáculo e durante os intervalos. Também há mensagens exibidas na tela para os espectadores (por exemplo, incentivando-os a enviarem tweets com comentários sobre o espetáculo) e um resumo de cada ato que verão. Alguns dos tweets enviados também são exibidos na tela do cinema durante os intervalos.
Como as imagens são geradas ao vivo, as legendas não podem ser editadas permanentemente sobre o filme. São exibidas manualmente, ao vivo, pelo departamento de surtitling da ROH ("surtitling" é o nome das legendas exibidas em teatros, geralmente acima do palco).
A ROH interage com os espectadores nas principais redes sociais. Tem seu canal no YouTube, página no Facebook e conta no Twitter. E divulgou recentemente alguns números impressionantes sobre a temporada de 2011-2012, que sem dúvida irão crescer a cada ano. Alguns destaques:
- Cerca de 300.000 pessoas assistiram à Royal Opera e à Royal Ballet em cinemas.
- Quando a Royal Ballet fez um dia inteiro de streaming grátis (um dia na vida da Royal Ballet exibido no YouTube, sem editar), a audiência atingiu um milhão de espectadores.
- O público está cada vez mais jovem, com um grande número de pessoas que assistem a ópera e balé pela primeira vez na vida, pois vê-las no cinema é bem mais barato e acessível, e menos intimidador, do que ir até um teatro.
Novos públicos e novas mídias também implicam o uso de uma nova linguagem. As legendas devem ser breves e simples, para que possam ser lidas depressa e permitam aos espectadores entender o que é dito e ainda assim apreciar plenamente as belíssimas imagens à sua frente. No caso de óperas, isso significa que as traduções empregam uma linguagem mais moderna, sem termos obscuros ou obsoletos. O texto original continua intacto na performance, mas seria impossível acompanhar o libretto completo junto com o espetáculo. Assim, as legendas estão lá para falar a língua dos espectadores nos cinemas e ajudá-los a aproveitar totalmente a experiência, sem se sentirem deslocados.
A ROH é um modelo de cliente para os tradutores. O trabalho antes de cada apresentação é intenso e muitas vezes nos fins de semana, mas a remuneração faz jus ao que eles pedem. Procuraram tradutores recomendados, com experiência em legendagem e que se sentissem à vontade com os temas e a terminologia envolvida. Levando em conta a magnitude dessa operação, o custo da tradução provavelmente é quase insignificante, e a prioridade é oferecer a maior qualidade aos espectadores. A ROH reconhece o valor de uma tradução audiovisual especializada.
Este último vídeo mostra o departamento de audiovisual, e eu acho particularmente fascinante.
Acredito que há muito a aprender com essa experiência bem-sucedida da Royal Opera House e de outras companhias de balé e ópera. O público agora é global, novas tecnologias e mídias podem dar vida nova a antigas formas de arte -- incluindo lucro, sim, a internet não está matando a indústria do entretenimento, muito pelo contrário -- e serviços de tradução profissionais e especializados podem fazer a ponte entre as línguas.
Este texto foi publicado originalmente no meu blog sobre tradução de multimídia, em inglês.
20 de novembro de 2010
Blogs educacionais e a "nuvem"
Fui dar uma olhada nas estatísticas de acesso deste blog, o que eu faço muito ocasionalmente, e levei um susto porque dos dias 14 a 18 de novembro houve um salto absurdo na quantidade de acessos, dez vezes mais do que a média.
Descobri que a origem foi esta "convocação" do blog English Experts aos blogs educacionais. Meu blog está na lista dos convocados, mas ninguém me informou disso e poderia muito bem nem ter ficado sabendo.
("Está vendo", diria meu Grilo Falante, "como foi importante, após tantas semanas trabalhando sete dias por semana, tirar um dia para descansar e navegar um pouco? Trabalhando sem parar você mal vê o mundo lá fora!")
Mas voltando: a excelente convocação do Alessandro veio a calhar, pois esta semana mesmo eu estive discutindo com colegas - tradutores e professores - sobre a importância do networking virtual para os profissionais autônomos. Mas, se é importante para todo mundo, para os estudantes e iniciantes é realmente imprescindível.
Quando eu terminei a faculdade, há uns (aham...) 14 anos, usei de todos os recursos disponíveis na época para fazer e manter contato com colegas e profissionais. Criei meu primeiro site em 1997, escrevendo direto em HTML no Notepad. As primeiras redes de contato de tradutores profissionais aconteciam por e-mail, com a Trad-Prt (criada em 1998) e depois outras listas de discussão. O ProZ é de 1999 e foi um grande avanço pela proposta e pela tecnologia utilizada para promover o intercâmbio entre profissionais e clientes.
Eu comecei a trabalhar ainda na faculdade, por indicação de professores, às vezes para outros departamentos da universidade. Uma coisa foi puxando outra, eu sempre corri atrás de contatos e já nem sei como acabei traduzindo um livro muito bacana para uma editora de peso quando estava formada ainda há poucos meses. Sempre adorei tudo o que pudesse ser feito em computador e já na faculdade não desgrudava do Palm, que tenho até hoje (confesso que mais por razões afetivas do que qualquer motivo mais prático...)
