22 de fevereiro de 2015

Papo com Petê Rissatti - O tradutor e o autor e desafio para os ouvintes

Neste quarto episódio de Papo de Tradutor, conversei com Petê Rissatti, que começou a carreira como revisor e há alguns anos se dedica exclusivamente à tradução de literatura em alemão e inglês, além de ser autor. Ele também aceitou um desafiozinho de tradução, do qual os ouvintes também podem participar.

O mais difícil foi não passar a tarde inteira conversando!

Este é o texto do desafio. Quer traduzir e depois ouvir o que o Petê teve a dizer sobre ele?
The girl sat there slumped in the couch, sulking. She couldn’t believe her mother would drag her to that lame party full of weirdos and losers. She darted her eyes at her mother, who continued to stare at her, not moving an inch. She should never have taken her persistence for granted. Defeated, she frowned and pulled herself to her feet, dragging her sandals across the floor to the door. Her mother couldn’t help but gloat.
Conheça melhor o Petê: site, blog Ponte de Letras



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Ficha técnica: Gravado em Toronto e São Paulo em 21 de fevereiro de 2015
Roteiro e edição: Carolina Alfaro de Carvalho
Software de gravação (São Paulo): Audacity
Software de gravação (Toronto) e edição de áudio: Hindenburg Journalist
Trilha sonora: trechos de “Please Listen Carefully” e "The Wrong Way", de
Jahzzar,
e de "The Temperature of the Air on the Bow of the Kaleetan", de
Chris Zabriskie - CC BY-SA

10 de fevereiro de 2015

Papo com Elisabete Köninger - Na interface cultural Brasil-Alemanha

Chegou o terceiro episódio de Papo de Tradutor!

Conversei com a Elisabete Köninger, tradutora e intérprete carioca que mora e trabalha há mais de 30 anos na Alemanha. Mas nem sequer falamos de tradução, e sim do papel do tradutor e intérprete na interface entre as duas culturas, lidando com as diferenças no jeito de ser para que a comunicação aconteça.

Foi um papo delicioso e instigante. Obrigada, Bete!

Conheça melhor a Elisabete Köninger: site



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Ficha técnica:
Gravado em Toronto e Stuttgart em 8 de fevereiro de 2015
Roteiro e edição: Carolina Alfaro de Carvalho
Software de gravação (Stuttgart): Audacity
Software de gravação (Toronto) e edição de áudio: Hindenburg Journalist
Trilha sonora: trechos de “Welcome” e "So Far So Close", de
Jahzzar - CC BY-SA

30 de janeiro de 2015

Papo com Mirna Soares - Trabalho na OEA e a vida em Washington

Chegou o segundo Papo de Tradutor!

Conversei com a Mirna Soares, tradutora de inglês, espanhol e francês que há 5 anos é contratada da Organização dos Estados Americanos, com sede em Washington. Conheci a Mirna no Rio há vários anos, mas a carreira dela mudou de forma incrível desde então.

Falamos sobre as difíceis escolhas que é preciso fazer ao longo da carreira e sobre vários aspectos do trabalho dela na OEA. Foi uma conversa muito agradável e instrutiva ao mesmo tempo, como sempre acontece quando tradutores batem papo. :)

Obrigada por participar, Mirna!



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Ficha técnica:
Gravado em Toronto e Washington em 24 de janeiro de 2015
Roteiro e edição: Carolina Alfaro de Carvalho
Software de gravação de conversa pelo Skype: Amolto Call Recorder
Microfone (Toronto): Blue Snowball Ice
Software de edição de áudio: Hindenburg Journalist
Trilha sonora: trechos de “Plain Loafer”, de Kevin MacLeod,
e "Talk Me Down", de Mark Neil
Creative Commons Licence

13 de janeiro de 2015

Papo com Érika Lessa - Experiência fora do Brasil e na cabine de interpretação

Esta é a primeira edição da minha novidade que chegou com 2015: o podcast Papo de Tradutor, em que converso com meus colegas e amigos tradutores e intérpretes sobre... bom, qualquer coisa que seja de interesse dos envolvidos.

Meu primeiro papo foi com a Érika Lessa, intérprete e tradutora a quem conheci quando foi minha aluna no curso de Formação de Tradutores da PUC-Rio, lá por 2006 ou 2007, e que logo em seguida se tornou colega e amiga. Ela está passando um ano aqui em Toronto e eu aproveitei para explorar seus talentos de intérprete e rir com alguns "causos".