Em 2001 abri minha empresa, comprei o domínio e sempre mantive o site. Comecei a blogar pouco depois (um blog pessoal já extinto) e iniciei este aqui em 2006. A essa altura já havia vários outros blogs, Orkut, uma multidão de opções. Aliás, a melhor comunidade de tradutores do Orkut continua firme e forte, reunindo vários dos melhores profissionais de tradução e interpretação e integrando e ajudando iniciantes.
Hoje em dia é preciso muita disciplina para não se perder em meio a tanto Twitter, Facebook, Orkut, LinkedIn, etc. E blogs. Blogs e mais blogs. E gente, como tem blog bom! Bonitos, bem produzidos, bem escritos, informativos. E pensar que começou meio na linha de "querido diário". Aliás, o Twitter também, mas hoje quem não sabe aproveitar as coisas incríveis que as mensagens em 140 caracteres podem fazer por você está perdendo - muito mais do que imagina.
São informações que não acabam mais, criadas constantemente. Entrada de blog é bem mais duradoura do que tuíte, mas os blogs também nascem e morrem, se reciclam, mudam de lugar. É difícil acompanhar tudo.
O universo da internet é absolutamente imenso. É como esses filmes sobre o Big Bang que a gente vê em planetário: ele expande, expande, expande... galáxias geram mais galáxias e mais galáxias. Virou uma nuvem, mesmo. Uma nuvem cósmica, com planetas, satélites e meteoros.
Há alguns anos que eu praticamente moro nessa nuvem. Resido a uns 8.000 km de distância de onde tenho minha empresa. A comunicação por voz é via Skype em todas as suas variações - muitos clientes ligam para meu número no Rio e nem imaginam onde é que eu estou. Os orçamentos são por e-mail, os serviços são em diversos formatos de arquivos. Bendito FTP sem limite de tamanho para trabalhar com filmes, tranferindo conteúdos inteiros de DVDs para legendar. Dou muitos cursos online também, para gente espalhada pelo mundo todo. Conheci a Bianca Bold, minha sócia, pelo Orkut, e por total coincidência hoje moramos na mesma cidade. Meu irmão Diego Alfaro, outro sócio, há vários anos mora na Europa e também presta serviços principalmente para clientes no Brasil. As notas fiscais são eletrônicas, os depósitos são feitos quase sempre pela internet, eu passo no banco todo dia usando "online banking" (felizmente o dinheiro que sai do caixa automático ainda é de carne e osso!)
E eu nunca tive tantos, tantos colegas. A internet tem esse poder de eliminar um monte de barreiras sociais. Você se comunica tanto com seus ídolos quanto com seus alunos, e na verdade esse tipo de rótulo importa cada vez menos.
Muitos clientes e amigos eu nunca vi. Outros eu vi, mas pouco comparado com o quanto nos comunicamos pela internet. Outros eu conheci primeiro pela internet e só depois em pessoa. Qual é a diferença entre virtual e real, mesmo? Eu confesso que já não sei bem.
Hoje em dia, independentemente da nossa procedência, de quantos amigos temos e de onde estudamos, uma coisa é certa: a maior parte dos conhecimentos que obtemos e da comunicação que mantemos é online. Pense em quanto do que você sabe hoje foi aprendido lendo diretamente de uma publicação em papel ou ouvindo da boca de uma pessoa, e quanto foi aprendido navegando? Eu adoro a experiência da sala de aula presencial, adoro a universidade, que considero importantíssima, mas em termos numéricos um professor diz algo para 25 pessoas durante duas horas e, nesse tempo, dezenas de milhares de pessoas leram informações como essas, e muitas outras, em artigos de blogs.
A educação é algo contínuo, e na internet é possível se educar muitas vezes mais do que em qualquer ambiente offline. Além disso, a "nuvem" novamente funde uma série de conceitos: você aprende enquanto se comunica, interage, faz contato. Contato gera feedback, gera parceria, gera amizade, gera trabalho. Uma série de degraus como o de primeiro aprender, depois fazer testes e estágios, depois ser profissional, vira uma rampa contínua.
E, no universo da tradução, há ainda aquela maravilhosa e fértil promiscuidade de contatos, em que seu aluno vira seu cliente, seu cliente vira seu sócio, seu sócio vira seu professor, às vezes tudo ao mesmo tempo. No ano passado, por exemplo, eu passei várias semanas me comunicando com a mesma pessoa, que ora era a editora para a qual eu estava traduzindo um livro, ora era minha aluna de teorias de tradução em um curso online. Mas tudo bem separadinho, nossas "identidades" não se confundiam em momento algum. O mesmo ocorre quando um ex-aluno vira amigo do tipo que troca receitas de cozinha, mas aí você passa um serviço para ele e o tratamento passa a ser profissional.
Quem está procurando entrar hoje no mercado de tradução, seja saindo de uma faculdade ou curso, ou vindo de outra profissão, deve o mais depressa possível se integrar a essa vida na "nuvem". As relações de trabalho antes eram mais verticais: a gente batia na porta (real ou metafórica) do cliente, ou ele nos procurava com uma proposta. E também aluno era aluno, professor era professor. Tudo muito hierárquico. Mas na nuvem, essa nuvem cósmica com mil conexões, como as sinapses do cérebro, tudo corre em mil direções. Um comentário no Facebook, um tuíte, uma visita a um blog, pode render um emprego. E amanhã mesmo, quem hoje estava procurando trabalho encaminha o pedido de um colega que precisa de ajuda e pronto, se torna o responsável por dar uma oportunidade de trabalho a outra pessoa. E tudo isso acontece muito, muito rápido. Progressos que levavam semanas e meses para acontecer hoje levam horas, minutos.
Essa integração beneficia a todos: quem comenta, quem repassa, quem dialoga é visto, ao mesmo tempo que dá visibilidade a seus interlocutores. Um blog ensina muita coisa, mas para continuar vivendo precisa receber opiniões, sugestões, precisa ser lido. E também é fundamental vincular blog com site, com Twitter, com Facebook, com e-mail, etc. Para existir na nuvem é preciso ser visto. Para ser visto, é preciso que seu site seja encontrado. E como ele é encontrado? Através de recomendações.
Aprendeu alguma coisa em um blog? Diga isso lá no Facebook.
Leu um comentário bacana? Comente também.
Recebeu uma dica legal? Retuíte.
Acredite, você mesmo tem muito mais a ganhar com isso do que imagina. Pois, ao dizer que os outros existem, automaticamente você existe também. Ao dizer "Eu vi", você é visto. E as oportunidades podem pintar de qualquer lugar.
Por isso achei tão legal essa campanha lançada pelo English Experts. Aumentando e intensificando as conexões entre blogs educacionais, as sinapses da nuvem se fortalecem e todos têm a ganhar com esse intercâmbio.
O próprio English Experts listou muitos blogs educacionais interessantes na convocação. Reforço aqui alguns e indico outros:
Descobri que a origem foi esta "convocação" do blog English Experts aos blogs educacionais. Meu blog está na lista dos convocados, mas ninguém me informou disso e poderia muito bem nem ter ficado sabendo.
("Está vendo", diria meu Grilo Falante, "como foi importante, após tantas semanas trabalhando sete dias por semana, tirar um dia para descansar e navegar um pouco? Trabalhando sem parar você mal vê o mundo lá fora!")
Mas voltando: a excelente convocação do Alessandro veio a calhar, pois esta semana mesmo eu estive discutindo com colegas - tradutores e professores - sobre a importância do networking virtual para os profissionais autônomos. Mas, se é importante para todo mundo, para os estudantes e iniciantes é realmente imprescindível.
Quando eu terminei a faculdade, há uns (aham...) 14 anos, usei de todos os recursos disponíveis na época para fazer e manter contato com colegas e profissionais. Criei meu primeiro site em 1997, escrevendo direto em HTML no Notepad. As primeiras redes de contato de tradutores profissionais aconteciam por e-mail, com a Trad-Prt (criada em 1998) e depois outras listas de discussão. O ProZ é de 1999 e foi um grande avanço pela proposta e pela tecnologia utilizada para promover o intercâmbio entre profissionais e clientes.
Eu comecei a trabalhar ainda na faculdade, por indicação de professores, às vezes para outros departamentos da universidade. Uma coisa foi puxando outra, eu sempre corri atrás de contatos e já nem sei como acabei traduzindo um livro muito bacana para uma editora de peso quando estava formada ainda há poucos meses. Sempre adorei tudo o que pudesse ser feito em computador e já na faculdade não desgrudava do Palm, que tenho até hoje (confesso que mais por razões afetivas do que qualquer motivo mais prático...)
Em 2001 abri minha empresa, comprei o domínio e sempre mantive o site. Comecei a blogar pouco depois (um blog pessoal já extinto) e iniciei este aqui em 2006. A essa altura já havia vários outros blogs, Orkut, uma multidão de opções. Aliás, a melhor comunidade de tradutores do Orkut continua firme e forte, reunindo vários dos melhores profissionais de tradução e interpretação e integrando e ajudando iniciantes.
Hoje em dia é preciso muita disciplina para não se perder em meio a tanto Twitter, Facebook, Orkut, LinkedIn, etc. E blogs. Blogs e mais blogs. E gente, como tem blog bom! Bonitos, bem produzidos, bem escritos, informativos. E pensar que começou meio na linha de "querido diário". Aliás, o Twitter também, mas hoje quem não sabe aproveitar as coisas incríveis que as mensagens em 140 caracteres podem fazer por você está perdendo - muito mais do que imagina.