Foi muito divertido! E, como sempre que a gente bate papo com tradutores, aprendemos alguma coisa nova. Obrigada por ser a primeira "cobaia", Érika!

Conheça melhor a Érika Lessa: site, Facebook, Twitter

 

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Ficha técnica:
Gravado ao vivo em Toronto em 11 de janeiro de 2015
Roteiro e edição: Carolina Alfaro de Carvalho
Microfone: Blue Snowball Ice
Software de edição de áudio: Hindenburg Journalist
Trilha sonora: trechos de “Kiss And Tell (breezy bossa nova)”,
“The Killer (theatrical villainy)” e “Waterback (pastoral folk)”,
compostas por Keshco
Creative Commons Licence

12 de janeiro de 2015

O mundo virtual é o novo mundo real

Um dos argumentos nos quais eu venho insistindo em palestras, aulas e fóruns de tradução é que a tradução audiovisual há bastante tempo não é um nicho do setor de entretenimento, mas está se tornando a norma e permeando todas as áreas que envolvem tradução e interpretação. Não somente usamos a internet para enviar e receber traduções, a internet cada vez mais é o meio -- o único meio -- em que a tradução existe, é divulgada e utilizada, fazendo uso intenso de recursos audiovisuais.

Apenas para ilustrar essa questão, há alguns meses um dos meus clientes -- uma grande rede social -- me encomendou a tradução e legendagem deste vídeo. O tema do vídeo é a própria expansão das redes sociais e seu impacto e relevância crescentes para o mundo "físico". Agora recebi autorização desse cliente para divulgar o vídeo com a tradução. Pessoalmente, fiquei impressionada com as informações dadas nesse vídeo.

E você? Ainda acha que redes sociais são pura distração e que a área de tradução audiovisual é um nicho mal pago para quem gosta de séries na TV?

6 de setembro de 2014

Curso de legendagem no Rio de Janeiro - dezembro de 2014

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Esta postagem se refere a um curso que já foi realizado. Quando houver previsão de uma nova turma, ela será anunciada aqui.
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O formato intensivo do curso de Tradução para Legendagem de Filmes: Teoria, Técnica e Prática tem sido muito procurado. Em 2013 abrimos três turmas. Agora, novamente há inscrições abertas para este curso, que ocorrerá em dezembro de 2014.

É o curso mais completo que eu dou e com certeza um dos mais extensos e completos disponíveis no Brasil. Será oferecida uma só turma, para tradutores de inglês para português. As vagas têm sido preenchidas depressa, se esgotando geralmente dois meses antes do início das aulas. Portanto, se você tiver interesse, não perca tempo em se inscrever!

O curso será realizado na PUC do Rio de Janeiro, na unidade do Centro da cidade, do dia 9 de dezembro (terça) a 17 de dezembro (quarta) de 2014, em formato intensivíssimo: são seis horas de aulas por dia durante 7 dias, três horas à manhã e três à tarde. Serão quatro dias consecutivos na primeira semana, um fim de semana para recuperar o fôlego e mais três dias seguidos na semana seguinte. No total serão 42 horas. O certificado de conclusão do curso é emitido pela PUC-Rio.


O formato intensivo foi muito solicitado, principalmente para que aqueles que não moram na cidade onde o curso é realizado possam se deslocar para lá durante poucos dias. Por isso foi escolhida uma época de férias escolares. Agora há a oportunidade de passar 10 dias no Rio, aproveitando a cidade maravilhosa, e sair de lá especializado em legendagem.

Todas as aulas são em laboratório de informática, com toda a infraestrutura necessária. O curso inclui reflexões e a leitura de textos sobre tradução audiovisual e legendagem, mas seu conteúdo é fortemente prático, repleto de exercícios reais que visam trabalhar diversos gêneros de filmes, simular serviços para diferentes clientes e ensinar técnicas e métodos de trabalho para cinema, DVD, TV a cabo e o mercado corporativo. Em aproximadamente metade das horas de aula é utilizado o software Subtitle Workshop.