São informações que não acabam mais, criadas constantemente. Entrada de blog é bem mais duradoura do que tuíte, mas os blogs também nascem e morrem, se reciclam, mudam de lugar. É difícil acompanhar tudo.
O universo da internet é absolutamente imenso. É como esses filmes sobre o Big Bang que a gente vê em planetário: ele expande, expande, expande... galáxias geram mais galáxias e mais galáxias. Virou uma nuvem, mesmo. Uma nuvem cósmica, com planetas, satélites e meteoros.
Há alguns anos que eu praticamente moro nessa nuvem. Resido a uns 8.000 km de distância de onde tenho minha empresa. A comunicação por voz é via Skype em todas as suas variações - muitos clientes ligam para meu número no Rio e nem imaginam onde é que eu estou. Os orçamentos são por e-mail, os serviços são em diversos formatos de arquivos. Bendito FTP sem limite de tamanho para trabalhar com filmes, tranferindo conteúdos inteiros de DVDs para legendar. Dou muitos cursos online também, para gente espalhada pelo mundo todo. Conheci a Bianca Bold, minha sócia, pelo Orkut, e por total coincidência hoje moramos na mesma cidade. Meu irmão Diego Alfaro, outro sócio, há vários anos mora na Europa e também presta serviços principalmente para clientes no Brasil. As notas fiscais são eletrônicas, os depósitos são feitos quase sempre pela internet, eu passo no banco todo dia usando "online banking" (felizmente o dinheiro que sai do caixa automático ainda é de carne e osso!)
E eu nunca tive tantos, tantos colegas. A internet tem esse poder de eliminar um monte de barreiras sociais. Você se comunica tanto com seus ídolos quanto com seus alunos, e na verdade esse tipo de rótulo importa cada vez menos.
Muitos clientes e amigos eu nunca vi. Outros eu vi, mas pouco comparado com o quanto nos comunicamos pela internet. Outros eu conheci primeiro pela internet e só depois em pessoa. Qual é a diferença entre virtual e real, mesmo? Eu confesso que já não sei bem.
Hoje em dia, independentemente da nossa procedência, de quantos amigos temos e de onde estudamos, uma coisa é certa: a maior parte dos conhecimentos que obtemos e da comunicação que mantemos é online. Pense em quanto do que você sabe hoje foi aprendido lendo diretamente de uma publicação em papel ou ouvindo da boca de uma pessoa, e quanto foi aprendido navegando? Eu adoro a experiência da sala de aula presencial, adoro a universidade, que considero importantíssima, mas em termos numéricos um professor diz algo para 25 pessoas durante duas horas e, nesse tempo, dezenas de milhares de pessoas leram informações como essas, e muitas outras, em artigos de blogs.
A educação é algo contínuo, e na internet é possível se educar muitas vezes mais do que em qualquer ambiente offline. Além disso, a "nuvem" novamente funde uma série de conceitos: você aprende enquanto se comunica, interage, faz contato. Contato gera feedback, gera parceria, gera amizade, gera trabalho. Uma série de degraus como o de primeiro aprender, depois fazer testes e estágios, depois ser profissional, vira uma rampa contínua.
E, no universo da tradução, há ainda aquela maravilhosa e fértil promiscuidade de contatos, em que seu aluno vira seu cliente, seu cliente vira seu sócio, seu sócio vira seu professor, às vezes tudo ao mesmo tempo. No ano passado, por exemplo, eu passei várias semanas me comunicando com a mesma pessoa, que ora era a editora para a qual eu estava traduzindo um livro, ora era minha aluna de teorias de tradução em um curso online. Mas tudo bem separadinho, nossas "identidades" não se confundiam em momento algum. O mesmo ocorre quando um ex-aluno vira amigo do tipo que troca receitas de cozinha, mas aí você passa um serviço para ele e o tratamento passa a ser profissional.
Quem está procurando entrar hoje no mercado de tradução, seja saindo de uma faculdade ou curso, ou vindo de outra profissão, deve o mais depressa possível se integrar a essa vida na "nuvem". As relações de trabalho antes eram mais verticais: a gente batia na porta (real ou metafórica) do cliente, ou ele nos procurava com uma proposta. E também aluno era aluno, professor era professor. Tudo muito hierárquico. Mas na nuvem, essa nuvem cósmica com mil conexões, como as sinapses do cérebro, tudo corre em mil direções. Um comentário no Facebook, um tuíte, uma visita a um blog, pode render um emprego. E amanhã mesmo, quem hoje estava procurando trabalho encaminha o pedido de um colega que precisa de ajuda e pronto, se torna o responsável por dar uma oportunidade de trabalho a outra pessoa. E tudo isso acontece muito, muito rápido. Progressos que levavam semanas e meses para acontecer hoje levam horas, minutos.