Este curso tem sido muito bem-sucedido em seus objetivos: são vários os alunos que passaram a atuar no mercado de legendagem de filmes, e cada vez mais produtoras  de vídeo entram em contato pedindo recomendações dos melhores alunos para serem seus prestadores de serviços. O mercado é exigente e o curso também: é intenso e os exercícios apresentam um grau de dificuldade crescente, visando preparar os alunos para a realidade do mercado em seus melhores nichos. Não é um curso fácil, exige muita dedicação. A experiência prévia com tradução de textos é desejável mas não imprescindível; já o excelente domínio das duas línguas envolvidas, com ênfase na compreensão do inglês e na ótima redação em português, é fundamental e faz toda diferença no desempenho. Também é muito importante que os alunos se sintam à vontade usando computadores, tenham bom domínio de Windows, Office, programas de vídeo, ferramentas de internet e saibam realizar tarefas essenciais como download, instalação de programas, etc.

O valor do curso é de R$ 1.994,00, e pode ser parcelado em duas vezes.

Algumas considerações sobre este curso presencial e os valores. A PUC tem fama de cobrar preços altos, mas leve em conta a quantidade de horas em laboratório de informática, com uma ótima infraestrutura, técnico à disposição e tudo mais. 42 horas é muito tempo (pelo que sei, é o mais longo no Brasil). Basta fazer uma comparação analisando o conteúdo oferecido, a infraestrutura e a quantidade de horas para perceber que este curso oferece um ótimo custo-benefício.


E fique à vontade para comentar e perguntar o que precisar.

6 de junho de 2014

Tradução e tênis

Além de línguas e tradução, uma das atividades que mais ocupam meu tempo é o tênis -- o esporte.

Comecei a jogar aos 7 anos e competi dos 10 aos 17. A partir dos 14 eu treinava 4 horas por dia, mas parei aos 17 quando percebi que não teria mais chance de me tornar profissional, sendo que desde os 15 ou 16 eu já estava praticamente obcecada em ser tradutora. No meu ano livre entre a formatura da escola e o início da faculdade, com 17-18 anos, dei aulas de tênis em dois clubes. Jogo regularmente até hoje e, como ao longo de toda a vida, eu me integrei à nova cidade (a terceira em que eu moro) e fiz vários bons amigos por meio do tênis. Sempre convivi com amantes desse esporte, fossem amadores ou profissionais.

Além disso, é claro, o gosto pelo estudo de línguas, gramática, literatura e tradução, além de há mais de 20 anos ser estudante ou professora de tradução (às vezes as duas coisas ao mesmo tempo), define grande parte de quem eu sou, como penso, com quem me relaciono e a que dedico a maior parte do meu tempo.