Essa integração beneficia a todos: quem comenta, quem repassa, quem dialoga é visto, ao mesmo tempo que dá visibilidade a seus interlocutores. Um blog ensina muita coisa, mas para continuar vivendo precisa receber opiniões, sugestões, precisa ser lido. E também é fundamental vincular blog com site, com Twitter, com Facebook, com e-mail, etc. Para existir na nuvem é preciso ser visto. Para ser visto, é preciso que seu site seja encontrado. E como ele é encontrado? Através de recomendações.
Aprendeu alguma coisa em um blog? Diga isso lá no Facebook.
Leu um comentário bacana? Comente também.
Recebeu uma dica legal? Retuíte.
Acredite, você mesmo tem muito mais a ganhar com isso do que imagina. Pois, ao dizer que os outros existem, automaticamente você existe também. Ao dizer "Eu vi", você é visto. E as oportunidades podem pintar de qualquer lugar.
Por isso achei tão legal essa campanha lançada pelo English Experts. Aumentando e intensificando as conexões entre blogs educacionais, as sinapses da nuvem se fortalecem e todos têm a ganhar com esse intercâmbio.
O próprio English Experts listou muitos blogs educacionais interessantes na convocação. Reforço aqui alguns e indico outros:
- O Tecla Sap é espetacular, uma grande referência. O Ulisses Wehby de Carvalho é muito fera.
- O Tradutor Profissional, do Danilo Nogueira (com a Kelli Semolini), também virou referência para os tradutores, sobretudo os iniciantes.
- Fidus Interpres, excelente blog do Fabio Said.
- Petê Rissatti fala sobre literatura e tradução, e conversa com tradutores.
- O Tradução Via Val trata de tecnologia.
- O TradCast é o primeiro podcast brasileiro sobre tradução, e é ótimo!
- PriBi, sobre tradução e tecnologia, de Pricila e Fabiano Franz.
- Adir Ferreira, sobre idiomas.
- De Scripta, língua e tradução em espanhol, do Pablo Cardellino Soto.
- El Heraldo de la Traducción, também em espanhol, mas de outro tradutor residente no Brasil, o Víctor Gonzalez.
- Ao Principiante de tradução, pela Lorena Leandro.
- i4B, sobre internet e tecnologias da informação, do meu fabuloso consultor para assuntos cibernéticos Roney Belhassof
4 de maio de 2009
Novas tecnologias em discussão
Há uma interessante discussão ocorrendo recentemente sobre questões tecnológicas -- em particular, o uso conjunto de tradução automática e memória de tradução por tradutores profissionais.
Um pouquinho de contexto:
A tentativa de se fabricar sistemas automáticos de tradução (MT - Machine Translation, ou TA - Tradução Automática) estourou após a Segunda Grande Guerra. Lá pelos anos 70, já estava bastante claro que nenhum computador era capaz de replicar todo o raciocínio humano por trás da decodificação, tradução e recodificação de textos, exceto aqueles de estrutura e vocabulário extremamente limitados.
Nas últimas duas décadas, floresceram as chamadas memórias de tradução (CAT - Computer-Assisted Translation - Tools). São bancos de dados otimizados, geralmente integrados a editores de textos como o MS Word, que arquivam tudo o que uma pessoa traduz - original e tradução - além de oferecer ferramentas para a alimentação de glossários. A ideia é acelerar nosso trabalho com pesquisa e digitação, reaproveitando termos e trechos previamente traduzidos.
Os programas de MT continuaram existindo e há vários gratuitos por aí (Babelfish/Altavista, Systran, e agora o Google Translate, entre outros). O que sempre foi muito óbvio é que eles são fracos, cometendo erros gramaticais e terminológicos grosseiros, servindo apenas para se ter uma vaga ideia do que um site trata, por exemplo. Mas nenhum profissional que se preze sequer olharia para um programinha desses.
Só que a tecnologia foi evoluindo, e quem passou alguns anos ignorando esses programas já deve ter se surpreendido ao se deparar, nem que seja sem querer, com o Google Translate e constatar que ele está bem mais espertinho do que imaginávamos.
Então, no ano passado, no congresso da ATA - Associação de Tradutores dos EUA -, Giovanna Boselli e Cris Silva apresentaram uma pesquisa combinando MT e CAT: memória de tradução para armazenar e reaproveitar trechos e expressões, e o Google Translate para segmentos ainda sem tradução, tudo monitorado e revisado pelo tradutor. Os resultados foram surpreendentes pela velocidade e a qualidade. Os slides da apresentação estão disponíveis, mas pessoalmente acho que não fazem muito sentido sem tudo o que as autoras têm a relatar. Eu não vi essa apresentação, mas acompanhei algumas trocas de e-mails das autoras na lista de discussão da ATA e verei outra apresentação do mesmo tema no congresso da Divisão de Língua Portuguesa, agora em junho. É o item da programação para o qual tenho a maior expectativa.
A Corinne McKay também fala dessa conferência e faz outros testes por conta própria.