Um dia desses, batendo bola, minha cabeça começou a "viajar" e tecer paralelos entre as duas atividades. Fiquei maravilhada de constatar quanta coisa elas têm em comum. Então aqui vai um pequeno exercício de reflexão: qualquer um dos itens abaixo são o que vejo e sinto tanto com relação ao campo da tradução quanto ao tênis.
  • É uma atividade notoriamente solitária, o que não quer dizer que tudo dependa somente de você.
  • Quem vê essa atividade de fora, sem conhecê-la, pensa que é algo puramente mecânico.
  • É preciso treinar a vida toda; não existe um momento em que não há mais necessidade de praticar e se aperfeiçoar. No começo é apenas para conseguir fazer o básico, mas, quanto mais alto o nível a que você chega, mais importante é treinar com regularidade para buscar estender seus próprios limites.
  • Sempre dá para melhorar.
  • É 99% ralação e 1% inspiração.
  • Se, para quem olha de fora, o que a pessoa faz parece fácil e natural, pode ter certeza de que exigiu um esforço muitíssimo maior do que se pode imaginar.
  • É preciso treinar muito, durante anos e anos, para, quando nos depararmos com algum daqueles momentos cruciais da carreira, algum desafio imenso que nos marcará pelo resto da vida, sabermos aproveitar a oportunidade.
  • Existe sorte. Mas ela não pode fazer parte da nossa estratégia. 
  • Há muita margem para discussão de regras e questionamentos. Mas dentro é dentro, e fora é fora.
  • Temos que conseguir pegar gosto -- ou ao menos aceitar e tirar satisfação -- da prática em todos os aspectos (mesmo aqueles de que a gente não gosta), do cansaço, da repetição, da frustração, da dor. Os momentos de vitórias memoráveis e reconhecimento são raros e estão diretamente relacionados a esse esforço contínuo.
  • O erro faz parte e acontece com frequência. Simplesmente não existe a possibilidade de não errar. É preciso aceitar que isso vai acontecer e saber lidar com a presença de erros de modo a não comprometer o resultado final, sua postura e autoconfiança e o prazer de continuar se dedicando àquela atividade.
  • A derrota também faz parte. É preciso saber usá-la como fonte de motivação para melhorar. Mas, se você repetidamente não consegue ganhar, há algo muito errado com o que está fazendo, e precisa reconhecer esse fato e buscar ajuda.
  • O único jeito de melhorar é nos medirmos sempre com quem é melhor do que nós.
  • É importante termos um modelo (ou alguns) daquilo que gostaríamos de ser. E é importante saber por que escolhemos justamente esse modelo.
  • Derrotar ou apontar erros de quem é tecnicamente inferior não nos torna melhor em absolutamente nada.
  • Ao cometer um erro grave, ficar remoendo ou apresentando justificativas só piora a situação. A única solução é aprender com ele imediatamente e dar um jeito de acertar da próxima vez.
  • A sensação de orgulho ao vencer é muito forte, pois lutamos sozinhos e o mérito é fortemente individual. Mas quem conquista uma vitória importante sempre tem uma enorme quantidade de gente para agradecer por ter chegado lá.
  • É preciso ter uma combinação muito especial de ambição e humildade, sempre.
  • Não se fica parado lugar. Parar é retroceder. 
  • Não se pode descansar nos louros enquanto a carreira não chegou ao fim. Isso é um pecado mortal.
  • Poucas coisas revelam nossa verdadeira ética quanto uma derrota dolorosa. Ou mesmo a possibilidade de derrota.
  • Mesmo a mais correta das pessoas tenta distorcer uma regra a seu favor ou tirar vantagem de vez em quando. Mas nada é mais difícil do que fazer o que sabemos ser correto quando somos roubados ou prejudicados de má fé. E isso acontece com frequência.
  • Fatores externos, sejam naturais ou humanos, interferem o tempo todo. Ninguém está imune a eles. Mas quem é realmente sério jamais usa esses fatores como justificativa para suas falhas.
  • É perfeitamente possível ser autodidata, mas a imensa maioria dos autodidatas terá vícios ou carências técnicas visíveis se nunca parar e se aperfeiçoar formalmente.
  • Salvo raras e honrosas exceções, é possível identificar autodidatas, amadores ou praticantes ocasionais em questão de segundos.
  • "Ter paixão" pela atividade e ser um profissional -- que faz daquela atividade a carreira de uma vida -- são coisas completamente diferentes. Ser profissional e não perder a paixão por algo que requer tamanho esforço e dedicação é que é o grande desafio.
  • Há muito espaço para ótimos profissionais que nunca vão estar no topo ou entrar para a história. Não há vergonha alguma e é possível ter uma carreira muito digna e produtiva em níveis intermediários. O grau de esforço e dedicação necessário continua sendo exatamente o mesmo.
  • Há quem tenha talento inato para a coisa, e isso é perceptível, mesmo que a gente não saiba exatamente o que é.
  • Ajudar alguém a melhorar nos faz melhorar ainda mais.
  • Nosso adversário é nosso colega. Sem ele, nós não somos nada, não temos mérito algum. Nosso inimigo de hoje é seu parceiro de amanhã, ou vice-versa.
  • É fundamental respeitar o adversário e saber reconhecer seus méritos.
  • É crucial saber separar profissão de relacionamento pessoal, apesar de essas duas dimensões se misturarem constantemente.
  • Não nos dedicamos a essa atividade porque esperamos reconhecimento. Nos dedicamos a essa atividade porque é parte de quem somos e queremos realizá-la com qualidade.
  • É uma viagem de autoconhecimento. Precisamos encarar nossos defeitos e pontos fracos, assim como descobrir e saber aproveitar nossos talentos.
  • Temos que saber estudar sós, trabalhar sós, nos defendermos sós, superarmos desafios sós.
  • Quem nos observa de fora vai nos julgar, às vezes com base em detalhes que mal percebemos. Faz parte.
  • Dizer que se é bom naquilo não significa nada. Tem que mostrar.
  • Uma vitória bonita de um de orgulho enche a todos.
  • Quem diz que não sente pressão quando outras pessoas estão assistindo ou seu nome vai ficar gravado está mentindo descaradamente. O grande mérito está em justamente não deixar o desempenho cair demais sob pressão.
  • Quem pensa que investir constantemente em instrumental de qualidade não faz diferença no desempenho não entende nada. Quem acha que só o instrumental resolve tudo também não.
  • Quanto melhor se é, mais diferença faz uma fração de segundo, um centímetro, um grau.
  • Não é algo que a gente faz. É algo que se é. É um estilo de vida, uma forma de pensar. Não só da pessoa, mas da família toda.
  • É uma atividade que transforma a nossa forma de encarar a vida e que influencia tudo o que fazemos, mesmo que sejam coisas totalmente desvinculadas da atividade em si.
  • Quando bem executada, chega a comover. Mas só para quem sabe apreciar de verdade.
  • É ciência. É arte. É malabarismo. É dança.
E tenho certeza de que não termina aqui. Provavelmente eu ainda volte para acrescentar itens na lista...
(Aliás, já acrescentei.)