Curiosamente, há quase 12 anos eu escrevi uma monografia sobre tradução automática para o curso de especialização. Parte do texto relata a história e a evolução dos sistemas, e outra parte apresenta um teste com um software que existia na época. Essa segunda parte está totalmente obsoleta - o sistema não existe mais e, sinceramente, a pesquisa foi muito fraca, apenas um teste sem grande base científica. Só deixei o texto disponível na internet até hoje porque ele ainda é bastante citado por conta do resumo histórico. O que acho curioso é que a discussão sobre MT esteja voltando em termos não muito diferentes dos que eu usei nesse artigo, após as CAT terem conquistado seu merecido espaço na história - boa parte da qual ocorreu bem depois desse meu trabalho.
Em suma: a MT nasceu como um ideal impossível, foi relegada a sub-produto que não afeta a vida dos tradutores e de repente vem dando a volta por cima como algo que sim, pode ser muito útil, mas que levanta uma série de indagações profissionais e éticas.
Se de um lado há pesquisas e experimentos sérios, há também o mundo das pessoas comuns. O mercado de tradução continua crescendo, há cada vez mais demanda e cada vez mais gente querendo ser tradutor. Gente querendo aprender e se aperfeiçoar, e também gente querendo dinheiro "fácil" (repare nas aspas).
Por conta de tudo isso, as discussões sobre os rumos do mercado estão fervendo em cima da "nova" aplicação de programas gratuitos de MT. Será que muita gente despreparada vai usar esses programas sem critério? Será que representam mesmo uma ameaça aos "grandes" tradutores ou eles nem precisam se preocupar?
Há uma discussão interessante sobre esse assunto na comunidade Tradutores/Intérpretes BR do Orkut. Não foi a primeira, mas está muito rica, pelo menos até as trinta e poucas mensagens que constam até este momento.
Além disso, o Danilo Nogueira tocou no assunto recentemente no blog dele, mencionando no mesmo texto opiniões sobre o mercado de tradução. E, no próximo sábado, dia 9 de maio, na série de palestras gratuitas conhecidas como Reunião na Sala 7, da Aulavox, ele vai abordar justamtente o tema das tecnologias.
Na minha opinião, não dá para tapar o sol com a peneira e deixar de tomar conhecimento e participar desta discussão. Se diversas ferramentas já nos levaram a aumentar a produtividade, a qualidade e a consistência das traduções, a pressão pela alta produtividade só vai aumentar com a nova geração de ferramentas. O diferencial dos tradutores que acreditam que merecem ganhar bem por seu trabalho vai ser dar conta dessa produtividade, além de uma qualidade muito superior à média do mercado, já que produtividade sem muita qualidade é fácil de se conseguir.
Os mais pessimistas andam dizendo que logo seremos revisores das máquinas. Eu não consigo ver esse quadro. De qualquer forma, quero que as máquinas sejam minhas parceiras - não faz sentido ter medo delas nem combatê-las. Vou arregaçar as mangas e mergulhar de novo nesse assunto.
Um pouquinho de contexto:
A tentativa de se fabricar sistemas automáticos de tradução (MT - Machine Translation, ou TA - Tradução Automática) estourou após a Segunda Grande Guerra. Lá pelos anos 70, já estava bastante claro que nenhum computador era capaz de replicar todo o raciocínio humano por trás da decodificação, tradução e recodificação de textos, exceto aqueles de estrutura e vocabulário extremamente limitados.
Nas últimas duas décadas, floresceram as chamadas memórias de tradução (CAT - Computer-Assisted Translation - Tools). São bancos de dados otimizados, geralmente integrados a editores de textos como o MS Word, que arquivam tudo o que uma pessoa traduz - original e tradução - além de oferecer ferramentas para a alimentação de glossários. A ideia é acelerar nosso trabalho com pesquisa e digitação, reaproveitando termos e trechos previamente traduzidos.
Os programas de MT continuaram existindo e há vários gratuitos por aí (Babelfish/Altavista, Systran, e agora o Google Translate, entre outros). O que sempre foi muito óbvio é que eles são fracos, cometendo erros gramaticais e terminológicos grosseiros, servindo apenas para se ter uma vaga ideia do que um site trata, por exemplo. Mas nenhum profissional que se preze sequer olharia para um programinha desses.
Só que a tecnologia foi evoluindo, e quem passou alguns anos ignorando esses programas já deve ter se surpreendido ao se deparar, nem que seja sem querer, com o Google Translate e constatar que ele está bem mais espertinho do que imaginávamos.
Então, no ano passado, no congresso da ATA - Associação de Tradutores dos EUA -, Giovanna Boselli e Cris Silva apresentaram uma pesquisa combinando MT e CAT: memória de tradução para armazenar e reaproveitar trechos e expressões, e o Google Translate para segmentos ainda sem tradução, tudo monitorado e revisado pelo tradutor. Os resultados foram surpreendentes pela velocidade e a qualidade. Os slides da apresentação estão disponíveis, mas pessoalmente acho que não fazem muito sentido sem tudo o que as autoras têm a relatar. Eu não vi essa apresentação, mas acompanhei algumas trocas de e-mails das autoras na lista de discussão da ATA e verei outra apresentação do mesmo tema no congresso da Divisão de Língua Portuguesa, agora em junho. É o item da programação para o qual tenho a maior expectativa.
A Corinne McKay também fala dessa conferência e faz outros testes por conta própria.
Curiosamente, há quase 12 anos eu escrevi uma monografia sobre tradução automática para o curso de especialização. Parte do texto relata a história e a evolução dos sistemas, e outra parte apresenta um teste com um software que existia na época. Essa segunda parte está totalmente obsoleta - o sistema não existe mais e, sinceramente, a pesquisa foi muito fraca, apenas um teste sem grande base científica. Só deixei o texto disponível na internet até hoje porque ele ainda é bastante citado por conta do resumo histórico. O que acho curioso é que a discussão sobre MT esteja voltando em termos não muito diferentes dos que eu usei nesse artigo, após as CAT terem conquistado seu merecido espaço na história - boa parte da qual ocorreu bem depois desse meu trabalho.
Em suma: a MT nasceu como um ideal impossível, foi relegada a sub-produto que não afeta a vida dos tradutores e de repente vem dando a volta por cima como algo que sim, pode ser muito útil, mas que levanta uma série de indagações profissionais e éticas.
Se de um lado há pesquisas e experimentos sérios, há também o mundo das pessoas comuns. O mercado de tradução continua crescendo, há cada vez mais demanda e cada vez mais gente querendo ser tradutor. Gente querendo aprender e se aperfeiçoar, e também gente querendo dinheiro "fácil" (repare nas aspas).
Por conta de tudo isso, as discussões sobre os rumos do mercado estão fervendo em cima da "nova" aplicação de programas gratuitos de MT. Será que muita gente despreparada vai usar esses programas sem critério? Será que representam mesmo uma ameaça aos "grandes" tradutores ou eles nem precisam se preocupar?
Há uma discussão interessante sobre esse assunto na comunidade Tradutores/Intérpretes BR do Orkut. Não foi a primeira, mas está muito rica, pelo menos até as trinta e poucas mensagens que constam até este momento.
Além disso, o Danilo Nogueira tocou no assunto recentemente no blog dele, mencionando no mesmo texto opiniões sobre o mercado de tradução. E, no próximo sábado, dia 9 de maio, na série de palestras gratuitas conhecidas como Reunião na Sala 7, da Aulavox, ele vai abordar justamtente o tema das tecnologias.
Na minha opinião, não dá para tapar o sol com a peneira e deixar de tomar conhecimento e participar desta discussão. Se diversas ferramentas já nos levaram a aumentar a produtividade, a qualidade e a consistência das traduções, a pressão pela alta produtividade só vai aumentar com a nova geração de ferramentas. O diferencial dos tradutores que acreditam que merecem ganhar bem por seu trabalho vai ser dar conta dessa produtividade, além de uma qualidade muito superior à média do mercado, já que produtividade sem muita qualidade é fácil de se conseguir.
Os mais pessimistas andam dizendo que logo seremos revisores das máquinas. Eu não consigo ver esse quadro. De qualquer forma, quero que as máquinas sejam minhas parceiras - não faz sentido ter medo delas nem combatê-las. Vou arregaçar as mangas e mergulhar de novo nesse assunto.
8 de abril de 2009
Aprendizado virtual
Há bastante tempo proliferam-se na internet cursos à distância, podcasts e outras formas de transmissão de conhecimento que, cada vez mais, envolvem áudio e vídeo.
Eu dou alguns cursos à distância através do Aulavox -- inclusive coloquei um widget aí do lado direito, onde eles anunciam as próximas atividades ligadas a tradução -- e pretendo tentar organizar outros tipos de oficinas. Esse tipo de recurso sai mais em conta do que conseguir uma locação física, é eficiente e extremamente prático, pois basta se conectar na hora certa (em caso de eventos ao vivo) para assistir à aula. Até em cursos presenciais passa a ser interessante usar alguns recursos da internet, seja para promover uma discussão virtual ou para aproveitar materiais que estejam online.
Podcasts são gravações em áudio ou vídeo regulares, publicadas em formato semelhante ao de um blog especializado. Geralmente é possível ouvi-los no site ou baixá-los para qualquer aparelho de MP3, para ouvir em qualquer momento. Eu assino vários podcasts que se atualizam automaticamente e vão para o iPod: notícias, receitas, palestras e discussões variadas.
Há um podcast sobre tradução, o Speaking of Translation. As duas autoras são tradutoras americanas que selecionam temas ligados à profissão e os apresentam em forma de bate papo.
Outra moda são os chamados "webinars", seminários virtuais. O ProZ está com vários deles, alguns grátis e outros pagos.
A Portuguese Language Division da ATA também está oferecendo webinars usando recursos do Skype.
Também há webinars ensinando a usar a memória de tradução Wordfast. Uma é mais introdutória e outras são específicas.