Um adendo: eu escrevi sobre tênis porque, claro, é o esporte que pratiquei a vida toda e mais admiro. Tenho medo de generalizar e nem é esse o objetivo. Mas é claro que muito disto valeria também para diversos outros esportes individuais, como squash, natação, golfe ou atletismo.

19 de abril de 2014

Quatro traduções de um mesmo vídeo

(Atualizado com mais uma tradução amadora.)

Estes dias, passou a circular um vídeo que se tornou viral, sobre uma falsa vaga de emprego que parece impossível (propaganda de uma empresa de cartões).

Vários conhecidos começaram a pedir que fosse traduzido, e me ofereci para fazer a legendagem. De vez em quando eu traduzo algo de que gosto, para mim mesma ou para alguém querido. Foi o que fiz, traduzindo e editando o vídeo com legendas fixas.

Dois dias após ter divulgado o vídeo no YouTube, descobri outras duas traduções em português, publicadas quase ao mesmo tempo que a minha. Mais um par de dias depois, encontrei outra versão legendada que já se tornou muito popular.

Achei muito interessante comparar a redação, o estilo e as características técnicas (sincronia, subdivisão de legendas, ritmo de leitura) de duas traduções amadoras com a minha, que fiz usando os critérios da legendagem profissional com que trabalho normalmente.

São estes:

1 (amador, clique em 'cc' e selecione legendas em português)

2 (amador)

3 (amador)

4 (profissional)


Algumas ressalvas importantes:

Meu objetivo aqui não é criticar nem ridicularizar as traduções amadoras. Foram feitas por gente que, como eu, quis tornar um vídeo bonito acessível para pessoas queridas, e cumprem com esse objetivo. Também não me sinto de forma alguma "moralmente superior" a ninguém.

Por outro lado, o tempo todo ouvimos comentários sobre a excelente qualidade das traduções amadoras ("fansubs"). Inclusive já tive alunos que eram fansubbers e achavam absurdas as imposições técnicas nas quais eu insistia para conseguirem se inserir no mercado profissional, pois argumentavam que "todo mundo" elogiava seu trabalho.

Esta comparação é apenas uma boa oportunidade de destacar essas diferenças.

Essas legendagens amadoras cumprem a função de transmitir rapidamente um conteúdo em língua estrangeira? Sem dúvida.

Seriam aceitas por uma produtora de vídeo ou canal de TV como um serviço profissional? Em hipótese alguma.

Os textos contêm inúmeros problemas de tradução, gramática e estilo. Há legendas com tanto texto que não dá tempo de ler (ou, se conseguimos ler, não temos tempo de observar as imagens, o que é uma perda grave). A sincronia não está precisa, assim como a quebra de legendas e de linhas, e tudo isso exige um esforço redobrado do espectador para acompanhar as legendas, em detrimento da experiência prazerosa de assistir ao vídeo.

Todas essas observações se baseiam em conhecimentos bastante técnicos e nem sempre intuitivos.

Tudo isto não é para pedir elogios nem nada disso, absolutamente -- eu continuo me aprimorando e não me considero dona da verdade.

É apenas para ilustrar o que qualquer tradutor qualificado já sabe: o bom resultado final de uma tradução é a ponta do iceberg, fruto de um esforço significativo de estudo, capacitação e treinamento, aliado a um trabalho intenso e extremamente detalhista durante o processo de tradução -- tudo isso apenas para que o receptor desse conteúdo não note demais a tradução em si, como alguém que aprecia a paisagem sem reparar no vidro da janela.

E também para lembrar que ainda falta muito, muito mesmo, para sermos substituídos por máquinas ou por voluntários bem-intencionados, caso alguém tivesse alguma dúvida.

13 de abril de 2014

Novamente a discussão sobre dublagem x legendagem

Eu nem me lembrava de que o último que escrevi neste blog foi sobre o debate de dublagem x legendagem, que já mais parece São Paulo x Corinthians ou Flamengo x Fluminense, com a tendência a cada lado defender suas preferências pessoais como se fossem a única verdade possível. Mas a todo momento alguma notícia reacende esse debate, mesmo que a notícia em si nem diga respeito à forma de tradução -- a mídia adora lançar polêmicas e, em frações de segundo, as pessoas voltam à briga.

Desta vez, uma longa discussão num grupo grande de tradutores profissionais surgiu por conta desta notícia sobre uma adaptação feita nas imagens do filme Capitão América para os diversos países de destino, inclusive o Brasil.

Embora eu já tenha comentado e escrito sobre o assunto em outros lugares, como nesta matéria sobre tradução audiovisual para a revista Língua Portuguesa, vejo que, mesmo entre tradutores, que supostamente deveriam ter um conhecimento um pouquinho acima da média sobre o tema, continuam sendo repetidos e reforçados argumentos infundados e baseados em preconceitos errôneos a respeito das diversas opções usadas para adaptar um filme a uma cultura diferente.

Então volto a expor minha opinião sobre essa questão -- que, para falar a verdade, não entendo bem por que rende tanto debate.

Um desses preconceitos é a noção de que um tradutor "rebelde" qualquer, por conta própria, seria capaz de modificar um filme. Ouvimos isso sobre títulos de filmes, edições de imagem, de som, adaptações na tradução, etc.


O processo de tradução e pós-produção de um filme envolve várias empresas, muita gente e muito dinheiro. O tradutor é apenas um dos elos (um elozinho praticamente dos mais insignificantes) do processo, que não tem poder para tomar nenhuma decisão que minimamente fuja do padrão. Nenhum tradutor jamais decidiu o título de um filme, imprimiu cartazes e outdoors e os espalhou por todo o país, assim como não trocou uma imagem do filme original por uma imagem com textos adaptados. Tudo isso envolve muito dinheiro, muitas decisões, e o tradutor apenas cumpre ordens, talvez dê sugestões, mas definitivamente não toma nenhuma decisão nem tem controle sobre o resultado final do processo.

Isso sem dizer que, no caso de Capitão América, se trata da Disney, a distribuidora mais controladora do mundo com relação às traduções e adaptações, cujo processo começa muitas vezes seis meses antes do lançamento de um filme.

Outro preconceito é o de associar legendagem a superioridade cultural, inteligência ou "evolução" (acreditem, vi esse termo usado em um argumento), e dublagem a inferioridade, burrice e preguiça. Basta olhar para o resto do mundo e ver que isso não se sustenta. Eu já li bastante sobre o assunto e há especulações muito variadas sobre as origens das preferências de cada cultura por dublagem ou legendagem, mas não há explicações definitivas. Faço aqui um resuminho:

Por um lado, a dublagem se tornou obrigatória em muitos países durante regimes autoritários, por facilitar a censura e alteração do conteúdo estrangeiro (caso do Brasil e de muitos países da Europa quando da disseminação do cinema falado ou da televisão). Esses mesmos regimes costumavam usar como pretexto a acessibilidade para a parcela menos letrada da população, e muita gente até hoje faz essa associação, embora não se sustente em muitos casos.

Por outro lado, a pós-produção para dublagem é um processo muitíssimo mais caro do que a legendagem. No caso do Brasil, como a lei que previa a obrigatoriedade da dublagem se aplicava à TV, quando do advento do VHS -- aqui é meio que teoria minha -- as produtoras tenderam a optar pela legendagem por ser muito mais barata, considerando o volume de novas traduções a serem feitas. O DVD também tradicionalmente tem mais opções de legendagem do que de dublagem.