Quase tudo isso pode ser aprendido lendo um site ou um livro, ou indo a uma palestra. São apenas formas diferentes, práticas e geralmente muito baratas (ou mesmo grátis) de obter as mesmas informações. Eu não tenho carro, então o iPod está sempre cheio de podcasts para ouvir no metrô, ou caminhando, ou fazendo coisas chatas como aspirar a casa ou lavar louça, quando seria impossível ler um livro.
Alguns colegas estão desenvolvendo a idéia de um podcast brasileiro, com vários colaboradores, sobre tradução. Assim que ele sair do papel, eu aviso.
Eu dou alguns cursos à distância através do Aulavox -- inclusive coloquei um widget aí do lado direito, onde eles anunciam as próximas atividades ligadas a tradução -- e pretendo tentar organizar outros tipos de oficinas. Esse tipo de recurso sai mais em conta do que conseguir uma locação física, é eficiente e extremamente prático, pois basta se conectar na hora certa (em caso de eventos ao vivo) para assistir à aula. Até em cursos presenciais passa a ser interessante usar alguns recursos da internet, seja para promover uma discussão virtual ou para aproveitar materiais que estejam online.
Podcasts são gravações em áudio ou vídeo regulares, publicadas em formato semelhante ao de um blog especializado. Geralmente é possível ouvi-los no site ou baixá-los para qualquer aparelho de MP3, para ouvir em qualquer momento. Eu assino vários podcasts que se atualizam automaticamente e vão para o iPod: notícias, receitas, palestras e discussões variadas.
Há um podcast sobre tradução, o Speaking of Translation. As duas autoras são tradutoras americanas que selecionam temas ligados à profissão e os apresentam em forma de bate papo.
Outra moda são os chamados "webinars", seminários virtuais. O ProZ está com vários deles, alguns grátis e outros pagos.
A Portuguese Language Division da ATA também está oferecendo webinars usando recursos do Skype.
Também há webinars ensinando a usar a memória de tradução Wordfast. Uma é mais introdutória e outras são específicas.
Quase tudo isso pode ser aprendido lendo um site ou um livro, ou indo a uma palestra. São apenas formas diferentes, práticas e geralmente muito baratas (ou mesmo grátis) de obter as mesmas informações. Eu não tenho carro, então o iPod está sempre cheio de podcasts para ouvir no metrô, ou caminhando, ou fazendo coisas chatas como aspirar a casa ou lavar louça, quando seria impossível ler um livro.
Alguns colegas estão desenvolvendo a idéia de um podcast brasileiro, com vários colaboradores, sobre tradução. Assim que ele sair do papel, eu aviso.
20 de agosto de 2006
"Translation Directory"
O translationdirectory.com traz uma interessantíssima seção de artigos categorizados por tema. São centenas deles, fáceis de encontrar, com o trecho inicial disponível já no índice. Mais um ótimo site para manter na lista dos favoritos.
As seções gerais mais importantes são:
Show!
As seções gerais mais importantes são:
- The translation profession
- Translation theory
- Working as a freelancer (por sua vez com várias categorias)
- Payment practices in freelance translation
- Translation job market
- Marketing your language services
- Translators and computers
- Running a translation company
Show!
27 de março de 2006
Três histórias verdadeiras
Contadas por e-mail pelo Danilo Nogueira, que gentilmente me permitiu reproduzir esta mensagem aqui. Elas falam por si próprias.
Aconteceu em 1970, quando comecei. Estava na Editora Atlas, na sala do diretor editorial, entrou um senhor com um pacote de folhas de papel almaço e entregou ao Avelino, assistente do diretor. Era uma tradução, um livro inteiro, manuscrito. Perguntei, curioso, "manuscrito"? O tradutor, não me lembro mais seu nome, me olhou com superioridade e não pouco escárnio e respondeu: "Sou tradutor, não datilógrafo. Na minha escola, ensinava-se caligrafia, e com pautas de quatro linhas, não essa bobagem de três linhas de hoje. Sei escrever a mão, não preciso dessas coisas." Lembrou-me, em seguida, que o Barão do Rio Branco se recusava a ler documentos datilografados e obrigava um amanuense a "passar a limpo" tudo o que lhe era encaminhado "à máquina".
Muito mais tarde, lá para 1995, estava numa "mesa-redonda" na então Faculdade Ibero-americana e o tradutor ao meu lado disse, não sem uma ponta de arrogância e escárnio: "Não preciso de computador: tenho uma IBM de esfera e sou excelente datilógrafo. Sobretudo, tenho o hábito de pensar antes de escrever e, quando escrevo, escrevo direito". Sua observação recebeu, em modo de comentário, as palmas de boa parte do auditório.
No fim do século passado um colega disse, não sem uma ponta de arrogância e escárnio: "Não preciso de memória de tradução. Eu tenho uma memória muito boa." A maioria achou muito divertido. Eu também, claro, mas por motivos diferentes.
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