Pelo que li em textos da área audiovisual, o aumento proporcional da preferência pela dublagem no Brasil tem muito a ver com o maior poder aquisitivo de classes mais baixas, aliado a um investimento maior das distribuidoras na pós-produção de filmes, visando atingir um público claramente maior. O interesse é comercial, e mútuo. As distribuidoras não gastariam muitíssimo mais em adaptar o som e as imagens de um filme se isso não lhes desse um retorno bem maior do que inserir legendas, que é muito mais barato.


Cheguei a ver o argumento de que o aumento dos filmes dublados no brasil faria parte de um projeto político de emburrecimento da população. Pessoalmente, acho essa ideia teoria da conspiração demais, até porque esse argumento se baseia em um preconceito infundado (ou será que a população alemã é mais burra agora do que era há 50 anos?) e porque, particularmente, acredito que os interesses econômicos são muito mais fortes que os puramente políticos.

Já quanto às preferências pessoais (menos ou mais acaloradas) por legendagem ou dublagem, pelo que observo em diversos grupos e diversos países, é apenas questão de hábito e de gosto. Para alguns, não ouvir os diálogos na língua original é insuportável; para outros, ter que ler texto aplicado na parte de baixo da tela é um crime contra a experiência cinematográfica. Vai ter gente que odeia de morte uma ou outra forma, assim como tem gente capaz de morrer pelo Bragantino, mas aí se tratam de paixões pessoais, pouco fundamentadas na razão.

No Brasil, a parcela da população capaz de entender um filme estrangeiro sem tradução é tão ínfima que deve ser irrelevante para fins comerciais. A legenda obviamente não se destina a essa parcela. Aliás, eu arriscaria dizer que mesmo entre tradutores profissionais só uma parte bem pequena conseguiria entender realmente bem um filme falado na nossa segunda língua. Com apoio de legendas, quem já é bastante fluente na língua estrangeira consegue ir comparando original e tradução e preenchendo as lacunas, e assim formar a ilusão de que está entendendo a língua estrangeira (eu sou assim com francês: quando vejo filme legendado, sou francófona nata! Já sem legendas, só entendo "bonjour" e olhe lá.)


Pelo que vejo, essas pessoas costumam preferir a legendagem dos filmes na língua estrangeira que entendem razoavelmente. Já em outras línguas, tenho minhas dúvidas. Eu, por exemplo, gosto de animações japonesas, mas acho muito cansativo ver filmes longos legendados. Moro no Canadá e vejo filmes do Miyazaki no cinema dublados em inglês, feliz da vida. Talvez mais de um pense que a dublagem em inglês é muito melhor que a dublagem em português, mas nesse caso eu diria que é mais um preconceito bem arraigado.

Apenas para deixar claro: eu não sou "defensora" da dublagem. Nem sei fazer tradução de roteiros para dublagem. Sou tradutora especializada e professora de legendagem, e pessoalmente prefiro assistir a filmes legendados, na maioria dos casos. Só acho meio frustrante ver esses preconceitos contra a dublagem serem reproduzidos sem uma reflexão um pouco mais aprofundada, principalmente por quem é da área de tradução.

15 de janeiro de 2014

Títulos de séries, legendagem e dublagem

Está rodando nas redes sociais esta matéria sobre o subtítulo que foi dado para a série "Breaking Bad" pelo canal Record.

Vale esclarecer que o subtítulo de um filme ou série, ou mesmo o título, *não* se trata de tradução. É um novo título dado pelos produtores ou distribuidores no país de destino, e não envolve tradutores nem estratégias de tradução.

Também é importante não confundir as críticas feitas ao título com as preferências em torno de legendagem ou dublagem -- o título seria o mesmo, independentemente da forma de tradução adotada.

Quanto ao gosto (ou desgosto) por dublagem ou legendagem, é algo puramente subjetivo, que nada tem a ver com o grau de escolaridade das pessoas, superioridade ou inferioridade cultural, nem mesmo com noções de arte, como já foi extensamente discutido na literatura acadêmica sobre esses temas.

Uma breve introdução ao mundo da tradução audiovisual, com algumas dessas distinções, está disponível na edição especial sobre tradução da revista Língua Portuguesa, para a qual eu escrevi esta matéria sobre tradução audiovisual (em PDF).